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title: Penélope: A Esposa Fiel de Odisseu
author: Liana Miate
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12843/penelope/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-02
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# Penélope: A Esposa Fiel de Odisseu

_Escrito por [Liana Miate](https://www.worldhistory.org/user/lianamiate/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Na [mitologia grega](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11221/mitologia-grega/), Penélope é a mulher de Odisseu, rei de Ítaca, e mãe de Telémaco. É amplamente conhecida pela sua inabalável lealdade e fidelidade ao marido durante a sua ausência de 20 anos, bem como pelo seu plano astuto para evitar os muitos pretendentes que procuravam a sua mão enquanto Odisseu estava ausente. A sua história é contada na célebre obra *Odisseia*, de [Homero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-225/homero/) (cerca de 750 a.C.).

### A Família e o Casamento com Odisseu

Penélope era filha do rei espartano Icário e da ninfa náiade Peribeia. Tinha cinco irmãos: Toas, Damasipo, Imeusimo, Aletes e Perileu.

Odisseu foi, originalmente, um dos pretendentes de Helena de [Esparta](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-197/esparta/), mas fez um acordo com o pai desta, Tíndaro: se Tíndaro o ajudasse a ganhar a mão de Penélope, ele formularia um plano para evitar conflitos entre o grande número de homens que tinham vindo disputar a mão de Helena. Seguindo o conselho de Odisseu, Tíndaro fez com que todos os pretendentes jurassem que atenderiam a qualquer pedido de auxílio do noivo escolhido, caso este enfrentasse algum perigo relacionado com o seu casamento. Fiel à sua palavra, Tíndaro pediu então ao seu irmão, Icário, que entregasse Penélope a Odisseu em casamento. O casal teve um filho, Telémaco, que nasceu pouco antes do início da [Guerra de Troia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10357/guerra-de-troia/).

### A Esposa Aflita

No início da Odisseia, Penélope lamenta a ausência do marido enquanto múltiplos pretendentes ocupam o palácio de Ítaca, esperando conquistar a sua mão. Certa noite, enquanto o famoso bardo Fémio canta sobre o destino trágico do regresso a casa dos Aqueus, Penélope desce dos seus aposentos com as suas leais servas e suplica-lhe que pare de cantar, pois é demasiado doloroso ser lembrada da perda de Odisseu:

> Como anseio pelo meu marido — vivo na memória, sempre,
> Esse grande homem cuja fama ressoa pela Hélade
> Até às profundezas de Argos!
> (Homero, *Odisseia*, 1.395-398)

Telémaco tenta acalmar a mãe e envia-a de volta para os seus aposentos, onde ela chora pelo marido até que [Atena](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-488/atena/) a atrai para um sono profundo e reparador.

### Penélope e os Pretendentes Descontentes

No Livro 2 da *Odisseia*, antes de partir de Ítaca em busca de informações sobre o seu pai, Telémaco convoca uma assembleia dos Aqueus — a primeira sem a presença de Odisseu — e dirige-se aos seus compatriotas. Com indignação, lamenta a presença do elevado número de pretendentes que se instalaram no palácio, mataram o seu gado, banquetearam-se com a carne dos seus animais e beberam o seu vinho.

Antinoo, um dos pretendentes presentes, sentiu-se profundamente ofendido com o desabafo de Telémaco e culpou Penélope por ser astuta, dando aos homens falsas esperanças durante quase quatro anos. Penélope tinha prometido aos pretendentes que escolheria um novo marido apenas após terminar de tecer uma mortalha fúnebre para o seu sogro, Laertes. Os pretendentes acreditaram nela e esperaram durante três anos no palácio, enquanto ela trabalhava na peça nos salões reais. Quando Penélope continuou a trabalhar na mortalha pelo quarto ano, a paciência dos homens esgotou-se finalmente e uma das criadas de Penélope revelou o seu segredo.

