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title: Coricancha
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12513/coricancha/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-02-26
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# Coricancha

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O complexo religioso de Coricancha (ou Qorikancha), situado em Cusco, a capital imperial, albergava o prestigiado Templo do Sol. Mais do que o local mais sagrado ou a principal *huaca* da cosmologia inca, este complexo era venerado como o verdadeiro centro do mundo. Conhecido como o Recinto Dourado, o espaço era consagrado às divindades supremas do [panteão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11201/panteao/) inca, nomeadamente: Viracocha: o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) criador; Quilla: a deusa da Lua; e, especialmente, [Inti](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12505/inti/): o deus do Sol. Hoje, restam pouco mais do que alguns vestígios das suas magníficas muralhas de pedra, cuja mestria permite vislumbrar a escala monumental do recinto. Subsistem, porém, as narrativas lendárias que evocam a profusão de ouro outrora usada na ornamentação dos seus templos e do seu mítico jardim dourado.

### **Disposição e Arquitetura**

A edificação do complexo é comummente atribuída a Pachacuti Inca Yupanqui, o nono soberano inca (1438-1471), que impulsionou igualmente um vasto programa de reconstrução da capital. Todavia, e apesar das diversas escavações realizadas, desconhece-se a cronologia exata do local. Na [mitologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-427/mitologia/) inca, o primeiro líder, Manco Capac (Manqo Qhapaq), terá erguido um templo naquele local logo no início do século XII; de facto, as evidências arqueológicas confirmam a existência de estruturas anteriores à formação do [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/).

A disposição do complexo, quando observada de uma perspectiva aérea, assemelhava-se a um sol radiante, cujos raios emanavam em todas as direções. Estes raios eram as linhas sagradas — os *ceques* (*zeq'e*) —, autênticas vias físicas e rotas cósmicas que, num total de 41, estabeleciam a ligação a impressionantes 328 locais sagrados. A própria cidade de Cusco foi deliberadamente projectada para personificar a figura de um jaguar, encontrando-se o Coricancha estrategicamente situado na cauda do felino. Seguindo a típica simetria inca, o segundo local sagrado mais importante da capital — Sacsahuaman — coroava a cabeça da figura. O Coricancha foi edificado precisamente na confluência dos dois grandes rios da cidade, o Huatanay e o Tullamayo.

Construídas com a habilidade em alvenaria pela qual os incas se tornaram famosos, as enormes paredes do complexo foram construídas com grandes blocos de pedra finamente cortados e encaixados sem argamassa. A grande parede curva a oeste era particularmente notável pela sua forma e alvenaria elegante e regular. A maioria das paredes também se inclinava ligeiramente para dentro à medida que aumentavam de altura, uma característica típica da arquitetura inca. Muitas portas e janelas trapezoidais permitiam o acesso e a entrada de luz nos espaços interiores, e foi adicionada uma larga faixa dourada a meia altura em redor das paredes. Os edifícios interiores tinham somente um andar e os telhados eram de palha. As portas também eram revestidas com folhas de ouro, assim como o interior e o exterior dos vários templos, e dizia-se que o lado interno da parede do perímetro era cravejado de esmeraldas.

### **Templo do Sol**

O templo mais importante do recinto era o Templo do Sol, dedicado ao deus sol Inti. As paredes internas e externas do templo, situado no canto norte do complexo, eram cobertas com ouro — considerado o suor do sol — que era martelado em placas. Supostamente, havia 700 placas de meio metro quadrado, cada uma com o peso de 2 kg.

No interior do templo, para além dos artefactos de ouro essenciais ao culto divino, repousava uma estátua de ouro maciço de Inti, profusamente incrustada com pedras preciosas. A efígie representava a divindade sob a forma de uma criança sentada, conhecida como Punchao (o Sol do Dia ou do Meio-dia). Da sua cabeça e dos ombros brilhavam os raios do sol, usava uma faixa real na cabeça e tinha cobras e leões a sair do corpo. A cavidade abdominal da estátua era oca, servindo de relicário para as cinzas dos órgãos vitais dos anteriores soberanos incas. Num ritual quotidiano, a efígie era transportada para o exterior, de modo a receber a luz direta do dia, sendo recolhida ao santuário ao cair da noite. Outra representação primordial da divindade — uma máscara colossal de cujas têmporas emanavam raios em zigue-zague — encontrava-se suspensa numa câmara do templo que lhe era exclusivamente consagrada.

[ ![Inca Gold Sun Mask](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2356.jpg?v=1777136412) Máscara Solar de Ouro Inca Andrew Howe (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2356/inca-gold-sun-mask/ "Inca Gold Sun Mask")O jardim do templo era uma homenagem maravilhosamente concebida a Inti. Assim como as terras — às vezes até regiões inteiras — eram dedicadas ao deus, também este jardim foi construído em homenagem ao grande deus do sol Inti. Tudo nele era feito de ouro e prata. Um grande campo de milho e modelos em tamanho real de pastores, lamas, jaguares, porquinhos-da-índia, macacos, pássaros e até borboletas e insetos foram todos trabalhados em metais preciosos. E como se isso não bastasse para agradar a Inti, havia também um grande número de jarros de ouro e prata incrustados com pedras preciosas. Tudo o que resta destas maravilhas são alguns pés de milho dourados, um testemunho convincente, embora silencioso, dos tesouros perdidos de Coricancha.

