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title: Safo de Lesbos
author: Joshua J. Mark
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-13155/safo-de-lesbos/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2023-03-17
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# Safo de Lesbos

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

Safo de Lesbos ( c. 620-570 a.C.) foi uma poetisa lírica cujas obras se tornaram tão populares na [Grécia Antiga](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-119/grecia-antiga/) que ela foi homenageada com estátuas, moedas e cerâmicas por séculos após sua morte. Muito pouco subsistiu de suas obras, e estes fragmentos sugerem que ela era gay. Seu nome inspirou os termos "sáfica" e "lésbica", ambos referentes a relacionamentos homossexuais entre mulheres.

É possível que ela não tenha sido gay e que a Safo que aparece em suas obras mencionando uma amante sem nome seja uma personagem. Isso não parece provável, entretanto, já que escritores da Antiguidade, que tiveram acesso a uma porção maior de suas obras do que as que sobreviveram nos dias atuais, celebraram sua poesia mas a criticaram por se comportar como uma "mulher masculina". Muito pouco se conhece sobre sua vida e dos nove volumes de sua obra, amplamente lidos na Antiguidade, somente 650 linhas são conhecidas atualmente. O que é conhecido sobre ela provêm de três fontes:

- A *Suda* (século X)
- Referências de escritores da Antiguidade
- Sua poesia

Lendas posteriores afirmam que suas obras foram propositalmente destruídas pela Igreja medieval para suprimir a poesia sobre amor lésbico. Embora existam evidências de que o Papa Gregório VII tenha ordenado que suas obras fossem queimadas (c. 1073), muitas já deviam ter sido perdidos àquela altura simplesmente porque não foram traduzidas ou copiadas. Safo escrevia no dialeto grego eólico, de difícil tradução para os escritores latinos, em geral bem versados no grego ático ou homérico. Eles estavam conscientes de que havia uma poetisa muito celebrada através das obras de outros, e preservaram aqueles poemas já copiados, mas não traduziram outros por desconhecerem o dialeto.

Ainda assim, sua reputação como uma das maiores poetisas do seu tempo foi mantida pelos que escreveram sobre sua vida ou citaram suas obras. Algumas biografias devem ter sido escritas durante sua vida ou logo após, pois a essência de sua trajetória era conhecida por autores posteriores mas, com exceção de inscrições como o Mármore (ou Crônica) de Paros - uma coletânea de eventos na Grécia entre 1582-299 a.C. -, não sabemos que obras eram essas.

Ela foi altamente elogiada por [Platão](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-349/platao/) (428/427-348/347 a.C.), que também abordou os relacionamentos homossexuais em suas obras e, conforme alguns estudiosos, inspirou-se em Safo para sua própria visão do amor romântico. Nos dias atuais, ela é encarada como uma grande poetisa gay e uma inspiração para muitos integrantes ou não da comunidade LGBTQI+.

### A Vida de Safo

Safo nasceu na ilha de Lesbos, na Grécia, numa família aristocrática. Eruditos sustentam que sua riqueza permitia-lhe viver como bem entendesse, mas não há evidências disso. Muitas mulheres na Grécia antiga casavam-se de acordo com as tradições e os costumes de suas cidades-estados, e a riqueza de Safo não a faria imune às expectativas sociais e familiares. É mais provável que tenha sido capaz de viver como desejava por causa da elevada estima com a qual as mulheres eram mantidas em Lesbos, além de sua própria personalidade singular. A historiadora Wendy Slatkin assinala:

> Considerando as severas restrições nas vidas das mulheres, sua inabilidade de se mover livremente em sociedade, conduzir negócios ou adquirir qualquer tipo de treinamento não-doméstico, não surpreende que não se encontrem nomes de importantes artistas femininas que tenham vindo até nós da era clássica. Somente a poetisa Safo recebeu foi enaltecida pelos gregos; Platão referia-se a ela como a décima-segunda Musa. De forma significativa, ela não veio de [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-292/atenas/) ou [Esparta](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-197/esparta/) mas de Lesbos, uma ilha cuja cultura incorporava um elevado respeito pelas mulheres. (42)

A referência de Slatkin a Platão, que chamou Safo de "a décima-segunda musa" (geralmente citada por eruditos como "a décima musa") alude ao seu alegado elogio a ela como integrando a companhia das Nove [Musas](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-787/musas/), que inspiravam a arte, música, dança e poesia. Não há evidência concreta de que Platão tenha feito tal declaração e acredita-se que seja uma criação de autores posteriores, que a atribuíram ao filósofo grego. Ainda assim, o fato desta frase existir ressalta a persistente reputação poética de Safo.

