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title: Cauravas
author: Nikul Joshi
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12121/cauravas/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-04-30
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# Cauravas

_Escrito por [Nikul Joshi](https://www.worldhistory.org/user/nikul_joshi/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Os Cauravas são os cem filhos dos reis de Hastinapur, Dhritarashtra e Gandhari, que desempenharam um papel fundamental no lendário épico indiano, o *[Mahabharata](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12122/mahabharata/)*. Presume-se que Hastinapur corresponda ao atual estado de Haryana e que Gandhar, de onde Gandhari era originária, seja a atual cidade de Kandahar, no Afeganistão. No *Mahabharata*, as ações e o comportamento dos Cauravas e dos seus rivais, os [Pandavas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12120/pandavas/), alteraram o curso da história após a Guerra de Kurukshetra. A cronologia tradicional dos Cauravas é semelhante à dos Pandavas, situando-se entre 3229 a.C. e cerca de 3138 a.C. A história de vida dos Cauravas é de grande importância na Índia e no [Hinduísmo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10215/hinduismo/), uma vez que a sua conduta dá origem, frequentemente, a inúmeras interpretações sobre a entrega a comportamentos antiéticos e imorais e as respetivas consequências.

O nome 'Caurava' provém da linhagem do antepassado de Dhritarashtra, Kuru, um rei dinâmico e governante da Terra em todos os seus confins; por isso, os herdeiros da linhagem Kuru são designados por Cauravas, o que, por exemplo, também inclui os cinco Pandavas e o sexto Pandava, Karna, descoberto mais tarde. Dado que Pandu não pôde continuar a ser o rei de Hastinapur devido a uma maldição, o seu primo-irmão, Dhritarashtra, foi nomeado rei. Os cinco filhos de Pandu escolheram ser chamados de Pandavas e não de Cauravas. Dhritarashtra era cego de nascença, enquanto Gandhari, sendo uma mulher de convicções fortes e desejando partilhar o fardo da cegueira do marido, cobriu os olhos ao calar uma venda de seda quando se casou com ele, a qual apenas retiraria no momento da sua morte. Além dos cem Cauravas, Dhritarashtra e Gandhari foram também abençoados com uma filha, chamada Dussala.

### **O Nascimento dos Cauravas**

O célebre *rishi* (sábio) Dwaipayana, de tez escura e mérito incomparável, passou certa vez por Hastinapur. Gandhari cuidou do seu conforto e das suas necessidades, o que impressionou Dwaipayana, levando-o a oferecer-lhe uma bênção. As bênçãos concedidas por rishis de mérito divino nunca falham em concretizar-se. Ele abençoou Gandhari com a promessa de que seria agraciada com cem filhos, iguais ao seu senhor em poder e em feitos. Surpreendentemente, por essa mesma altura, Kunti, a esposa de Pandu, também estava grávida e deu à luz o seu primeiro filho, Yudhistira, antes de Gandhari o conseguir fazer. Para triste surpresa de todos, a gravidez de Gandhari prolongou-se por dois anos sem qualquer sinal de parto. Ao saber do nascimento dos cinco filhos de Kunti, de aparência divina, Gandhari ficou furiosa com a sua condição e golpeou o próprio ventre com força. Pouco depois, deu à luz, não um filho, mas uma massa rígida que horrorizou todos os presentes.

A urgência em dar à luz filhos residia no facto de que, entre Kunti e Gandhari, aquela que primeiro os gerasse seria, provavelmente, favorecida no plano de sucessão ao trono de Hastinapur. Gandhari dirigiu-se a Dwaipayana e queixou-se daquela massa de matéria, duvidando da bênção do *rishi*, ao que este afirmou nunca ter proferido uma mentira, nem mesmo em tom de brincadeira. De seguida, ordenou a Gandhari que cortasse a massa em 100 pedaços, que os colocasse em 100 potes distintos, cheios de manteiga clarificada (*ghee*), e que aguardasse. A pedido de Gandhari, que desejava uma filha, os pedaços foram cortados em 101. A bênção finalmente frutificou e nasceu o primeiro Caurava, Duryodhana, seguido pelos seus 99 irmãos — de entre os quais Dushasana se tornou o seu favorito — e pela filha Dussala. O nome Duryodhana significa "inconquistável"; aquando do seu nascimento, vários animais uivaram, o que foi interpretado como um mau augúrio por Vidura. Este aconselhou Dhritarashtra a abandonar a criança, mas o rei não o fez. Esta decisão viria a moldar o futuro de todos.

