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title: Triunfo Romano
author: Mark Cartwright
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-14737/triunfo-romano/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2023-10-09
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# Triunfo Romano

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

O triunfo romano era a celebração espetacular realizada na antiga Roma para o comandante militar que tivesse obtido uma vitória importante no campo de batalha. Concedido pelo Senado, tratava-se de um luxuoso e divertido espetáculo de propaganda, que relembrava ao povo a glória de Roma e sua superioridade militar sobre as demais nações.

Mais tarde, como se tornaram tão populares e importantes para as ambições dos comandantes, os triunfos ficaram reservados somente para os imperadores. A extravagância das procissões aumentou com o tempo, pois, em alguns casos, governantes altamente impopulares buscavam agradar o povo romano com um show inesquecível.

### Fontes Antigas

Muitos triunfos, pela sua importância na vida política, com celebrações que se estendiam longos períodos, acabaram sendo bem documentos pelos romanos, ainda que fontes posteriores, ansiosas por impressionar a casa real, tendessem ao exagero. Inicialmente, os triunfos homenageavam qualquer comandante sênior que realizasse ações militares de destaque (ou que comandasse os oficiais subordinados responsáveis por elas) e tivesse trazido seu exército de volta a Roma, mas, no final da República, as regras eram descumpridas com frequência e, no período imperial, o privilégio tornou-se menos habitual. Isso ocorreu porque o imperador, preocupado em manter o afeto do público dirigido a si mesmo, tornou a parada uma exclusividade da casa real.

De acordo com o historiador Orósio (século V d.C.), houve 320 triunfos em Roma até o século I d.C.. Também dispomos de uma lista fragmentada (parte do *Fasti Triumphales*) de todos os triunfos da República, que apareceu em primeiro lugar, provavelmente, no Arco de [Augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/), situado no Fórum Romano e datado de 20 a.C.. Independente de exatamente quantos foram, no entanto, cada triunfo costumava deslumbrar os cidadãos, ainda que não houvesse carência de espetáculos de entretenimento em Roma.

### Triunfos Republicanos

Os historiadores romanos descrevem até os primeiros reis celebrando triunfos, mas trata-se provavelmente de pura ficção. É possível que a procissão tivesse originalmente um teor religioso (mantido posteriormente), envolvendo oferendas de alimentos ao [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) da fertilidade, Liber, para assegurar uma boa colheita. Também pode ter sido uma tradição emprestada dos etruscos, mas não há evidências a respeito.

As primeiras celebrações das vitórias militares romanas foram, sem dúvida, muito mais modestas e diretas mas, a partir das [Guerras Púnicas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-736/guerras-punicas/), um procedimento geral começou a ser estabelecido. Primeiro, um comandante deveria receber de suas legiões uma ovação estrondosa, significando que tinha merecido o título honorário de *imperator*. O general enviaria então uma tabuinha e uma coroa de louros (símbolo de vitória nos grandes Jogos Olímpicos desde o Período Arcaico), conhecidos como uma *litterae laureatae*, ao [Senado romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15522/senado-romano/). Se o senado confirmasse a vitória e sua importância, a *salutatio imperatoria* do general estava oficializada. O comandante tinha agora o direito de prender louros em seus *[fasces](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14743/fasces/)* (o maço de feixes e machados que simbolizavam sua autoridade como magistrado) e chamar a si mesmo, como um título honorário, *Imperator*. Isso podia ser feito até o final de seu triunfo público (que ele deveria receber) ou até que cruzasse o *Pomerium*, o limite sagrado da cidade de Roma.

O próximo passo seria o comandante dirigir-se a Roma em pessoa e esperar do lado de fora do *Pomerium*. Lá ele levaria os *auspicia militaria*, os auspícios dados a ele pela cidade antes da campanha. Eles só poderiam retornar ao interior da cidade no dia de seu triunfo público, o qual agora precisava solicitar ao Senado. Porém, eram os senadores que iam até ele, reunindo-se no templo de Bellona, para ouvir seu pedido. Em algumas ocasiões houve muitos debates, mas um líder carismático e considerado popular junto ao povo, e que, além disso, contasse com amigos influentes, sempre tinha uma boa chance de conseguir seu triunfo.

As cerimônias triunfais variavam, mas os elementos comuns eram evidentes. Geralmente duravam um dia inteiro e começavam com um discurso antes da primeira refeição matinal. O comandante vitorioso falaria diante do senado, magistrados, seu exército e o público. A multidão então o saudaria, seguindo-se orações apropriadas de agradecimento dirigidas aos deuses e então uma homenagem às legiões, com menções específicas a indivíduos por suas contribuições; entrega de condecorações de valor; e distribuição de dinheiro aos soldados.