[ ![Sappho of Lesbos, Smyrna](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2345.jpg?v=1678422365) Safo de Lesbos, Esmirna Carole Raddato (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2345/sappho-of-lesbos-smyrna/ "Sappho of Lesbos, Smyrna")Conta-se que ela tinha uma escola para meninas em Lesbos, mas isso parece ser uma invenção posterior, do século XIX, que a confunde com sua protegida Damófila, que administrava uma escola semelhante em Panfília. Ainda assim, é provável que tenha administrado uma escola para meninas e tenha passado este legado para sua aluna. Acredita-se que pais ricos enviavam suas filhas para estudar eloquência com Safo e melhorar suas perspectivas matrimoniais.

A maior parte dos detalhes de sua vida foram perdidos, mas sabe-se que ela foi educada aprendendo a tocar lira e chegou a compor músicas; pode ter se casado com um homem que faleceu; pode ter tido uma filha chamada Cleis (em homenagem à mãe da poetisa); tinha três irmãos - Eurígio, Caraxo e Lárico -, os dois últimos mencionados num poema. Ela nasceu em uma família bem estabelecida, mais provavelmente de negociantes de vinho ou envolvida em exportação de vinho de Lesbos. Conta-se que a família foi exilada duas vezes na Sicília devido a disputas políticas. Ela era famosa o suficiente para ter estátuas erguidas e cerâmicas elaboradas em sua honra e, mais tarde, moedas cunhadas com seu nome e imagem. A historiadora Vicki Leon comenta:

> Mitilene, capital de Lesbos, orgulhosamente lançou moedas de Safo; algumas foram encontradas daquele período até o século III - novecentos anos após a morte da poetisa. Safo (ou, pelo menos, sua fama) monopolizou também o equivalente da Antiguidade a uma concessão para uso de imagem em camisetas: seu retrato e nome aparecem em vasos, bronzes e, mais tarde, em muitas artes romanas. (151)

Ela é descrita em textos antigos como de baixa estatura e de compleição morena. Um interesse romântico em mulheres é evidente em sua poesia, mas a maioria dos eruditos não aconselha a leitura de sua obra em termos biográficos. Da mesma forma que poetas através dos tempos têm escrito obras expressando uma pessoa diferente de si mesmos, Safo poderia ter composto seus poemas desta forma.

A intimidade e profundidade de sentimento sugerem que Safo era lésbica, mas isso não significa que realmente fosse. A descrição de [Homero](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-225/homero/) da guerra grega e a poeira e o sangue diante de [Troia](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-372/troia/) não significam que ele foi um participante daquelas batalhas; somente que era um grande poeta. Como não há distinção entre relacionamentos homossexuais ou heterossexuais na Grécia antiga (ou em qualquer outro lugar na época, pois os termos são uma invenção moderna), é provável que Safo tenha abordado uma ampla variedade de tópicos e não houvesse razão para excluir a orientação sexual de seus personagens, não mais do que qualquer aspecto de um indivíduo. O estudioso Sir Richard Livingstone comenta:

> A simplicidade grega nos faz lembrar os interesses centrais do coração humano. A honestidade grega é um desafio para ver o mundo como é e evitar o vazio da mera música, as falsidades de retórica ou sentimento, a incompletude de autores que, ao invés de verem a vida como um todo, ignoram ou enfatizam as partes dela conforme ditado por suas próprias simpatias pessoais. (286)

Enquanto é possível, portanto, que Safo fosse uma lésbica, é igualmente possível que ela tenha escrito sobre muitos temas, mas que suas obras expressando o amor lésbico tenham sido aquelas que sobreviveram intactas. Estas eram possivelmente as mais populares, pois mencionavam o amor romântico, um tema tão popular entre a audiência da Grécia antiga quanto atualmente.

### A Sexualidade de Safo

É geralmente aceito que Safo fosse uma poetisa gay cujo trabalho tornou-se tão popular que, ao fim do século VI a.C., o significado do termo lésbico tinha mudado de "proveniente de Lesbos" para "uma mulher que prefere seu próprio sexo". O poeta lírico grego Anacreonte (c. 582-c. 485 a.C.), escrevendo posteriormente, faz menção a uma mulher de Lesbos como lésbicas na acepção moderna do termo. No verso a seguir, o narrador adverte um pretendente para se afastar de uma jovem que não tinha interesse em homens:

> Não aquela jovem - ela é de outro tipo,
> Alguém de Lesbos. Desdenhosamente,
> Torce o nariz para meus cabelos prateados,
> Ela se interessa pelas moças. (Salisbury, 316)

No diálogo de Platão intitulado *Fedro*, [Sócrates](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-339/socrates/) enaltece tanto Safo quando Anacreonte como autoridades sobre amor, referindo-se a eles como "Safo, a adorável e Anacreonte, o sábio" (235c). O erudito E. E. Pender assinala que "a razão pela qual Platão homenageia Safo e Anacreonte é que ambos capturaram e expressaram tão vividamente o choque do amor" (1). Que tenha sido a própria Safo, não uma personagem, a expressar sentimentos românticos por uma mulher é apoiado por autores posteriores, que mencionam Lesbos da mesma forma que Anacreonte após a fama da poetisa ter se estabelecido.

