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title: A Biblioteca de Alexandria
author: Joshua J. Mark
translator: Pedro Lucas
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10883/a-biblioteca-de-alexandria/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2025-11-02
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# A Biblioteca de Alexandria

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Pedro Lucas](https://www.worldhistory.org/user/pedrolucas)_

A Biblioteca de Alexandria foi estabelecida durante a Dinastia Ptolomaica do Egito (323-30 a.C.) e floresceu sob o patrocínio dos primeiros reis, tornando-se a biblioteca mais famosa do mundo antigo. Ela atraía estudiosos de todo o Mediterrâneo e fez de Alexandria o principal centro intelectual de sua época até seu declínio após 145 a.C.

Embora a lenda afirme que a ideia da grande biblioteca veio de [Alexandre, o Grande](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-265/alexandre-o-grande/), isso foi contestado, e parece ter sido proposta por Ptolomeu I Sóter (reinou 323-282 a.C.), fundador da Dinastia Ptolemaica, e construída sob o reinado de Ptolomeu II Filadelfo (282-246 a.C.), que também adquiriu os primeiros livros para sua coleção. Sob Ptolomeu III Evérgeta (reinou 246-221 a.C.), a coleção da biblioteca aumentou quando livros eram tomados de navios no porto, copiados, e os originais eram então armazenados nos acervos.

Sob Ptolomeu IV (reinou 221-205 a.C.), o patrocínio continuou, e Ptolomeu V (reinou 204-180 a.C.) e Ptolomeu VI (reinou 180-164 & 163-145 a.C.) tornaram as aquisições para a biblioteca uma prioridade tão grande ao redor do Mediterrâneo que os estudiosos começaram a esconder suas bibliotecas privadas para evitar que seus livros fossem confiscados. Ptolomeu V, para minar o prestígio da [Biblioteca de Pérgamo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21051/biblioteca-de-pergamo/), proibiu a exportação de papiro - necessário para produzir cópias de livros, e, sem querer, incentivou a indústria de pergaminho de [Pérgamo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-583/pergamo/).

O destino final da Biblioteca de Alexandria tem sido debatido por séculos e continua sendo. De acordo com o relato mais popular, ela foi destruída por [Júlio César](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-95/julio-cesar/) em um incêndio em 48 a.C. Outras alegações citam sua destruição sendo provocada pelo imperador Aureliano em sua guerra com [Zenóbia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10200/zenobia/) em 272 d.C., por [Diocleciano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-697/diocleciano/) em 297 d.C., por zelotes cristãos em 391 e 415 d.C., ou por invasores árabes muçulmanos no século VII.

Como a biblioteca ainda existia após a época de César e é referenciada durante o início da era cristã, a explicação mais provável para sua queda é a perda de patrocínio pelos governantes ptolomaicos posteriores (após Ptolomeu VIII expulsar estudiosos estrangeiros em 145 a.C.) e o investimento irregular dos imperadores romanos, levando a um declínio na manutenção dos itens e dos edifícios. A intolerância religiosa, após a ascensão do [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/), levou a conflitos civis, o que incentivou muitos estudiosos a buscar posições em outros lugares, contribuindo ainda mais para a deterioração da biblioteca. No século VII, quando os árabes muçulmanos supostamente queimaram a coleção da biblioteca, não há evidências de que esses livros, ou mesmo os edifícios que os abrigavam, ainda existissem em Alexandria.

### **A Fundação da Biblioteca**

Após [a morte de Alexandre, o Grande](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2366/a-morte-de-alexandre-o-grande/), em 323 a.C., Ptolomeu I conquistou o Egito durante as Guerras dos Diádocos (sucessores de Alexandre), estabelecendo a sua dinastia. Ele parece ter proposto a biblioteca como uma extensão de sua visão geral para a cidade de Alexandria como um grande agrupamento cultural, misturando as culturas do Egito e da Grécia, simbolizado por seu [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) híbrido, Serápis, uma combinação de divindades egípcias e gregas. De acordo com a *Carta de Aristeas*, [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) entre c. 180 e c. 145 a.C., a ideia da biblioteca foi sugerida pelo orador grego Demétrio de Falero (cerca de 350 a cerca de 280 a.C.), um aluno de [Aristóteles](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-355/aristoteles/) (384-322 a.C.) ou de seu discípulo Teofrasto (cerca de 371 a c. 287 a.C.), embora a autenticidade dessa carta tenha sido posteriormente questionada.