[ ![Gandhari & Dhritarashtra](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/5529.jpg?v=1720374543) Gandhari e Dhritarashtra Dhanu (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/5529/gandhari--dhritarashtra/ "Gandhari & Dhritarashtra")### **O Desenvolvimento dos Cauravas**

Os cem Cauravas foram criados com um amor e um cuidado desmedidos, especialmente por parte de Dhritarashtra, mas desde a infância desenvolveram uma aversão pelos Pandavas, particularmente no que dizia respeito ao trono de Hastinapur. Todos receberam o treino de artes bélicas do Guru Drona, que também ensinou os Pandavas. Duryodhana teve a sorte de aprender o combate com maça de Balarama, o irmão mais velho do Senhor Krishna, que também instruiu Bhima na mesma arte. Ambos se tornaram os melhores alunos de Balarama. Duryodhana era excessivamente ambicioso e ganancioso, e o seu tio materno Shakuni, irmão de Gandhari, alimentava constantemente o seu orgulho narcisista. Shakuni jurara converter o seu sobrinho Duryodhana no rei de Hastinapur, devido ao ódio que nutria por Bhishma, resultante de um conflito anterior entre os dois reinos. Shakuni pretendia alcançar este objetivo enganando os Pandavas, que eram os favoritos de todos, incluindo de Bhishma, o filho de Ganga (a personificação do Rio Ganges nos Himalaias). Bhishma era o tio-avô dos Pandavas e dos Cauravas e favorecia os Pandavas (especificamente Yudhistira) para governar devido ao seu mérito, competências, conhecimento e conduta justa — qualidades essenciais para um rei — ao passo que os Cauravas (especificamente Duryodhana), tendo sido falsamente orientados desde a infância por Shakuni, foram desqualificados como indignos de governar Hastinapur.

### **A Rivalidade com os Pandavas**

Esta rivalidade com os Pandavas era intrínseca aos Cauravas, mas os Pandavas mantinham-se cordiais e Yudhistira, sendo o mais justo de todos, oferecia-se sempre para resolver o conflito através do diálogo, aceitando inclusive receber menos, caso viesse a ocorrer uma partilha. Posto isto, os Cauravas eram notórios por nutrirem o desejo de matar os Pandavas. Através da sua conduta injusta mas astuta, e com a ajuda de Shakuni, conseguiram enviar os Pandavas para o exílio durante 13 anos.

[ ![Pandavas](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/5424.jpg?v=1766031978) Pandavas Bob King (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/5424/pandavas/ "Pandavas")Os Pandavas foram enviados para um palácio novo para realizarem um ritual de sacrifício. Duryodhana, agindo com segundas intenções, mandou construir o edifício em laca, um material altamente inflamável, com o objetivo de queimar os primos e a tia Kunti durante o sono. O plano falhou, pois os Pandavas, sendo habilidosos e corajosos, encontraram um caminho sob a terra e, com a sua força e poder, escaparam através de um túnel. No entanto, decidiram permanecer anónimos perante o mundo, deixando que a notícia da sua suposta morte no incêndio permanecesse incontestada.

