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title: Eros
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10328/eros/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-30
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# Eros

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Eros era o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) grego do amor ou, mais precisamente, do desejo apaixonado e físico. Sem aviso prévio, Eros escolhe os seus alvos e atinge-lhes o coração com força, provocando confusão e sentimentos irreprimíveis. Nas palavras de [Hesíodo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-785/hesiodo/), ele «deslaza os membros e enfraquece a mente» (*[Teogonia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16590/teogonia/)*, pág. 120).

Eros é frequentemente representado na arte grega como um jovem belo e despreocupado, coroado de flores, especialmente de rosas, que estavam intimamente associadas ao deus. Eros e Psique são um par comum na escultura da Grécia e Roma antigas.

### Quem são os familiares de Eros?

Segundo Hesíodo na obra *Teogonia*, Eros foi um dos deuses primordiais que, juntamente com o Caos e Gaia (a Terra), foi responsável pela Criação. Aqui, talvez representasse um amor universal. Noutras tradições, como as cosmogonias órficas, Eros nasce hermafrodita de um ovo que foi colocado pelo titã Cronos (que representa o Tempo) no ventre do Caos. O dramaturgo cómico grego Aristófanes (cerca de 460 - cerca de 380 a.C.) recorre à mesma ideia, mas faz com que Eros nasça de um ovo de prata posto por Nyx (a Noite) e Aither (o Vento). Outras alternativas para a mãe desta criança do amor tão cobiçada são Eilítia (que protegia o parto), Penia (Pobreza) e Íris (a deusa mensageira e o Vento de Oeste).

Mais comum do que todas estas outras versões, porém, Eros era considerado o acólito alado ou assistente de [Afrodite](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-494/afrodite/), deusa do Amor, da Beleza e do Desejo. Era também, por vezes, considerado filho de Afrodite, tendo [Ares](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11196/ares/), o deus da guerra, como pai, e os seus irmãos eram Deimos (Medo), Fobos (Pânico) e Harmonia (Harmonia). Em algumas tradições, Eros tinha também um irmão mais novo — Anteros —, que era uma figura muito mais sombria e um vingador do amor não correspondido.

### As Associações de Eros

Nos mitos gregos, Eros era associado sobretudo à fertilidade, ao desejo e ao amor sexual e, como essas paixões podiam revelar-se muito difíceis de controlar, o deus era considerado uma espécie de malandro astuto. Por vezes, o deus é brincalhão e inofensivamente travesso, mas noutras ocasiões é cruel com os seus ataques surpresa que trazem apenas paixão imprudente e confusão, brincando com a sua vítima como se fosse uma folha indefesa à mercê dos ventos. A falta de disciplina e a falta de fiabilidade geral de Eros podem explicar por que razão nunca foi considerado um dos 12 deuses do Olimpo. Por fim, Eros era considerado o protetor específico do amor homossexual.

[ ![Eros](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/1186.jpg?v=1715786463) Eros Egisto Sani (used with permission) (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/1186/eros/ "Eros")### Eros e as Suas Flechas

Acreditava-se que as flechas de Eros, muitas vezes disparadas ao acaso, faziam com que pessoas, heróis e deuses se apaixonassem — ninguém estava imune. Um dos episódios mais famosos envolvendo este truque foi quando [Apolo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-946/apolo/) ridicularizou as habilidades de Eros como arqueiro e este disparou uma das suas flechas contra o grande deus, fazendo-o apaixonar-se pela [ninfa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-493/ninfa/) Dafne. Outro exemplo em que Eros utilizou as suas flechas portadoras de amor foi quando fez com que Medeia se apaixonasse pelo grande herói Jasão, aquele que conquistou o Velocino de Ouro. O próprio Eros não era imune aos poderes do amor e, como é sabido, apaixonou-se por Psique e casou-se com ela, contra a vontade da sua mãe, Afrodite.