[ ![Ptolemy II Philadelphus Founds the Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/8211.jpg?v=1779446057) Ptolomeu II Filadelfo funda a Biblioteca de Alexandria Vincenzo Camuccini (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/8211/ptolemy-ii-philadelphus-founds-the-library-of-alex/ "Ptolemy II Philadelphus Founds the Library of Alexandria")Se Demétrio realmente propôs a ideia de uma biblioteca universal, isso explicaria facilmente as descrições da construção, que parecem espelhar o Liceu de Aristóteles, especificamente o pórtico onde estudiosos podiam caminhar e discutir vários temas, ainda que pórticos não fossem exclusivos da escola de Aristóteles. Demétrio também teria organizado a biblioteca como um local para "todos os livros já escritos" e proposto o nome *Mouseion* (um templo das Nove [Musas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-787/musas/)) para pelo menos uma parte da biblioteca (o nome mais tarde originando a palavra em inglês "museum"). Sobre a pergunta "Por que uma biblioteca universal foi construída na cidade relativamente recente de Alexandria?", o especialista Lionel Casson escreve:

> O Egito era muito mais rico do que as terras de seus rivais. Primeiramente, o solo fértil ao longo do Nilo produzia colheitas abundantes de grãos, e grãos eram para o mundo grego e romano o que o petróleo é para o nosso: tinham demanda em todo lugar. Por outro lado, o Egito era o *habitat* por excelência da planta do papiro, garantindo assim aos seus governantes um monopólio sobre o principal material de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/) do mundo. Todos os monarcas helenísticos buscavam adornar as suas capitais com uma arquitetura grandiosa e construir uma reputação cultural. Os ptolomeus, capazes de gastar mais que os outros, assumiram a liderança. Os primeiros quatro membros da dinastia concentraram-se na reputação cultural de Alexandria, sendo eles mesmos intelectuais. Ptolomeu I era um historiador, autor de um relato das campanhas de conquista de Alexandre… Ptolomeu II era um ávido zoólogo, Ptolomeu III, um patrono da literatura e Ptolomeu IV era um dramaturgo. Todos eles escolheram grandes estudiosos e cientistas como tutores de seus filhos. Não é novidade nenhuma o fato de que esses homens tenham buscado fazer de sua capital o centro cultural do mundo grego. (32-33)

### **Bibliotecários-Chefe & Organização**

O Mouseion e um anexo, que era a Biblioteca Real, foram construídos sob Ptolomeu II, e o primeiro bibliotecário foi o estudioso Zenodoto (do século III a.C.). Os bibliotecários-chefes que o sucederam durante o Período Ptolemaico eram, em ordem:

- Apolônio de Rodes (século III a.C.)
- Eratóstenes (cerca de 276-195 a.C.)
- Aristófanes de [Bizâncio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11367/bizancio/) (cerca de 257 a cerca de 180 a.C.)
- Apolônio, o "criador de formas" (datas desconhecidas)
- Aristarco de Samotrácia (cerca de 216 a cerca de 145 a.C.)

Embora seja frequentemente citado como bibliotecário em Alexandria, Calímaco de Cirene (cerca de 310 a cerca de 240 a.C.) nunca ocupou essa posição. Contudo, ele foi responsável por desenvolver o sistema bibliográfico inicial de Zenodoto no que hoje seria chamado de "catálogo de fichas" dos acervos da biblioteca. Os *Pinakes* de Calímaco ("Tábuas" – título completo: *Tábuas de Pessoas Eminentes em Cada Ramo do Conhecimento, Junto com uma Lista de Suas Obras*) foram uma pesquisa abrangente e catálogo de todas as obras gregas existentes, preenchendo 120 livros e criando o paradigma para o sistema organizacional da biblioteca daí em diante. Casson escreve:

> O que tornou tal projeto possível foi a existência da biblioteca de Alexandria, em cujas prateleiras todos esses escritos, com raras exceções, podiam ser encontrados. E há consenso geral de que a compilação surgiu a partir disso e foi uma expansão de um inventário dos acervos da biblioteca que Calímaco havia elaborado. Os *Pinakes* não sobreviveram; contudo, temos referências e citações suficientes em obras acadêmicas de séculos posteriores para proporcionar uma compreensão adequada de sua natureza e extensão. (39)

As obras catalogadas por Calímaco não estavam armazenadas em um único edifício, mas sim em um complexo de estruturas no bairro palaciano (o *Bruqueion*) do distrito grego da cidade. O complexo da biblioteca parece ter se assemelhado a uma universidade contemporânea, com alojamentos, refeitórios comunitários, salas de aula, salas de leitura, depósitos de livros, laboratórios, observatórios, escritórios de copistas, auditórios, jardins paisagísticos e, possivelmente, um zoológico. Durante o Período Ptolemaico, apenas homens recebiam patrocínio para morar na biblioteca com moradia e alimentação gratuitas; não está claro se estudiosas mulheres, embora não pudessem residir no local, teriam acesso aos recursos da biblioteca, que supostamente incluíam 500.000 obras sobre todos os assuntos sobre os quais alguém já havia escrito.