### **Outros Templos**

Cinco outros templos ou *wasi* foram colocados em redor do pátio principal da praça de Coricancha. Em ordem hierárquica, um templo era dedicado ao deus criador Viracocha (mais ou menos equivalente a Inti), um à deusa da lua Quilla, um a [Vênus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-462/venus/) ou Chaska-Qoylor, um ao deus do trovão Illapa e, finalmente, um ao deus do arco-íris Cuichu. Assim como o templo de Inti era coberto de ouro, o templo de Quilla era coberto de prata, um metal considerado como as lágrimas da lua. Cada *wasi* albergava uma efígie de culto da respetiva divindade, bem como objetos religiosos e obras de arte de grande valor que lhe estavam associados.

Havia também um espaço dedicado aos restos mumificados dos antigos imperadores incas e suas consortes, conhecidos como *mallquis*. Estas figuras eram retiradas dos seus locais de repouso durante cerimónias especiais, tais como as celebrações dos solstícios. Eram apresentadas oferendas a estas múmias, trajadas com vestes de luxo, enquanto se proclamavam as grandes conquistas alcançadas durante os seus reinados, para que todos as pudessem honrar. O complexo dispunha igualmente de aposentos destinados aos sacerdotes e às sacerdotisas, enquanto outras dependências serviam de repositórios para tesouros artísticos e religiosos, repletos de artefactos confiscados aos povos submetidos. É provável que este espólio fosse ali mantido como um penhor de obediência ao domínio inca — uma estratégia de controlo análoga à dos próprios soberanos vencidos, que eram, por vezes, mantidos como reféns em Cusco durante períodos específicos do ano. Outra característica interessante do local era um canal subterrâneo pelo qual a água sagrada fluía para as praças em redor, fora do complexo.

[ ![Coricancha Curved Wall](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/3467.jpg?v=1703422449) Muro Curvo do Coricancha Richard Twigg (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/3467/coricancha-curved-wall/ "Coricancha Curved Wall")Outras funções importantes do Coricancha incluíam a realização de observações astronómicas, especialmente da Via Láctea (*Mayu*). Havia, por exemplo, um par de torres que marcavam o solstício de verão e as observações eram feitas a partir da pedra sagrada *ushnu* contra marcos artificiais e naturais no horizonte para acompanhar o sol. As vítimas sacrificiais (*capacochas*) eram igualmente preparadas para o seu momento supremo no pátio do recinto, partindo depois em procissão ao longo das linhas de *ceque* para serem sacrificadas nas diversas províncias, em honra de Inti e da sua encarnação viva, o imperador Inca.

### **História Posterior**

O portal de entrada do complexo, sóbrio, subsiste até aos nossos dias, preservando a sua típica ombreira dupla, bem como, se conservam diversos secções das muralhas exteriores, e algumas das paredes interiores originais. O Convento de Santo Domingo foi erguido sobre o complexo, num acto deliberado que visava simbolizar a supremacia de uma nova fé sobre a religião ancestral. A maior parte do ouro que adornava o recinto foi fundida em lingotes e enviada para a Coroa Espanhola. A peça principal, a estátua dourada de Inti, ffoi transferida para um local seguro aquando da chegada dos espanhóis. Contudo, tudo indica que os conquistadores a terão localizado trinta anos mais tarde, em 1572. Após essa data, o seu rasto perdeu-se definitivamente; terá sido, muito provavelmente, fundida, como inúmeros outros artefactos incas.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- D'Altroy, T.N. *The Incas.* Blackwell, London, 2012
- Howard, C. *Pizarro & the Conquest of Peru.* Cassel, London, 1968
- [Jones, D.M. *Mythology of the Incas.* Southwater, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/1844763382/)
- [Jones, D.M. *The Complete Illustrated History of the Inca Empire.* Lorenz Books, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/075482358X/)
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- [Stone, R.R. *Art of the Andes.* Thames & Hudson, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0500204152/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **c. 1100 CE**: The [Inca](https://www.worldhistory.org/Inca_Civilization/), led by Manco Capac, migrate to the [Cuzco](https://www.worldhistory.org/Cuzco/) Valley and establish their capital at Cuzco.
- **c. 1425 CE - 1532 CE**: The [Inca](https://www.worldhistory.org/Inca_Civilization/) [Empire](https://www.worldhistory.org/empire/) flourishes in South America.
- **1438 CE**: Pachacunti [Inca](https://www.worldhistory.org/Inca_Civilization/) Yupanqui begins a rebuilding programme in the Inca capital of [Cuzco](https://www.worldhistory.org/Cuzco/).
- **15 Nov 1533 CE**: [Francisco Pizarro](https://www.worldhistory.org/Francisco_Pizarro/) takes the [Inca](https://www.worldhistory.org/Inca_Civilization/) capital of [Cuzco](https://www.worldhistory.org/Cuzco/).

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, February 26). Coricancha. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12513/coricancha/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Coricancha." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, February 26, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12513/coricancha/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Coricancha." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 26 Feb 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12513/coricancha/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 26 February 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