Na religião grega, Eros era objeto de culto em Tespias (com o seu festival desportivo e artístico, as Erotídeias) e em [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/), Megara, Filadélfia, Leuctra, Velia e Párium. Além disso, estava intimamente associado a muitos dos cultos de Afrodite em todo o mundo grego. Havia altares dedicados a Eros tanto na Academia de Atenas como no ginásio de Elis, o que indica que o amor pela beleza masculina era tido em tão alta consideração quanto a beleza feminina no mundo grego. Como o deus estava associado a um amor viril pela coragem e pelo empenho, guerreiros como a famosa Banda Sagrada de Tebas — a unidade de combate de elite composta por casais homossexuais — tinham o deus em especial estima e faziam oferendas a Eros antes da batalha.

### Eros na [Filosofia Grega](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11892/filosofia-grega/)

Éros e a sua onipotência eram um tema favorito de filósofos como os epicuristas, Parménides e Platão, que o discutem em pormenor tanto n'*O Banquete* (tít. original: *Symposion*) como no *Fedro* (tít. original: *Phaedrus*)*.* Platão, ou talvez mais precisamente as personagens das suas conversas socráticas, defende frequentemente o poder do Amor, como aqui:

> «Por isso digo que o Amor é o mais antigo dos deuses, o mais honrado e o mais poderoso a ajudar os homens a alcançar a virtude e a bem-aventurança.»
> (*O Banquete*, 180b)

Mais uma vez, noutra obra, o filósofo destaca a relação entre o Amor e o Bem:

> E se, tal como antes, investigares o assunto baseando-te no antigo ático, compreenderás melhor, pois isso mostrar-te-á que o nome «herói» (hērōs) é apenas ligeiramente diferente da palavra «amor» (erōs) — a própria coisa da qual os heróis surgiram.
> (*Cratilo*, 398d)

Nesta passagem, Platão descreve as causas e os efeitos do amor numa pessoa que foi atingida pelas flechas de Eros:

> Pensa em como uma brisa ou um eco ricocheteia de um objeto sólido e liso de volta à sua fonte; é assim que o fluxo da beleza regressa ao belo rapaz e o deixa agitado. Entra pelos seus olhos, que são o seu caminho natural para a alma; aí, rega os caminhos para as asas, faz com que as asas comecem a crescer e enche a alma do amado com amor em troca. O rapaz está apaixonado, mas não faz ideia do que ama. Não compreende, nem consegue explicar, o que lhe aconteceu. É como se tivesse contraído uma doença ocular de outra pessoa, mas não conseguisse identificar a causa; não se apercebe de que se está a ver a si próprio no amante, como num espelho. Assim, quando o amante está por perto, a dor do rapaz é aliviada tal como a do amante, e quando estão separados ele anseia tanto quanto é ansiado, porque tem uma imagem espelhada do amor dentro de si — «amor de retorno» — embora não fale nem pense nisso como amor, mas sim como amizade. Ainda assim, o seu desejo é quase igual ao do amante, embora mais fraco: ele quer vê-lo, tocá-lo, beijá-lo e deitar-se com ele; e, claro, como seria de esperar, ele age de acordo com esses desejos logo que estes surgem.
> (*Fedro*, 255c-e)

Por fim, Platão também cita um velho ditado dos autores homéricos sobre o aspeto mais físico de Eros:

> Sim, os mortais chamam-lhe o poderoso «Amor» alado;
> Mas, devido à sua necessidade de abrir as asas,
> os deuses chamam-lhe «Empurrão».
> (*Fedro*, 252b)

[ ![Eros Stringing His Bow](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2312.jpg?v=1694333169) Eros a Afinar o Seu Arco Carole Raddato (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2312/eros-stringing-his-bow/ "Eros Stringing His Bow")### Como é que Eros é Representado na Arte?

Na arte grega antiga do século VI a.C., Eros é normalmente retratado como um adolescente com asas e, frequentemente, empunha uma coroa de vitória. Pode também segurar uma lira, uma lebre ou um chicote, este último quando persegue um jovem. Surpreendentemente, só é retratado a segurar um arco com grande frequência a partir do século IV a.C., embora a primeira referência literária seja muito anterior e se encontre na peça *Ifigénia em Áulis* (tít. original: *Ἰφιγένεια ἐν Αὐλίδι*; tansliterado: *Iphigéneia en Aulídi* - cerca de 406 a.C.), do dramaturgo Eurípides. Na cerâmica grega, Eros aparece normalmente em casamentos e outras cenas românticas, muitas vezes pairando acima dos protagonistas principais, como Páris e Helena de Tróia. Cenas atléticas e militares também podem incluir este deus travesso, e ele surge regularmente em cenas do nascimento de Afrodite e da criação de [Pandora](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13940/pandora/), a primeira mulher da [mitologia grega](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11221/mitologia-grega/).