[ ![The Triumph of Aemilius Paulus](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/3674.jpg?v=1689300606) O Triunfo de Emílio Paulo Fotopedia (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/3674/the-triumph-of-aemilius-paulus/ "The Triumph of Aemilius Paulus")Após a primeira refeição matinal, o vitorioso vestia mantos especiais, tingidos de púrpura, e oferecia sacrifícios aos deuses. Estava pronto para seu grande momento. A procissão entrava na cidade num ponto específico, a *Porta Triumphalis*, um portão usado somente com este propósito, e então prosseguia pelas ruas e praças de Roma, numa rota escolhida pelo comandante. Os cônsules e políticos iriam na frente, seguidos por vários prisioneiros que se destacaram no campo de batalha – o melhor seria um cativo de sangue real, talvez teatralmente acorrentado. Certos episódios da batalha podiam ser representados na procissão através de pinturas ou mesmo apresentações em tempo real com a participação de prisioneiros. Se a ocasião se referisse a uma vitória naval, haveria um tema náutico correspondente, com a exibição de esporões de navios e equipamentos capturados. Músicos, portadores de archote e porta-bandeiras conferiam mais pompa ao espetáculo, bem como exemplares de flores e animais exóticos da região conquistada. Em seguida vinham os espólios de guerra e, quanto mais ouro e prata para exibir, melhor. Depois vinham os lictores (oficiais que acompanhavam os magistrados), que carregavam os *fasces* decorados com folhas de louro, e, então, o próprio comandante.

Estrela do show, paramentado como um deus, o vitorioso desfilava num carro alto e espetacular, puxado por quatro cavalos. Portava uma coroa de louros e carregava um galho de louro na mão direita. Na mão esquerda, segurava um cetro de marfim com uma águia no topo, símbolo do triunfo. Um escravo o acompanhava e sua tarefa consistia em segurar acima da cabeça do general uma coroa dourada e continuamente sussurrar em seu ouvido que, apesar de toda aquela adoração, deveria lembrar-se de que era apenas um mortal e não um deus. Para atingir este objetivo, o escravo repetiria *respice* ou "olhe para trás". Após o carro do comandante, vinham as crianças do vitorioso e oficiais a cavalo. Finalmente, vinham as tropas, que geralmente cantavam canções para evitar o ciúme dos deuses e, se fosse o caso, uma multidão de civis agradecidos que haviam obtido sua liberdade pela derrota do inimigo na batalha.

Quando a procissão alcançava por o templo de Júpiter Optimus Maximus, na Colina Capitolina, o comandante *imperator* libertaria, de forma magnânima, um prisioneiro ou dois (no período imperial eles eram geralmente mortos na prisão do Fórum) e então sacrificava um touro e oferecia parte dos espólios de guerra para o deus. Ele também ofertava algumas das folhas de louro e assim completava o círculo que havia iniciado com seu juramento de dever, antes de sair em campanha. Encerrando a cerimônia, os convidados especiais sentavam-se num grande banquete dentro do templo; a partir do final da República, o banquete estendia-se à população em geral também. Depois da festa, uma multidão levaria o comandante de volta para casa, assegurando-se de que estivesse são e salvo após o grande dia.

### Ovações

A ovação consistia numa celebração em nível menor do que o triunfo. Era concedida para vitórias sobre oponentes mais fáceis (com menos do que 5.000 perdas) ou aqueles considerados menos honrosos, como piratas ou escravos revoltosos. Foi o que ocorreu, por exemplo, com [Marco Licínio Crasso](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11534/marco-licinio-crasso/), após ter esmagado [a revolta de Espártaco](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-871/a-revolta-de-espartaco/): ele teve direito a uma mera ovação. Esta celebração também era considerada mais apropriada para batalhas indefinidas. Algumas das diferenças principais, sem mencionar o menor prestígio e pompa: o comandante não vinha num carro, mas a cavalo ou mesmo a pé; os soldados em geral não participavam; e uma ovelha era sacrificada ao final da procissão, não um touro. A vestimenta do comandante também não tinha nada de particularmente especial, pois trajava o manto de um magistrado e uma coroa de murta, não de louros. Algumas vezes os comandantes, após a recusa pelo Senado em conceder dinheiro público e o direito de realizar uma ovação ou triunfo oficiais, promoviam uma versão própria e menor da festa nas Colinas Albanas. Houve também uma ou duas pessoas que tentaram promover um triunfo fora de Roma - Albúcio, em 104 a.C., realizou um na Sardenha, e [Marco Antônio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10057/marco-antonio/), em 34 a.C., em Alexandria - mas tais eventos foram considerados de muito mau gosto pela elite governante romana.

### Triunfos Imperiais

O tempo passou e cada triunfo tornou-se maior do que os precedentes, com todo o evento podendo durar vários dias. Foi o que ocorreu especialmente quando comandantes como [Júlio César](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-95/julio-cesar/), em 46 a.C., e Otaviano, em 29 a.C., celebraram vários triunfos em dias sucessivos. [Pompeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-550/pompeu/) deve levar o crédito por elevar o nível do espetáculo, já que teve direito a três triunfos, em 80, 71 e 61 a.C., cada qual mais magnífico do que o anterior. Um mestre da propaganda comemorativa, ele foi ao extremo de construir o primeiro teatro permanente, em pedra, para garantir que sua glória sobreviveria pelos séculos seguintes. Júlio César foi mais além e construiu um novo fórum. Desde então, financiar a construção de edifícios públicos com espólios da vitória tornou-se prática comum.