Duryodhana acabou por descobrir que os Pandavas estavam vivos durante a competição de [tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/) com arco organizada por Drupada para encontrar um pretendente adequado para a sua filha, Draupadi. Arjuna venceu a competição, uma vez que era o único capaz de completar a tarefa, à exceção do seu amigo Karna. Mais tarde, decidiu-se que os Pandavas ficariam com uma terra estéril, frequentemente considerada amaldiçoada, para estabelecerem o seu novo reino e resolverem a disputa pelo trono. Os Pandavas acabaram por construir um palácio magnífico, ainda mais grandioso que o de Hastinapur, com a ajuda dos deuses Vishwakarma e Indra, ao qual deram o nome de Indraprastha. Presume-se que Indraprastha estivesse localizada onde se situa atualmente a cidade de Nova Deli. Duryodhana não conseguia tolerar a prosperidade incessante dos Pandavas. Tal era a fama destes que os cidadãos comuns de Hastinapur desejavam mudar-se para Indraprastha. Duryodhana foi insultado durante a cerimónia de coroação de Yudhistira em Indraprastha, pelo que jurou vingar-se dos Pandavas, especialmente de Draupadi, que se riu quando Duryodhana caiu acidentalmente num tanque que, no palácio mágico, estava disfarçado de chão firme.

[ ![Draupadi Humiliated, Mahabharata](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5520.jpg?v=1746262204) Draupadi Humilhado, Mahabharata Basholi School (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/5520/draupadi-humiliated-mahabharata/ "Draupadi Humiliated, Mahabharata")Duryodhana convidou os Pandavas para um jogo de dados e, com a ajuda de Shakuni, conseguiu ganhar tudo o que estes possuíam. Yudhistira, após ter vendido a si próprio e aos seus quatro irmãos, permitiu que Draupadi fosse oferecida no jogo e, assim, perdeu-a também. Dushasana começou a despir Draupadi, uma vez que ela era agora uma serva de Duryodhana, em pleno tribunal repleto de reis justos e injustos. Apesar dos pedidos de Bhishma e de outros, Dhritarashtra não ordenou a Duryodhana que parasse aquele espetáculo, principalmente devido à sua ignorância e ao amor excessivo pelos seus filhos. O Senhor Krishna salvou magicamente Draupadi ao tornar o seu sari infindável; Dushasana acabou por desmaiar, pois o comprimento do tecido tornou-se infinito. Nesse preciso momento, os Pandavas foram condenados ao exílio por 12 anos, com um ano adicional de exílio oculto; este continuaria por mais 13 anos caso qualquer um dos Pandavas ou Draupadi fosse identificado durante esse último ano. Esta imposição de um exílio ardiloso foi planeada por Duryodhana e Shakuni para manter os Pandavas num ciclo interminável de desterro.

Quando o exílio foi anunciado, Bhima, o segundo Pandava, num êxtase de ira feroz, jurou matar todos os cem filhos de Dhritarashtra, beber o sangue do peito de Dushasana após o derrotar e lavar o cabelo solto de Draupadi com esse mesmo sangue. Os Cauravas ficaram amedrontados com este voto, pois conheciam a força de Bhima, que era reconhecidamente inigualável para os Cauravas, à exceção de Duryodhana. Vikarna, o terceiro Caurava — o único que seguia a retidão —, questionou o ato de despir Draupadi e alertou para a ruína da linhagem Kuru caso não fossem capazes de proteger a sua própria cunhada.

### **A Guerra de Kurukshetra**

Duryodhana, com todos os seus exércitos e alcance, não conseguiu descobrir os Pandavas no seu décimo terceiro ano de exílio, uma vez que estes viveram com identidades ocultas no reino de Virata. O exílio terminou com o início da grande Guerra de Kurukshetra, que moldou a história. Duryodhana avançou para a guerra com uma confiança inabalável apenas pelo facto de Bhishma, Karna e o Guru Drona estarem do seu lado no conflito, principalmente devido às regras do reino que a isso os obrigavam, pois eram homens justos e seguidores do *Dharma*.

