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title: Marselha
author: Donald L. Wasson
translator: Raimundo Raffaelli-Filho
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10139/marselha/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-04-07
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# Marselha

_Escrito por [Donald L. Wasson](https://www.worldhistory.org/user/DWasson/)_
_Traduzido por [Raimundo Raffaelli-Filho](https://www.worldhistory.org/user/raffaelli-filho)_

Ao longo da costa noroeste do Mar Mediterrâneo, entre a Espanha e a [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/), encontra-se a antiga cidade de *Massilia* (atual Marselha). Originalmente fundada em 600 a.C. por gregos jônicos de Foceia (em latim *Phocaea*), a cidade um dia desafiaria o poder de [Cartago](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-205/cartago/) (derrotando-a nos séculos V e VI a.C.) e dominaria a região, estabelecendo diversas colônias no sul da Gália durante os séculos III e IV a.C. Há também algumas evidências de que marinheiros de Marselha chegaram a viajar além das [Colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/) de [Hércules](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10115/hercules/), através do Estreito de Gibraltar, até a costa oeste da África.

De acordo com a maioria das fontes, a cidade foi fundada em terras obtidas dos lígures Segobriges. Protis, um grego da Foceia, estava à procura de novos entrepostos comerciais quando se deparou com a enseada de Lacidão (atual Porto Velho de Marselha). É aqui que a história e a lenda se fundem. O rei dos Segobriges, Nannus, convidou o jovem grego para um banquete onde sua filha, Gyptis, deveria escolher o marido entre vários pretendentes. Para surpresa de todos, especialmente de Protis, ela abandonou os gauleses favoritos e presenteou Protis com a taça cerimonial. As fontes divergem sobre se a taça continha água ou vinho. Como presente de casamento, o rei concedeu aos recém-casados ​​as terras que se tornariam Marselha (para os gregos, *Massalía*). A cidade, situada sobre três colinas e com vista para o porto, se tornaria um dos primeiros portos da [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) Ocidental e um centro do comércio marítimo. Os gregos também exerceriam uma profunda influência em toda a região de outras maneiras. Segundo fontes antigas, eles ensinaram aos habitantes locais o “estado de direito”, como cultivar a terra e, sobretudo, a “civilidade”.

A história de Protis e da fundação de Marselha, no entanto, tomaria rumo sombrio. Após a morte do rei, seu filho e herdeiro passou a considerar a cidade uma ameaça que precisava ser silenciada. O plano era invadir a cidade à noite, matando seus habitantes; no entanto, o plano foi frustrado quando um parente do rei (que se apaixonara por uma jovem grega) revelou o plano. Os lígures participantes, o jovem rei e sete mil de seus seguidores foram todos mortos.

Devido à sua localização estratégica, a cidade cresceria rapidamente, desfrutando de uma segunda onda de emigração, em 525 a.C., após a queda de Foceia. A presença da cultura grega (especialmente sua arquitetura e arte) em Marselha teve efeito duradouro desde a Gália, no noroeste, até a Espanha, no extremo oeste; essa influência tornou-se mais evidente com a chegada do vinho e das azeitonas gregas como produtos agrícolas. Embora a cidade permanecesse grega em sua essência - completa com teatro, ágora, templos e docas - sua localização a impediu de participar de quaisquer guerras gregas na Grécia. Em vez disso, encontrou um aliado em sua vizinha Roma. Mantendo sua independência, a cidade auxiliou Roma (fornecendo navios) durante a Segunda Guerra Púnica contra Cartago (218-202 a.C.).

Essa lealdade a Roma logo renderia frutos. Em 125 a.C., quando os Sullúvios, do sul da Gália, ameaçaram a segurança de Marselha, a cidade apelou a Roma por ajuda, com sucesso. Posteriormente, a cidade serviu como elo entre a Gália e seu desejo por produtos romanos (principalmente vinho) e a necessidade de Roma por recursos e escravos. Embora a cidade continuasse a ter laços com a República, ainda era capaz de manter sua forma oligárquica de governo, com assembleia de seiscentos membros que elegiam quinze magistrados, três dos quais tinham poder executivo - essa independência, porém, logo chegaria a um fim abrupto.

[ ![The Dying Gaul](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/205.jpg?v=1774947432) O Gaulês Moribundo antmoose (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/205/the-dying-gaul/ "The Dying Gaul")Em 49 a.C., a cidade cometeu o erro de apoiar [Pompeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-550/pompeu/) em sua batalha contra [Júlio César](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-95/julio-cesar/). Enquanto César marchava para a Espanha, o povo de Marselha fechou-lhe os portões da cidade. Deixando três legiões para continuar o ataque à cidade, César prosseguiu para a Espanha. Após bombardeio constante com torres de cerco, rampas de cerco e aríetes, a cidade logo se rendeu. Embora César tenha optado pela misericórdia, a cidade ainda sofreu, perdendo grande parte do território circundante e, principalmente, sua independência, tornando-se membro (não por escolha própria) da República.

Nos estágios finais do [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/), a importância da cidade como centro comercial declinou, embora tenha mantido a reputação de cultura e conhecimento gregos. Mais tarde, com a ascensão do [cristianismo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-665/cristianismo/), Marselha tornou-se o centro monástico e abrigo para refugiados em fuga dos bárbaros do norte. Como outras colônias e cidades romanas, caiu sob o domínio dos ostrogodos e visigodos em meados do século V e, por fim, dos [francos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13497/francos/).

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- Bagnall, R.S. et al. *Encyclopedia of Ancient History.* Wiley-Blackwell, London, 2012
- Hornblower, S. *Oxford Classical Dictionary.* Oxford University Press, 1996

## Sobre o Autor

Donald ensina História Antiga, Medieval e dos Estados Unidos no Lincoln College (Normal, Illinois) e sempre foi e sempre será um estudante de História, dedicando-se, desde então, a se aprofundar no conhecimento sobre Alexandre, o Grande. É uma pessoa ávida a transmitir conhecimentos aos seus estudantes.

## Histórico

- **c. 600 BCE**: Phocaea founds the colony of [Massilia](https://www.worldhistory.org/massilia/).
- **525 BCE**: Second wave of emigration of Greeks to [Massilia](https://www.worldhistory.org/massilia/).
- **49 BCE**: [Massilia](https://www.worldhistory.org/massilia/) closes [city](https://www.worldhistory.org/city/) gates to [Caesar](https://www.worldhistory.org/disambiguation/caesar/).
- **49 BCE**: [Julius Caesar](https://www.worldhistory.org/Julius_Caesar/) besieges [Massilia](https://www.worldhistory.org/massilia/).

## Cite Este Artigo

### APA
Wasson, D. L. (2026, April 07). Marselha. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10139/marselha/>
### Chicago
Wasson, Donald L.. "Marselha." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. *World History Encyclopedia*, April 07, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10139/marselha/>.
### MLA
Wasson, Donald L.. "Marselha." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. *World History Encyclopedia*, 07 Apr 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10139/marselha/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Raimundo Raffaelli-Filho](https://www.worldhistory.org/user/raffaelli-filho/ "User Page: Raimundo Raffaelli-Filho"), publicado em 07 April 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