[ ![Triumph of Marcus Aurelius](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/5040.jpg?v=1599405304) Triunfo de Marco Aurélio Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/5040/triumph-of-marcus-aurelius/ "Triumph of Marcus Aurelius")Seria Augusto, o primeiro imperador, no entanto, que causaria o efeito mais duradouro na instituição, ao garantir que somente a família imperial pudesse deleitar-se na glória pública de um triunfo. O último triunfo não-real foi o de Cornélio Balbo, em 19 a.C., por suas campanhas na África. Quando [Marco Agripa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14477/marco-agripa/) decidiu desistir de um triunfo, em 14 a.C., isso mais ou menos estabeleceu o precedente de que a maior das honras romanas seria muito mais exclusiva. Augusto, em vez do triunfo, ofereceu aos comandantes vitoriosos a possibilidade de portar uma coroa de louros quando compareciam aos jogos, um privilégio daqueles que tivessem recebido um triunfo na era Republicana.

O triunfo de [Vespasiano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10437/vespasiano/) e seu filho Tito, em 71 d.C., pela vitória na Judéia, foi notável pela incrível exibição de riquezas saqueadas do [templo de Jerusalém](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-852/templo-de-jerusalem/) mas, desde então, os triunfos se tornaram raros: menos de 20 nos 200 anos seguintes. Os registros são incompletos em relação aos triunfos do período imperial, mas sabemos que um dos últimos pode ter sido o de 303, para [Diocleciano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-697/diocleciano/) e Maximiniano, em seguida às vitórias de ambos na África e Britânia. Alguns historiadores consideram o último triunfo como sendo o de Belisário, que derrotou os persas e vândalos, mas esta procissão foi realizada em [Constantinopla](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-700/constantinopla/), não em Roma.

Outra mudança quanto aos triunfos da era imperial foi o fato de que, quando eram promovidos, algumas vezes isso ocorria por razões meramente políticas e não como a marca de sucessos militares. Em acréscimo, a construção de arcos monumentais se tornou a definitiva, e mais duradoura, forma dos governantes comemorarem vitórias militares e a contribuição pessoal para a grandeza de Roma. Uma sábia decisão, talvez, pois estes arcos, entre todos os edifícios de Roma, representam alguns dos mais bem preservados monumentos da vaidade romana, e ainda dominam o panorama urbano da cidade moderna após 2.000 anos.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- Bagnall, R. et al. *The Encyclopedia of Ancient History.* Wiley-Blackwell, 2012
- [Campbell, B. et al. *The Oxford Handbook of Warfare in the Classical World.* Oxford University Press, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/0195304659/)
- [Hornblower. *The Oxford Classical Dictionary.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199545561/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Histórico

- **211 BCE**: [Marcus Claudius Marcellus](https://www.worldhistory.org/Marcus_Claudius_Marcellus/) is given a [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) for his capture of [Syracuse](https://www.worldhistory.org/syracuse/) and victories in [Sicily](https://www.worldhistory.org/sicily/).
- **80 BCE**: [Sulla](https://www.worldhistory.org/sulla/) is persuaded to give [Pompey](https://www.worldhistory.org/pompey/) his first [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **71 BCE**: [Pompey](https://www.worldhistory.org/pompey/) is granted his second [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) for his victories in Spain.
- **61 BCE**: [Pompey](https://www.worldhistory.org/pompey/) is granted his third [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/) for his exploits in Asia.
- **46 BCE**: [Julius Caesar](https://www.worldhistory.org/Julius_Caesar/) celebrates a quadruple [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **34 BCE**: [Mark Antony](https://www.worldhistory.org/Mark_Antony/) celebrates an unofficial [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) in [Alexandria](https://www.worldhistory.org/alexandria/) following his victories in [Armenia](https://www.worldhistory.org/armenia/).
- **29 BCE**: [Octavian](https://www.worldhistory.org/augustus/) celebrates a triple [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/).
- **71 CE**: [Vespasian](https://www.worldhistory.org/Vespasian/) and [Titus](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Titus/) celebrate a [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/) following victory in [Judaea](https://www.worldhistory.org/disambiguation/judaea/).
- **330 CE**: [Diocletian](https://www.worldhistory.org/Diocletian/) and Maximian celebrate a [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) in [Rome](https://www.worldhistory.org/Rome/) for their victories in [Britain](https://www.worldhistory.org/disambiguation/Britain/) and [Africa](https://www.worldhistory.org/disambiguation/africa/).
- **534 CE**: [Belisarius](https://www.worldhistory.org/Belisarius/) celebrates a [triumph](https://www.worldhistory.org/Roman_Triumph/) in [Constantinople](https://www.worldhistory.org/Constantinople/) following victories against the Persians and [Vandals](https://www.worldhistory.org/Vandals/).

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2023, October 09). Triunfo Romano. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-14737/triunfo-romano/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Triunfo Romano." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, October 09, 2023. <https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-14737/triunfo-romano/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Triunfo Romano." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 09 Oct 2023, <https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-14737/triunfo-romano/>.

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Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 09 October 2023. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