Como sabemos, Penélope tinha concebido um plano inteligente para adiar a escolha de um pretendente o máximo de tempo possível: durante o dia, tecia a mortalha para Laertes, mas, à noite, desfazia o seu trabalho para começar tudo de novo na manhã seguinte. Assim que os pretendentes descobriram este estratagema, forçaram-na a completar a mortalha contra a sua vontade. Antinoo prossegue com a sua tirada: os pretendentes nunca tinham visto uma rainha tão intrigante como Penélope, dotada de uma mente brilhante e de mãos habilidosas, mas ela tinha ido longe demais com os seus truques. Enquanto ela continuasse a adiar o inevitável, os pretendentes permaneceriam no palácio. Antinoo implora a Telémaco que incentive Penélope a regressar à casa do seu pai, em Esparta, e a casar com quem o seu progenitor escolher para ela.

[ ![Penelope Stares at Her Shroud](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/21904.jpg?v=1782903658-1782978291) Penélope Contempla a Sua Mortalha Max Klinger (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21904/penelope-stares-at-her-shroud/ "Penelope Stares at Her Shroud")### O Desafio de Telémaco e a Profecia de [Zeus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-538/zeus/)

Telémaco argumenta que jamais expulsaria Penélope da sua própria casa e que, se os pretendentes tivessem um pingo de vergonha, teriam abandonado o palácio por iniciativa própria. Ele jura que Zeus punirá os pretendentes pela falta de respeito demonstrada. Para mostrar que ouviu a súplica de Telémaco, Zeus envia duas águias, que se envolvem numa luta violenta, deixando os presentes em estado de choque. Enquanto os homens discutem entre si sobre o significado do presságio, Telémaco silencia-os, declarando que procurará pelo pai durante mais um ano e que, se obtiver provas da sua morte, concederá a mão da mãe a outro homem. Antes de partir na sua missão, Telémaco assegura-se de que Penélope não saberá da sua viagem até terem decorrido doze dias.

### Atena Ouve a Súplica de Penélope

Com Telémaco empenhado na sua busca por Odisseu, Antinoo traça um plano sombrio para lhe preparar uma emboscada nos estreitos entre Ítaca e a rochosa Same, com o intuito de se livrar dele de uma vez por todas. Os pretendentes concordam entusiasticamente com o plano. Felizmente, o arauto Medonte ouve a conspiração e reporta o sucedido a Penélope, que fica compreensivelmente chocada e consternada. Ela questiona-se sobre o motivo da partida do filho e teme pelo destino que o aguarda.

[ ![Head of Penelope](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2683.jpg?v=1782466600-1782466839) Cabeça de Penélope Carole Raddato (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2683/head-of-penelope/ "Head of Penelope")Penélope desaba e chora as suas perdas: primeiro o seu amado marido e, agora, o seu filho. Enfurecida com o silêncio das suas criadas, questiona porque é que nenhuma delas a informou sobre a viagem de Telémaco. Implora que o seu sogro, Laertes, seja avisado para que possa conceber um plano para resgatar o rapaz. A sua velha criada, Euricleia, sente compaixão por Penélope e pede perdão por ter guardado tal segredo. Implora a Penélope que reze a Atena para manter Telémaco em segurança e assegura-lhe que os deuses não permitirão que outro herdeiro do Rei Arcésio pereça. Seguindo o seu conselho, Penélope reza a Atena:

> Ouve-me, filha de Zeus, cujo escudo é o trovão —
> incansável Atena! Se alguma vez, aqui nestes salões, o engenhosos Rei Odisseu
> queimou coxas ricas de ovelhas ou bois em tua honra,
> oh, lembra-te disso agora por mim, salva o meu querido filho,
> defende-o destes pretendentes ultrajantes e arrogantes!
> (*Odisseia*, 4.859-864)

À medida que Penélope recusa comida e bebida, demasiado preocupada para se focar em qualquer coisa que não o seu filho, Atena permite que o doce refúgio do sono a encontre e aparece a Penélope sob a forma fantasmagórica da sua irmã, Iftime, para a consolar e assegurar que nenhum mal sucederia a Telémaco, dado que ele nunca tinha ofendido os deuses. Agora em semi-sono e acreditando estar a falar com a irmã, Penélope expressa novamente a sua preocupação pelo marido e pelo filho. Atena, disfarçada de Iftime, diz a Penélope que a poderosa Atena a fez voar até ali para lhe dar a saber que está a vigiar Telémaco e que a sua escolta o manteria a salvo. Penélope pergunta sobre o destino de Odisseu e Atena responde que não lhe pode dizer se ele está vivo ou morto, pois seria errado dar-lhe falsas esperanças. Atena parte com uma brisa e Penélope acorda, sentindo finalmente a sua alma em paz.