[ ![Hypatia and Theon of Alexandria](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14422.jpeg?v=1706638323-1690195130) Hypatia e Theon de Alexandria Mod Producciones, Telecinco Cinema (Copyright, fair use) ](https://www.worldhistory.org/image/14422/hypatia-and-theon-of-alexandria/ "Hypatia and Theon of Alexandria")### **Operações e Aquisições Sob o Governo Ptolomaico**

O número de livros que a biblioteca possuía, e quem tinha acesso a eles - assim como grande parte das informações referentes à Grande Biblioteca de Alexandria - continua sendo incerto. O número 500.000 é o mais frequentemente citado, mas isto pode ter sido um exagero. Casson, que concorda em algum nível com esse número, comenta:

> Os rolos na biblioteca principal totalizavam 490.000; na "biblioteca filial", 42.800. Isto não nos informa sobre o número de obras ou autores representados, pois muitos rolos continham mais de uma obra e muitos, como no caso de [Homero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-225/homero/), eram duplicatas. Também não sabemos qual era a divisão de funções entre as duas bibliotecas. A biblioteca principal, localizada no palácio, deveria ser primariamente usada pelos membros do Museu. A outra, num santuário religioso com acesso mais ou menos irrestrito, pode muito bem ter atendido a um público mais amplo de leitores. Talvez seja por isso que seus acervos eram muito menores: limitavam-se a obras como os clássicos fundamentais da literatura, que o público em geral provavelmente consultaria. (36)

A biblioteca, começando com Ptolomeu I, era financiada pela casa real. Os estudiosos, cientistas, poetas, críticos literários, escritores, copistas, linguistas e outros aceitos como membros do Museu estavam livres de impostos, isentos de aluguel, e recebiam refeições e um salário simbólico permanente. O propósito desse patrocínio era permitir que as maiores mentes da época, libertas das distrações da vida cotidiana, se dedicassem integralmente ao estudo, à escrita e ao ensino. Esperava-se que todo estudioso alojado no Museu ensinasse de alguma forma e ministrasse palestras; embora não esteja claro exatamente quem poderia frequentar essas aulas ou assistir às palestras.

O bibliotecário-chefe era nomeado pela corte real e servia permanentemente. Durante a Era Ptolomaica, cada bibliotecário-chefe era um estudioso de renome que havia feito alguma contribuição original em seu campo de estudo. No caso de Zenodoto, ele foi o primeiro a estabelecer uma versão autoritativa das obras de Homero e também o primeiro a implementar um sistema de organização alfabética para os acervos de uma biblioteca. Apolônio de Rodes foi famoso por seu poema épico *Argonautica* sobre Jasão e os Argonautas. Eratóstenes foi o primeiro a calcular a circunferência da Terra e a criar um mapa do mundo conhecido.

[ ![Euclid of Alexandria](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/4139.jpg?v=1774981865) Euclides de Alexandria Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/4139/euclid-of-alexandria/ "Euclid of Alexandria")Além dos bibliotecários, havia os famosos estudiosos que lá viveram e trabalharam, incluindo o matemático [Euclides](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14091/euclides/) (cerca de 300 a.C.), o anatomista Herófilo, o inventor e engenheiro Arquimedes de Siracusa (287-212 a.C.), o físico Estrato, o gramático Dionísio Trácio, e o inovador escritor e poeta Ístros, o Calimaqueano (um aluno de Calímaco), entre muitos outros. Estes estudiosos criaram suas próprias obras e tinham milhares de outras para referência ali ao seu alcance, graças à política de aquisição dos ptolomeus. Casson comenta:

> A política era adquirir tudo, desde a poesia épica muito exaltada até os livros mais simples de culinária; os ptolomeus visavam tornar a coleção um repositório abrangente dos escritos gregos, bem como uma ferramenta para pesquisa. Eles também incluíram traduções para o grego de obras importantes em outros idiomas. O exemplo mais conhecido é a Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento. Seu maior propósito era servir à comunidade judaica, muitos dos quais falavam apenas grego e já não compreendiam o hebraico ou aramaico originais, mas o empreendimento foi encorajado por Ptolomeu II, que sem dúvida desejava a obra na biblioteca. (35-36)

