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title: Dido: Lendária Rainha de Tiro
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10498/dido/
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license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-29
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# Dido: Lendária Rainha de Tiro

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Rainha Dido (também conhecida como Elisa, de Elisha ou Alashiya, o seu nome fenício) foi uma lendária rainha de [Tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/), na [Fenícia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-183/fenicia/), que foi forçada a fugir da cidade com um grupo de seguidores leais. Navegando para oeste através do Mediterrâneo, fundou a cidade de [Cartago](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-205/cartago/) cerca de 813 a.C. e, mais tarde, apaixonou-se pelo herói troiano e fundador do povo romano, [Eneias](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-782/eneias/). O conto de Dido é mais famosamente relatado na *Eneida* de [Virgílio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-784/virgilio/), mas apareceu nas obras de muitos outros escritores antigos, tanto antes como depois.

### Dido e Pigmalião

A menção sobrevivente mais antiga do mito fundador de Cartago aparece na obra de Timeu de Tauroménio, um historiador grego (cerca de 350-260 a.C.) cujos textos originais não chegaram até nós, mas que são referenciados por autores posteriores. Timeu foi o primeiro a apresentar a fundação de Cartago como tendo ocorrido em 814 ou 813 a.C. Uma fonte adicional sobre a Elisa histórica é [Flávio Josefo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20121/flavio-josefo/), o historiador do século I, que cita a lista de reis de Tiro dos séculos X-IX a.C. de Menandro de [Éfeso](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-575/efeso/), a qual inclui a menção a uma Elisa, irmã de Pigmalião (Pumayyaton), que fundou Cartago no sétimo ano do reinado daquele rei.

[ ![Dido, Carthaginian Tetradrachm](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5271.jpg?v=1603349102) Dido, Tetradracma Cartaginesa The British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/5271/dido-carthaginian-tetradrachm/ "Dido, Carthaginian Tetradrachm")Contudo, a versão mais famosa da história de Dido encontra-se na *Eneida* de Virgílio. O escritor romano do século I a.C. descreve Dido como filha de Belo, o rei de Tiro, na Fenícia. É-nos dito que o seu nome fenício era Elisa, mas os líbios deram-lhe o novo nome Dido, que significa "errante". Virgílio relata que o irmão de Dido, Pigmalião, privou a irmã da sua herança e, para manter o trono de Tiro, matou o marido de Dido, Siqueu. Noutra versão, Dido casou-se com Aquerbas (Zakarbaal), seu tio e sacerdote de Melqart (ou [Baal](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-652/baal/)), que foi igualmente executado por Pigmalião para que este se apoderasse das suas riquezas. Dido fugiu então da cidade com um grupo de seguidores leais (que incluía os comandantes militares Bítias e Barcas) e uma reserva de ouro do rei, para navegar para oeste e iniciar uma nova vida.

### A Fundação de Cartago

A primeira paragem de Dido foi Cítio, em Chipre, onde levou consigo um sacerdote de Astarté, depois de lhe prometer que ele e os seus descendentes poderiam ser os Grandes Sacerdotes na sua nova colónia. Um grupo de 80 jovens mulheres, prostituídas ali em nome de Astarté, foi também levado, e todo o grupo navegou para o Norte de África, onde fundaram a sua nova cidade. Inicialmente, os colonos foram ajudados pela colónia fenícia vizinha de Útica, e o povo líbio local (liderado pelo rei Iarbas) estava disposto a comerciar com eles e ofereceu-se para arrendar um pedaço de terra adequado. A condição era que apenas poderiam ocupar a área de terra coberta por uma pele de boi. A engenhosa Dido mandou cortar a pele em tiras muito finas e, com elas, cercou uma colina que, com o tempo, se tornou a cidadela da cidade, conhecida como Colina de Byrsa (derivado da palavra grega para pele de boi).

[ ![Queen Dido Claiming Carthage](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14289.png?v=1627024502) A Rainha Dido a Reivindicar Cartago Mohawk Games (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/14289/queen-dido-claiming-carthage/ "Queen Dido Claiming Carthage")O nome deste novo povoamento foi Qart-hadasht (Cidade Nova ou Capital) e a sua localização numa posição estrategicamente vantajosa, numa grande península da costa norte-africana, foi selecionada para oferecer um ponto de paragem útil aos comerciantes marítimos fenícios que navegavam de uma ponta à outra do Mediterrâneo.

Achados arqueológicos de cerâmica grega e vestígios de habitações que remontam a meados do século VIII a.C. sugerem, desde logo, a presença de um grande povoamento, confirmando assim, pelo menos, a possibilidade da data de fundação tradicional. As cidades fenícias já tinham fundado colónias por todo o Mediterrâneo, pelo que Cartago não foi, de forma alguma, a primeira; no entanto, num período de tempo relativamente curto, tornar-se-ia a mais importante, passaria a fundar as suas próprias colónias e até eclipsaria a Fenícia como o centro comercial mais poderoso da época. A prosperidade de Cartago baseava-se não apenas na sua localização nas rotas comerciais, mas beneficiava também de um porto excelente e do controlo de terras agrícolas férteis. Em honra da sua fundadora, Cartago cunhou moedas a partir do século V a.C., e alguns identificaram a cabeça feminina com um barrete frígio, visível em muitas delas, como uma representação de Dido. Alguns escritores romanos sugerem que Dido foi deificada, mas não existe qualquer prova arqueológica por parte dos próprios cartagineses de que tal tenha acontecido.