### Penélope Confronta os Seus Pretendentes

No quinto dia da ausência de Telémaco, um arauto chega ao palácio real para informar Penélope de que o seu filho regressou a casa em segurança. Os pretendentes, nada satisfeitos com a notícia, reúnem-se no exterior do palácio para observar o navio de Telémaco a entrar no porto. Antinoo volta a incitar o descontentamento entre o grupo, afirmando que precisam de matar Telémaco para poderem roubar as suas terras e riquezas, dividindo-as entre si, enquanto Penélope e o seu novo marido continuariam a viver no palácio. Ele encoraja os pretendentes a lutarem pela mão de Penélope, cobrindo-a de presentes e exibindo a sua fortuna. Aquele que pudesse oferecer mais seria o escolhido pelos deuses para ser o seu marido.

Penélope sente-se, finalmente, inspirada a confrontar os pretendentes acerca do seu plano para matar Telémaco. Acompanhada pelas suas aias, entra no [grande salão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17052/grande-salao/) e direciona a maior parte da sua fúria contra Antinoo, criticando severamente o seu caráter e chamando-lhe louco. Lembra-lhe que o pai dele procurou outrora refúgio no palácio real de Ítaca, depois de se ter juntado a piratas tafianos que partiram para atacar os seus aliados. Eurímaco, outro pretendente proeminente, tenta acalmar Penélope, prometendo que nenhum homem vivo tocaria em Telémaco enquanto ele estivesse por perto. Acalmada por um momento, Penélope retira-se para os seus aposentos, chorando novamente por Odisseu até ser atraída, uma vez mais, para o sono por Atena.

[ ![Penelope with the Suitors](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21906.jpg?v=1782938020-1782978645) Penélope com os Pretendentes Pintoricchio (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/21906/penelope-with-the-suitors/ "Penelope with the Suitors")### Telémaco Regressa com um Odisseu Disfarçado

Telémaco regressa ao palácio real de Ítaca e reencontra Penélope, que lhe pergunta se foram feitas quaisquer descobertas sobre Odisseu. Um Telémaco emocionado confessa-lhe que acabara de escapar à morte e instrui Penélope a banhar-se, a rezar aos deuses e a prometer-lhes um sacrifício generoso se Zeus os vingar. Informa-a de que precisa de ir buscar um convidado que viajou com ele até Ítaca. Penélope desconhece que esse "convidado" é, na verdade, o seu muito amado marido Odisseu, que se disfarçou de mendigo.

Penélope janta com o filho e implora, uma vez mais, por notícias sobre Odisseu. Telémaco relata as suas viagens, revelando finalmente a Penélope aquilo por que ela esperou durante anos: Odisseu foi visto numa ilha onde é mantido prisioneiro pela ninfa Calipso e não tem forma de regressar a casa. O vidente Teoclímeno, ouvindo a conversa, jura que Odisseu se encontra em solo de Ítaca naquele preciso momento e que está, atualmente, a tramar a ruína dos pretendentes de Penélope. Penélope promete-lhe afeição e presentes se a sua visão se tornar realidade.