Para adquirir as coleções da biblioteca, agentes de livros eram enviados para comprar todas as obras que pudessem encontrar. Livros eram confiscados de navios que atracavam no porto de Alexandria, copiados, e os originais mantidos na biblioteca; as cópias eram devolvidas aos proprietários. Obras mais antigas eram as mais cobiçadas com base no argumento de que não haviam sido amplamente copiadas e, portanto, continham menos erros de escribas. De acordo com Casson, isso criou uma nova indústria no mercado negro: forjar cópias "antigas" para sua venda a preços elevados (35). Obras famosas também eram um prêmio. É dito que Ptolomeu III depositou a enorme fiança de 15 talentos (aproximadamente US$ 15 milhões ou mais) em [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/) para tomar os manuscritos originais de Ésquilo, Eurípides e [Sófocles](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10183/sofocles/) emprestados para copiar, prometendo devolvê-los. Depois de tê-los copiado em papiro de alta qualidade, ele enviou as cópias para Atenas, manteve os originais e disse aos atenienses que poderiam ficar com o dinheiro.

A política de aquisição dos ptolomeus foi espelhada pelos reis da Dinastia Atálida (281-133 a.C.), que precisavam de livros para a Biblioteca de Pérgamo, a rival da Biblioteca de Alexandria. Durante o reinado do rei atálida Eumenes II (reinou 197-159 a.C.), Ptolomeu V proibiu a exportação de papiro para impedir Pérgamo de fazer cópias de livros. Tudo o que isso fez, no entanto, foi aumentar a indústria do pergaminho de Pérgamo. A palavra inglesa "parchment" (pergaminho), de fato, vem do latim *pergamena* – "papel de Pérgamo" – à medida que o pergaminho veio a substituir o papiro como material de escrita.

### **Declínio e Alegações de Destruição**

A Biblioteca de Alexandria começou a decair sob Ptolomeu VIII (reinou 170-163/145-116 a.C.), um estudioso que havia escrito sobre Homero e apoiado o patrocínio da biblioteca, mas que retirou seu apoio após o conflito de poder com seu irmão Ptolomeu VI e, ao punir aqueles que haviam apoiado seu oponente, baniu todos os estudiosos estrangeiros da cidade. Entre eles estava o bibliotecário-chefe Aristarco de Samotrácia, que fugiu para o Chipre em 145 a.C. e morreu pouco depois. O investimento ptolomaico da biblioteca enfraqueceu, e o cargo de bibliotecário-chefe não era mais concedido a um estudioso eminente, mas sim a comparsas políticos. É provável que, quando expulsos de Alexandria, os estudiosos banidos tenham levado livros consigo, mas, mesmo que não o tenham feito, os textos já haviam sido padronizados e copiados nessa época e existiriam em bibliotecas privadas e nas coleções de outros centros intelectuais como em Atenas e Pérgamo.

O Período Ptolemaico terminou com a morte de [Cleópatra VII](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-866/cleopatra-vii/) em 30 a.C., e durante o Período Romano que se seguiu, o patrocínio da biblioteca foi, na melhor das hipóteses, inconsistente. O [imperador romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-1032/imperador-romano/) [Cláudio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-674/claudio/) (reinou 41-54) patrocinou a biblioteca, assim como Adriano (reinou 117-138), mas não está claro se outros o fizeram. Em 272, quando Aureliano retomou Alexandria de Zenóbia, que a reivindicara como parte de seu [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) de Palmira, o distrito da biblioteca foi destruído, embora não se saiba se os edifícios que antes constituíam a biblioteca sobreviveram. Em 297, o imperador Diocleciano também arrasou essa seção de Alexandria e, muito provavelmente, foi quando o que restava da biblioteca foi destruído. A essa altura, porém - como observado - a erudição alexandrina já era algo estabelecido. Qualquer trabalho importante que ocorreu na cidade já estava acontecendo em outro lugar desde algum tempo após 145 a.C.