As figuras de Eros podem também surgir em grupos de dois ou três, sendo então designadas por Érotes, símbolo das diferentes formas que o amor pode assumir. Quando em grupo, recebem frequentemente os nomes individuais de Eros, Hímeros (Desejo) e Potos (Anseio ou Saudade). Pausânias, o viajante grego do século II d.C., descreve um templo dedicado a Afrodite em Mégara, na Ática Ocidental, onde se encontrava uma estátua de marfim da deusa do amor — a mais antiga do templo — e o trio de Eros, Hímeros e Potos, esculpido pelo famoso escultor do século IV a.C., Escopas de Paros. Noutros contextos, Eros surgia celebremente na base do trono da [Estátua de Zeus em Olímpia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17187/estatua-de-zeus-em-olimpia/), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, estando também presente no friso oriental do Parténon, representado como uma criança ao lado de Afrodite. Em obras de escala oposta, Eros era um dos temas preferidos dos ourives e gravadores de gemas gregos. Na arte helenística, Eros e Psiquê surgem frequentemente associados, sendo as estatuetas de terracota o meio de eleição. Apenas na [arte romana](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10804/arte-romana/) posterior é que Eros, sob o seu novo nome de Cúpido, passa a ser comummente retratado, de forma pouco lisonjeira, como um bebé bochechudo e travesso.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- Bagnall, R. *The Encyclopedia of Ancient History.* Wiley-Blackwell, 2012
- Carabatea, M. *Greek Mythology.* Pergamos, Peania, 2007
- [Carpenter, T.H. *Art and Myth in Ancient Greece.* Thames & Hudson, 1991.](https://www.worldhistory.org/books/0500202362/)
- [Graves, R. *The Greek Myths.* Penguin Classics, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0143106716/)
- [Hesiod. *Hesiod - Theogony, Works & Days, Testimonia.* Harvard University Press, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/0674997204/)
- [Hesiod. *Hesiod.* Loeb Classical Library, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/0674996224/)
- Hope Moncrieff, A.R. *Classical Mythology.* Senate, London, 1994
- [Hornblower, S. *The Oxford Classical Dictionary.* Oxford University Press, USA, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199545561/)
- [National Geographic. *National Geographic Essential Visual History of World Mythology.* National Geographic, 2008.](https://www.worldhistory.org/books/142620373X/)
- [Plato. *Plato - The Complete Works.* Hackett Publishing Co., 1997.](https://www.worldhistory.org/books/0872203492/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **c. 700 BCE**: [Greek](https://www.worldhistory.org/disambiguation/greek/) poet [Hesiod](https://www.worldhistory.org/hesiod/) writes his *[Theogony](https://www.worldhistory.org/Theogony/)* and *[Works and Days](https://www.worldhistory.org/Works_and_Days/)*.

## Perguntas & Respostas

### De que é deus Eros?
Éros é o deus grego do amor, nomeadamente do amor apaixonado e do desejo. 

### O que queria dizer Eros?
Eros significa «amor» e «desejo»; é o nome do deus grego do amor.

### Por quem é que o Eros se apaixona?
Eros apaixona-se por Psique e acaba por casar-se com ela. 

### O Cupido e o Eros são o mesmo deus?
Eros é o deus grego do amor e Cupido é o seu equivalente romano.


## Links Externos

- [The History of Cupid in Art: How the God of Love Has Inspired Artists for Centuries](https://mymodernmet.com/art-history-of-cupid/)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, September 30). Eros. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10328/eros/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Eros." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 30, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10328/eros/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Eros." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 30 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10328/eros/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 30 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