[ ![Mapa da Viagem de Uma Década de Odisseu para Casa](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15906-pt.png?v=1764944566-1765479602) Mapa da Viagem de Uma Década de Odisseu para Casa Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-15906/mapa-da-viagem-de-uma-decada-de-odisseu-para-casa/ "Mapa da Viagem de Uma Década de Odisseu para Casa")Odisseu, disfarçado de mendigo, entra no palácio real para pedir comida. Embora alguns dos pretendentes sintam compaixão por ele, Antinoo não tem tal sentimento no coração, insultando-o e atingindo-o nas costas com um escabelo. Penélope toma conhecimento do comportamento de Antinoo e reza para que [Apolo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-946/apolo/) atinja Antinoo tal como ele tinha atingido o mendigo. Penélope diz à sua governanta, Eurínome, que todos os pretendentes são detestáveis, mas que Antinoo é o pior, com o seu coração negro. Ela instrui o porqueiro Eumeu a trazer o mendigo até si, desejando dar-lhe uma receção calorosa e ver se ele tem notícias sobre o seu marido. Se ela sentir que as respostas dele são verdadeiras, dar-lhe-á roupas limpas para vestir. O disfarçado Odisseu aceita encontrar-se com Penélope, mas apenas ao pôr do sol, para que possam conversar em privado.

### Os Pretendentes Presenteiam Penélope

Penélope planeia encontrar-se com os seus pretendentes e com o seu filho antes de se reunir com o mendigo. Atena fez com que Penélope adormecesse e prodigalizou-lhe dons imortais; tornou-a mais alta e de formas mais preenchidas, e limpou-lhe o rosto. Penélope acordou sentindo-se revigorada e jurou deixar de desperdiçar a sua vida. Quando Penélope aparece diante dos seus pretendentes, os queixos deles caem e as suas mentes enlouquecem de luxúria. Penélope repreende Telémaco por ter permitido que o mendigo fosse tratado tão mal, e Telémaco diz que ele também se sente mal e que é levado à loucura pelos pretendentes e pelos seus planos malignos.

O pretendente Eurímaco aproxima-se de Penélope e elogia a sua beleza, afirmando que ela supera todas as outras mulheres. Penélope responde que os deuses destruíram a sua beleza no dia em que Odisseu navegou para [Troia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-372/troia/). Ela critica os seus pretendentes, dizendo que os pretendentes de outrora traziam presentes para a mulher que cortejavam, bem como a sua própria comida e mantimentos, mas que os seus pretendentes atuais tomam a comida de Ítaca e consomem as suas provisões. Odisseu ouve isto e brilha de orgulho ao ver como Penélope coloca os pretendentes no seu devido lugar. Antinoo encoraja Penélope a aceitar os seus presentes e diz que eles não regressarão a casa até que ela se case com um deles.

Um a um, os pretendentes trazem presentes caros e luxuosos para Penélope: um manto resplandecente, um colar de âmbar, brincos e uma gargantilha, entre outros. Penélope retira-se com as suas aias, que carregam a abundância de presentes nos braços.

### Penélope Encontra-se com o Mendigo

Penélope senta-se na sua cadeira favorita junto ao fogo. Ao ouvir uma das suas criadas atacar o disfarçado Odisseu, ela ameaça a aia e instrui o mendigo a sentar-se numa cadeira. Pergunta-lhe de onde ele é, diz-lhe que anseia pelo seu marido e que não dá atenção aos seus pretendentes. Ela confidencia-lhe o seu estratagema com a tecelagem e como os pretendentes a descobriram ao fim de três anos. O mendigo conta a Penélope como conheceu Odisseu no caminho para Troia, dizendo a verdade sobre a sua jornada, mesmo enquanto mente sobre quem é. Penélope chora ao ouvir isto e faz ao mendigo mais perguntas sobre o seu marido. Ele assegura a Penélope que Odisseu está vivo e que regressará a Ítaca. Por muito que Penélope queira acreditar nele, ela sabe no seu coração que ele nunca mais voltará.

[ ![Odysseus Transformed by Athena into Beggar](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21907.jpg?v=1782914987-1782978815) Odisseu Transformado em Mendigo por Atena Giuseppe Bottani (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21907/odysseus-transformed-by-athena-into-beggar/ "Odysseus Transformed by Athena into Beggar")Na manhã seguinte, Penélope e o disfarçado Odisseu voltam a encontrar-se, e Penélope pede-lhe que interprete um sonho que teve. Assim que ouve o conteúdo do sonho, o mendigo responde, conhecedor do seu significado, que este era um sinal de que Odisseu iria resgatar Penélope dos seus pretendentes.