Tudo isso parece certo, mas isso não impediu alguns escritores de repetirem a alegação de que a Grande Biblioteca de Alexandria, que abrigava todo o conhecimento do mundo antigo, foi queimada por Júlio César em 48 a.C., pelos cristãos em 391 (ou, talvez, em 415, próximo ao assassinato de Hipácia de Alexandria), ou pelos muçulmanos no século VII. O que quer que tenha sido queimado no incêndio iniciado por César em 48 a.C., não foi a biblioteca, porque essa instituição ainda é referenciada por escritores posteriores. [Marco Antônio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10057/marco-antonio/), de acordo com [Plutarco](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-820/plutarco/), deu toda a coleção de 200.000 livros da Biblioteca de Pérgamo a Cleópatra VII em 43 a.C. para a biblioteca; portanto, claramente, uma biblioteca ainda existia em Alexandria após a morte de César em 44 a.C. É dito que [Augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/) César (reinou 27 a.C. a 14 d.C.) posteriormente devolveu alguns, embora não todos, os livros a Pérgamo.

Em 391, Teófilo, Bispo de Alexandria, supervisionou a destruição do Templo de Serápis, que abrigara parte da coleção da biblioteca, mas não se sabe se ainda havia livros guardados lá. Alexandria havia se tornado progressivamente hostil ao tipo de erudição inclusiva que a biblioteca incentivara desde a ascensão do cristianismo na cidade após 313. Até 391, a agitação civil alimentada pela intolerância religiosa tornara-se a marca registrada da cidade. Parece certo que o Serapeu (Templo de Serápis) foi destruído nessa época, e uma igreja foi construída no local, mas não há evidências da destruição da biblioteca; provavelmente porque ela já havia sido destruída por Aureliano ou Diocleciano.

[ ![Serapeum of Alexandria](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14218.jpg?v=1722106803) O Serapeu de Alexandria Carole Raddato (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/14218/serapeum-of-alexandria/ "Serapeum of Alexandria")A alegação de que os árabes muçulmanos sob o califa Omar destruíram a biblioteca em 641 é completamente insustentável. A famosa história de Omar ordenar a queima da vasta coleção, dizendo que, se as obras concordassem com o [Alcorão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-732/alcorao/), eram supérfluas, e se contradissessem o Alcorão, eram heresia, aparece 600 anos depois na obra do escritor cristão Gregório Bar Hebreu (1226-1286), retirada de autores árabes muçulmanos do século XIII, como Ibn al-Qifti. Este relato tem sido rejeitado pelos estudiosos como uma ficção desde o século XVIII.

### **Conclusão**

A alegação de que o fim da Biblioteca de Alexandria num grande incêndio transformou o conhecimento do mundo antigo em fumaça e atrasou o desenvolvimento intelectual da humanidade em milhares de anos é uma fábula que se tornou cada vez mais aceita através da repetição em artigos, livros, programas de televisão, documentários, vídeos e vários outros meios culpando uma parte ou outra pela destruição da biblioteca para avançar uma determinada agenda.

A imagem da Grande Biblioteca de Alexandria, e todo o conhecimento do mundo antigo, subindo em chamas é certamente mais dramática do que o cenário mais mundano da biblioteca em declínio devido ao descuido fomentado por intrigas políticas bobas e um *zeitgeist* sociopolítico-religioso em mudança, sendo esse último quase certamente o que aconteceu. Não há dúvida de que obras escritas foram destruídas em 48 a.C. e depois disso, mas isso não significa que todos os livros alojados na biblioteca em seu zênite foram perdidos. Como já observado, cópias foram feitas, e estas saíram de Alexandria com seus proprietários.

Alexandria pode se orgulhar de ter sido a maior biblioteca do mundo antigo sob os primeiros ptolomeus, mas nenhum relato da antiguidade apoia a alegação de que a biblioteca ainda era um grande centro intelectual no Período Romano. Está claro, a partir de referências nas obras de vários escritores antigos, que um número considerável de manuscritos foi perdido em Alexandria entre cerca de 48 a.C. e 415 d.C., mas o que eram esses manuscritos é desconhecido. Muitas das obras referenciadas como parte da coleção da biblioteca ainda existem hoje em todo o mundo e formam parte da coleção da Bibliotheca Alexandrina ("Biblioteca de Alexandria"), inaugurada em 2002 em Alexandria, Egito, como uma homenagem à grande biblioteca da antiguidade.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Acosta-Hughes, B. & Stephens, S. A. *Callimachus in Context: From Plato to the Augustan Poets.* Cambridge University Press, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/1107470641/)
- [Casson, L. *Libraries in the Ancient World.* Yale University Press, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/0300097212/)
- [Home - Bibliotheca Alexandrina](https://www.bibalex.org/en/default "Home - Bibliotheca Alexandrina"), accessed 22 Jul 2023.
- [Livingstone, R. W. *The Legacy of Greece.* Clarendon Press, 2020.](https://www.worldhistory.org/books/B002XNH44C/)
- [Lucan. *A Lucan Reader.* Bolchazy-Carducci Publishers, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0865166617/)
- [Martin, T. R. *Ancient Greece: From Prehistoric to Hellenistic Times.* Yale University Press, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/0300160054/)
- [Plutarch &Long, G. & Stewart, A. *Plutarch's Lives.* East India Publishing Company, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/1774262177/)
- [Pollard, J. &Reid, H. *The Rise and Fall of Alexandria: Birthplace of the Modern World.* Penguin Books, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/0143112511/)
- [Roller, D. W. *The Geography of Strabo.* Cambridge University Press, 2014.](https://www.worldhistory.org/books/1107038251/)
- [The Letter Of Aristeas](https://www.ccel.org/c/charles/otpseudepig/aristeas.htm "The Letter Of Aristeas"), accessed 22 Jul 2023.