[ ![The Meeting of Dido and Aeneas](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/3305.jpg?v=1777738274) Encontro de Dido e Eneias Nathaniel Dance-Holland (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/3305/the-meeting-of-dido-and-aeneas/ "The Meeting of Dido and Aeneas")### Dido e Eneias

Escritores romanos, possivelmente começando com o poeta Névio no século III a.C., na sua obra *Bellum Poenicum* (*Guerra Púnica*), descrevem o encontro de Dido com o herói troiano Eneias, que viria a fundar a sua própria grande cidade: Roma. No mito do pai fundador de Roma, Eneias chegou a [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) após a destruição de [Troia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-372/troia/), no final da [Guerra de Troia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10357/guerra-de-troia/). Isto ocorreu quatro séculos antes da fundação de Cartago; portanto, é cronologicamente impossível que os dois se tenham encontrado, caso tenham, de facto, existido. Virgílio segue depois com a sua própria versão do mito na Eneida, naquela que se tornou a versão clássica da história. Ele informa-nos que Eneias é desviado do seu curso por uma tempestade, mas é orientado por Vénus a desembarcar em Cartago. Dido tinha resistido a uma longa linhagem de pretendentes desde que o seu marido fora assassinado em Cartago, mas, quando foi atingida pela flecha de Cupido por ordem de Vénus, apaixonou-se pelo herói. Uma vez, separados da sua comitiva durante uma tempestade, os dois fazem amor numa gruta. Infelizmente, o romance é de curta duração, pois Mercúrio, enviado por Júpiter, incita então Eneias a deixar a sua amada e a continuar a viagem que cumprirá o seu destino como fundador de Roma. Quando o troiano resiste aos apelos de Dido para que fique e parte, é então que a rainha se lança numa pira funerária, mas não sem antes proferir uma terrível maldição sobre os troianos, explicando assim a inevitabilidade das brutais [Guerras Púnicas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-736/guerras-punicas/) entre Cartago e Roma:

> Que não haja amor entre os nossos povos e nenhum tratado. Ergue-te dos meus ossos mortos, ó meu vingador desconhecido, e persegue a raça de Dárdano com fogo e espada onde quer que se estabeleçam, agora e no futuro, sempre que as nossas forças o permitirem. Rezo para que nos oponhamos, costa contra costa, mar contra mar e espada contra espada. Que haja guerra entre as nações e entre os seus filhos para sempre.
> (Livro IV: 622-9)

De acordo com outra tradição, anterior a Virgílio, Dido foi forçada a casar-se com o rei líbio Iarbas. Para evitar este compromisso, Dido construiu uma grande fogueira como se estivesse prestes a fazer uma oferenda, mas atirou-se para as chamas. É também interessante notar que, na versão de Virgílio, Dido recebe um retrato compreensivo, o que talvez reflita a era augustana, altura em que Cartago, já não sendo o inimigo odiado dos séculos anteriores, estava a ser reabilitada dentro do [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/).

[ ![Map of the Voyage of Aeneas and the Mythic Origins of Rome](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16056.png?v=1777738271-1767690171) Mapa da Viagem de Eneias e as Origens Míticas de Roma Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/16056/map-of-the-voyage-of-aeneas-and-the-mythic-origins/ "Map of the Voyage of Aeneas and the Mythic Origins of Rome")### O Legado

A lenda de Dido tornou-se popular entre autores posteriores como [Ovídio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-561/ovidio/) (43 a.C. a 17 d.C.), Tertuliano (cerca de 160 a cerca de 240 d.C.), e os autores do século XIV Petrarca e Chaucer; a rainha surge como figura central nas óperas de Purcell (*Dido e Eneias*) e Berlioz (*Os Troianos*), entre outros. A existência de uma líder feminina era excecionalmente rara na realidade e na [mitologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-427/mitologia/) antigas, razão pela qual Dido capturou a imaginação durante milénios. Como resume o historiador D. Hoyos: "A história romântica e dramática de Elisa baseia-se, muito possivelmente, numa realidade histórica fundamental, ainda que se devam evitar esforços para tratar todos os seus detalhes como factos sóbrios" (pág. 12). Esta posição é apoiada por M. E. Aubet: "existem demasiadas coincidências entre as fontes orientais e as fontes clássicas para nos permitir pensar que a história de Elisa não teve qualquer base histórica" (pág. 215).

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Aubet, M.E. *The Phoenicians and the West.* Cambridge University Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0521795435/)
- Bagnall, R. et al. *The Encyclopedia of Ancient History.* Wiley-Blackwell, 2012
- [Hornblower, S. *The Oxford Classical Dictionary.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199545561/)
- [Miles, R. *Carthage Must Be Destroyed.* Penguin, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/B00YDK13S6/)
- [Moscati, S. *The World of the Phoenicians.* Weidenfeld & Nicolson History, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/B011SL6MCE/)
- [Virgil. *The Aeneid.* Penguin Classics, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0143106295/)
- [Warmington, B.H. *Carthage.* Penguin Books, 1964.](https://www.worldhistory.org/books/B0007KDLJK/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **c. 814 BCE**: Traditional founding date for the Phoenician colony of [Carthage](https://www.worldhistory.org/carthage/) by [Tyre](https://www.worldhistory.org/Tyre/).

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, July 29). Dido: Lendária Rainha de Tiro. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10498/dido/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Dido: Lendária Rainha de Tiro." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 29, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10498/dido/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Dido: Lendária Rainha de Tiro." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 29 Jul 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10498/dido/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 29 July 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