### Penélope Testa os Pretendentes

Inspirada por Atena, Penélope impõe um teste aos seus pretendentes para ver qual deles conseguiria armar o arco de Odisseu e disparar uma flecha através de doze machados. Ela vai buscar o valioso e poderoso arco ao seu cofre secreto, deixando-se chorar perante ele. Ao aparecer diante dos pretendentes, explica-lhes o desafio, prometendo casar com o homem que acertar através dos doze machados.

Um a um, os pretendentes tentam o desafio, mas todos falham. Odisseu, disfarçado de mendigo, decide tentar a sua sorte, perante o desprezo dos outros homens. Penélope promete que, se ele tiver sucesso no teste, o vestirá com roupas finas, lhe dará uma espada e o enviará no seu caminho. Telémaco, ciente do derramamento de sangue que estava prestes a ocorrer, envia Penélope para os seus aposentos antes de Odisseu e ele darem início ao assassinato dos pretendentes.

[ ![Helen Recognising Telemachus, Son of Odysseus](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/21908.jpg?v=1782934475-1782979155) Helena a Reconhecer Telémaco, Filho de Odisseu Jean-Jacques Lagrenée (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21908/helen-recognising-telemachus-son-of-odysseus/ "Helen Recognising Telemachus, Son of Odysseus")### Penélope Reencontra-se com Odisseu

Penélope é acordada pela sua velha ama, que lhe conta que Odisseu finalmente regressou a casa e que matou os pretendentes. Naturalmente, Penélope teme pela sanidade da velha ama, apesar da insistência desta em afirmar que diz a verdade. Penélope faz muitas perguntas, querendo acreditar, mas não estando ainda totalmente preparada. Decide descer as escadas para verificar por si própria. Telémaco pergunta-lhe porque não fala com o pai, ao que Penélope responde que se sente impotente e que não consegue olhar para ele nos olhos, mas que, se for verdadeiramente Odisseu, ela saberia, pois possuem sinais secretos que só eles conhecem.

Odisseu banha-se e Atena prodigaliza-lhe esplendor, pelo que ele emerge do banho com o aspeto de um [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/). Odisseu acusa Penélope de ter o coração frio, ao que ela responde que não se deixará enganar apenas porque ele parece diferente após o banho e se assemelha ao aspeto que o seu marido tinha quando partiu para Troia, há tantos anos.

Ela instrui a sua criada, Euricleia, para mover a cama dela e de Odisseu para fora do seu quarto nupcial. Odisseu enfurece-se com esta ordem e pergunta como poderia alguém mover a cama que ele próprio construiu, uma vez que a entalhou num oliveira. Penélope percebe finalmente que aquele homem é o seu marido e corre para o abraçar, ambos em lágrimas. Odisseu diz-lhe que há mais uma prova que terá de enfrentar: uma viagem em honra do deus do mar, Posídon. Penélope responde que, esperançosamente, isso significa que ela e Odisseu viverão vidas felizes após este episódio. Retiram-se para a sua cama, onde Odisseu lhe conta todas as suas aventuras. Penélope não fecha os olhos enquanto não ouve tudo o que ele tem para dizer.

[ ![Ulysses, Penelope and Euryclea](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/21909.jpg?v=1782936767-1782979437) Ulisses, Penélope e Euricleia John Flaxman (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21909/ulysses-penelope-and-euryclea/ "Ulysses, Penelope and Euryclea")### As Perspetivas Divergentes sobre Penélope

Algumas fontes, como o poeta lírico Píndaro (cerca de 518 a.C.) e o historiador grego Hecateu de Mileto (cerca de 550 a 476 a.C.), mencionam Penélope como sendo a mãe de Pã, fruto de uma união com [Hermes](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11103/hermes/), Apolo ou Mercúrio. Por outro lado, o historiador Duris de [Samos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-401/samos/) (cerca de 350 a.C.) escreveu que o nascimento de Pã foi o resultado de Penélope ter dormido com todos os seus pretendentes. Estas versões desafiaram o retrato da esposa fiel e casta encontrado na *Odisseia* de Homero e foram também repetidas pelo escritor de viagens Pausânias (cerca de 110 a 180 d.C.), que alegou que os mantineanos, no Peloponeso, contavam uma história muito diferente da descrita na *Odisseia*: que Odisseu regressou a casa, descobriu a infidelidade de Penélope e expulsou-a de Ítaca. Contudo, muitos autores refutam esta narrativa, apresentando Penélope como uma vítima de sedução — seja pelos seus pretendentes ou por Hermes — em vez de uma adúltera.