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **323 BCE - 282 BCE**: [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) is proposed and possibly established during the reign of [Ptolemy I](https://www.worldhistory.org/Ptolemy_I/) of [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).
- **323 BCE - 145 BCE**: The [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) flourishes under the patronage of the early [Ptolemaic Dynasty](https://www.worldhistory.org/Ptolemaic_Dynasty/) of [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).
- **282 BCE - 246 BCE**: [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) built during the reign of [Ptolemy II](https://www.worldhistory.org/Ptolemy_II_Philadelphus/) of [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).
- **246 BCE - 221 BCE**: Collection of the [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) expands during the reign of [Ptolemy](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Ptolemy/) III of [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).
- **145 BCE**: The [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) loses patronage under the reign of [Ptolemy](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Ptolemy/) VIII; foreign scholars are expelled from [Alexandria](https://www.worldhistory.org/alexandria/).
- **145 BCE - 48 BCE**: [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) declines through lack of patronage by [Ptolemaic Dynasty](https://www.worldhistory.org/Ptolemaic_Dynasty/) of [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).
- **51 BCE - 30 BCE**: [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) still exists during the reign of [Cleopatra VII](https://www.worldhistory.org/Cleopatra_VII/) of [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).
- **48 BCE**: Storehouse of the [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) near the port is destroyed by fire set by [Julius Caesar](https://www.worldhistory.org/Julius_Caesar/).
- **313 CE - 415 CE**: Whatever remains of [Library of Alexandria](https://www.worldhistory.org/Library_of_Alexandria/) declines further with the rise of [Christianity](https://www.worldhistory.org/christianity/) in [Alexandria](https://www.worldhistory.org/alexandria/), [Egypt](https://www.worldhistory.org/egypt/).

## Perguntas & Respostas

### O que foi a Biblioteca de Alexandria?
A Biblioteca de Alexandria foi uma biblioteca universal estabelecida durante o reinado de Ptolomeu I do Egito para abrigar todos os livros já escritos e criar um "centro de pensamento" para os principais intelectuais da época.

### Quando foi fundada a Biblioteca de Alexandria?
A Biblioteca de Alexandria foi fundada durante o reinado de Ptolomeu I do Egito (323-282 a.C.) e foi construída por Ptolomeu II (282-246 a.C.).

### Quanto tempo a Biblioteca de Alexandria durou como centro intelectual?
A Biblioteca de Alexandria floresceu entre 323-145 a.C., quando foi financiada pelos governantes da Dinastia Ptolomaica. Começou a declinar após o patrocínio ptolomaico diminuir a partir de 145 a.C.

### O que aconteceu com a Biblioteca de Alexandria?
A Biblioteca de Alexandria entrou em declínio devido à falta de patrocínio pelos últimos reis da Dinastia Ptolomaica e ao patrocínio bem irregular dos imperadores de Roma. A alegação de que milhares de livros da antiguidade foram destruídos em um grande incêndio que consumiu a biblioteca é pura ficção.




## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2025, November 02). A Biblioteca de Alexandria. (P. Lucas, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10883/a-biblioteca-de-alexandria/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "A Biblioteca de Alexandria." Traduzido por Pedro Lucas. *World History Encyclopedia*, November 02, 2025. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10883/a-biblioteca-de-alexandria/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "A Biblioteca de Alexandria." Traduzido por Pedro Lucas. *World History Encyclopedia*, 02 Nov 2025, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10883/a-biblioteca-de-alexandria/>.

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