[ ![Karna in the Kurukshetra War](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/5519.jpg?v=1766031975) Karna na Guerra Kurukshetra Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/5519/karna-in-the-kurukshetra-war/ "Karna in the Kurukshetra War")Bhima foi feroz na aniquilação dos Cauravas, matando 98 deles com facilidade, restando apenas Dushasana e Duryodhana. Dushasana foi morto conforme o juramento de Bhima, que acabou por beber uma pequena quantidade de sangue do seu peito — uma cena que desmoralizou Duryodhana e Shakuni, embora o primeiro tenha reafirmado rapidamente a sua posição na guerra. Vikarna foi o único Caurava por cuja morte Bhima se lamentou e chorou, uma vez que era um guerreiro justo que lutara por Duryodhana apenas para cumprir o seu dever. Duryodhana estava pleno de um orgulho desmedido e de uma confiança exacerbada em todos os seus atos injustos, pois o seu único objetivo era matar os Pandavas por qualquer meio e arrebatar o trono de Hastinapur. Caso ele se tivesse tornado rei, a linhagem seria repleta de monarcas imorais e antiéticos, e as consequências teriam sido devastadoras. O Senhor Krishna, pressentindo isto, conseguiu ajudar os Pandavas a vencer a guerra. Quando apenas Duryodhana restava como guerreiro, a sua mãe, Gandhari, pediu-lhe que se apresentasse nu perante ela; ela abriria a sua venda de seda pela primeira vez em décadas para proteger Duryodhana, enviando energia divina através do seu olhar e tornando-o invencível e inexpugnável. O Senhor Krishna, sendo ainda mais astucioso, envergonhou Duryodhana quando este caminhava nu, após banhar-se no mar, para ver a sua mãe, o que levou Duryodhana a calar uma túnica de folhas largas em volta da cintura. Gandhari abriu os olhos e enviou toda a sua energia divina, sem saber que Duryodhana trajava uma peça de roupa, deixando essa porção do corpo desprovida do poder da invencibilidade.

O combate entre Duryodhana e Bhima, ambos exímios lutadores de maça, foi direto e agressivo, tendo ambos demonstrado todas as suas competências bélicas. Duryodhana parecia imbatível e Bhima estava a perder. Krishna fez então um sinal a Bhima para que o atingisse na cintura, onde ele era fraco; embora golpear abaixo da cintura fosse uma violação das regras de guerra, como o objetivo era pôr fim à anarquia de Duryodhana e da sua linhagem, tornou-se necessário matá-lo contornando as normas. Duryodhana foi morto e os Pandavas governaram Hastinapur durante 35 anos, antes de renunciarem a tudo para regressarem aos bosques e retirarem-se.

Uma vez que Kuru, o antepassado do reino de Hastinapur, detinha a bênção de que qualquer um dos seus herdeiros que morresse nas suas terras alcançaria sempre o céu, independentemente dos seus atos, os Cauravas, após a sua morte, estabeleceram-se no céu junto dos seus antepassados.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Doyle, C.C. *The Mahabharata Secret.* Om Books International, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/9383202319/)
- [Iyengar, A. *The Thirteenth Day.* Rupa Publications, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/8129134756/)
- [Pattanaik, D. *Jaya.* Penguin Global, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/014310425X/)
- [Raghunathan, V. *Duryodhana.* HarperCollinsIndia, 2014.](https://www.worldhistory.org/books/9351363309/)

## Sobre o Autor

Sou um corretor de imóveis em Mumbai, na Índia. Leitor ávido de filosofia e livros religiosos e autor de vários de ensaios sobre estes temas. Busco conversações intelectuais e pensamento filosóficos para expandir a busca pela verdade eterna.
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## Cronologia

- **c. 400 BCE - c. 200 CE**: The [Bhagavad Gita](https://www.worldhistory.org/Bhagavad_Gita/), part of the [Mahabharata](https://www.worldhistory.org/Mahabharata/), is written at some point between 400 BCE and 200 CE.

## Cite Este Artigo

### APA
Joshi, N. (2026, April 30). Cauravas. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12121/cauravas/>
### Chicago
Joshi, Nikul. "Cauravas." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, April 30, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12121/cauravas/>.
### MLA
Joshi, Nikul. "Cauravas." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 30 Apr 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12121/cauravas/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 30 April 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(is) para obter informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