Atualmente, acredita-se amplamente que a Penélope identificada como mãe de Pã era, na verdade, uma ninfa que, devido ao seu nome, foi erroneamente confundida ao longo da história com a célebre mulher de Odisseu.

### O Legado de Penélope

Ao longo da história, Penélope tem sido admirada e respeitada pela sua lealdade a Odisseu. Com o passar do tempo, transcendeu o papel de mera esposa e transformou-se numa heroína por direito próprio. Os etruscos representaram-na na sua arte. O poeta romano [Ovídio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-561/ovidio/) (cerca de 43 a.C. a 17 d.C.) via-a como um símbolo de amor e fidelidade, e as mulheres da [Roma antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-68/roma-antiga/) aspiravam à sua sabedoria e lealdade. O seu nome chegou até a ser mencionado no Antigo Egito.

[ ![Ulysses and Penelope, Hit Comics 43](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21910.jpg?v=1782937644-1782979555) Ulisses e Penélope, Hit Comics 43 Pete Riss (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21910/ulysses-and-penelope-hit-comics-43/ "Ulysses and Penelope, Hit Comics 43")O fascínio por Penélope continua nos dias de hoje, estando presente em contos, romances e poemas, incluindo o livro de 2005 de Margaret Atwood, A Penélope, no qual a protagonista recorda a sua vida a partir do [Hades](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-418/hades/) no século XXI. Os autores e académicos modernos tendem a escrever sobre Penélope como uma mulher poderosa por direito próprio, celebrando o seu papel fundamental na Odisseia.

Os poemas épicos de Homero continuam a inspirar e a ser celebrados atualmente, com o muito aguardado filme *The Odyssey*, do realizador Christopher Nolan, com estreia prevista para este mês de julho de 2026 e um elenco de topo. Penélope será interpretada pela atriz americana Anne Hathaway.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Apollodorus & Hard, Robin. *The Library of Greek Mythology.* Oxford University Press, 2008.](https://www.worldhistory.org/books/0199536325/)
- [Dell’Abate-Çelebi, Barbara. *Penelope's Daughters.* Zea Books, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/1609620836/)
- [Graves, Robert. *The Greek Myths\[May 15, 2018\] Graves, Robert.* Viking, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/0241982359/)
- [Homer & Robert Fagles & Bernard Knox. *The Odyssey.* Penguin Classics, 1997.](https://www.worldhistory.org/books/0140268863/)
- [Katz, Marylin A. *Penelope's Renown.* Princeton University Press, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/069163596X/)
- [Woodard, Roger D. *The Cambridge Companion to Greek Mythology.* Cambridge University Press, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/0521845203/)

## Sobre o Autor

Liana é editora de mídia social da Enciclopédia de História Antiga. Ela é bacharel em artes com especialização em Grécia Antiga, Roma e Antiguidade Tardia. Ela é particularmente apaixonada por Roma e Grécia, e por qualquer coisa relacionada à mitologia ou às mulheres.
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## Histórico

- **c. 800 BCE - c. 700 BCE**: [Homer](https://www.worldhistory.org/homer/) of [Greece](https://www.worldhistory.org/greece/) writes his *[Iliad](https://www.worldhistory.org/iliad/)* and *[Odyssey](https://www.worldhistory.org/Odyssey/)*.

## Cite Este Artigo

### APA
Miate, L. (2026, July 02). Penélope: A Esposa Fiel de Odisseu. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12843/penelope/>
### Chicago
Miate, Liana. "Penélope: A Esposa Fiel de Odisseu." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 02, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12843/penelope/>.
### MLA
Miate, Liana. "Penélope: A Esposa Fiel de Odisseu." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 02 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12843/penelope/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 02 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