[ ![Sappho of Lesbos, Palazzo Massimo](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2123.jpg?v=1678422363) Safo de Lesboa, Palazzo Massimo Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2123/sappho-of-lesbos-palazzo-massimo/ "Sappho of Lesbos, Palazzo Massimo")Mesmo assim, e embora ela seja normalmente mencionada como uma poetisa gay em tempos modernos, não há um texto definitivo identificando-a como tal. Afirmar que ela seja gay com base em seus versos é o mesmo que alguém declarar que Bruce Springsteen seja um operário ao se basear em suas canções. O melhor que podemos dizer é que ela provavelmente tenha sido gay e se tornou famosa por articular a experiência do amor sentida por qualquer um, independente de sua orientação sexual.

As estudiosas Mary R. Lefkowitz e Maureen B. Fant destacam que "muitos dos poemas \[de Safo\] descrevem um mundo que homens nunca viram: o profundo amor que mulheres poderiam sentir por outra numa sociedade que mantinha os sexos apartados" (2). Seguindo esta linha, a habilidade de Safo de expressar o amor lésbico tão perfeitamente em sua obra é um ponto a favor para sua orientação sexual lésbica embora, novamente, isso não possa ser afirmado com certeza.

### A Poesia de Safo

Os trabalhos que sobreviveram são profundas reflexões pessoais sobre o desejo, amor e perda. Livingstone assinala:

> Na vida, os seres humanos voltam-se de uma ampla variedades de interesses para umas poucas coisas simples; ou, se não o fazem, correm o risco de perder suas almas. Na literatura, que é a sombra da vida, eles precisam fazer o mesmo. (259)

Safo parece ter compreendido isso claramente e focou seu trabalho nas mais básicas e perenes emoções humanas. A estudiosa Suzanne MacAlister comenta:

> Safo é a primeira poetisa grega que sobreviveu a escrever expressamente sobre o sentimento gerado pelo amor. O melhor exemplo disso é encontrado naquele que é talvez o fragmento mais famoso de Safo - *phainetai moi* - que também se sobressai entre a poesia de amor [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-71/escrita/) por homens ao falar sobre a manifestação física da emoção. A manifestação física de amor nos versos de Safo não é expressada como sexual. Não há praticamente nada em quaisquer dos fragmentos que mencione atos sexuais entre mulheres. (Aldrich & Wotherspoon, 392)

Ao invés disso, Safo concentra-se no que a narradora do poema está sentindo, a súbita excitação de se apaixonar. Os títulos originais de suas obras, com exceção da *Ode a [Afrodite](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-494/afrodite/)*, foram perdidos e atualmente os fragmentos são conhecidos ou por números (que variam de acordo com as traduções) ou a primeira linha, como em *Phainetai Moi* ("Ele me parece"), no qual a narradora expressa seus sentimentos enquanto observa um casal, talvez num banquete, e detalha estes sentimentos sobre a mulher:

> Ele me parece ser igual aos deuses - 
> Quem quer que seja que se sente à sua frente 
> E a ouça 
> Falando docemente 
> E rindo tão desejável, o que faz 
> O coração em meu peito voar. 
> Pois sempre que olho para você por um instante 
> Não posso encontrar uma simples palavra, 
> Mas minha língua está travada, e instantaneamente 
> Um fogo delicado corre sob minha pele, 
> E não vejo nada com meus olhos, meu 
> Coração acelera 
> Um suor frio me cobre, tremendo 
> Fico por inteiro, estou mais pálida do que a relva, 
> E penso que estou perto 
> De morrer. 
> Mas tudo pode ser aventurado.
> (Versão livre da tradução para o inglês de Plant, 14-15)

A última linha também costuma ser citada como "tudo pode ser suportado", alterando o significado do poema da narradora querendo buscar um relacionamento (aventurado) para ela tendo que suportar seus sentimentos sem ser capaz de expressá-los para a amada.

[ ![Musical Scene on a Bell Krater](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14201.jpg?v=1648762862) Cena Musical numa Cratera (Vaso) em forma de Sino Metropolitan Museum of Art (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/14201/musical-scene-on-a-bell-krater/ "Musical Scene on a Bell Krater")A simplicidade da construção em sua obra concentra a atenção do leitor no momento emocional em si e, como em toda a grande poesia, cria uma experiência que é facilmente reconhecível. Outro famoso exemplo disso é seu poema "Não recebi nem uma palavra dela", às vezes denominado *Despedida*. Segundo se acredita, o poema teria sido escrito por Safo para sua amante, uma cortesã. A narradora do poema pode ter sido forçada a se despedir da amante devido à sua ocupação, pois a cortesã havia sido contratada por um cliente e precisava ir embora:

> Não recebi nem uma palavra dela
> Francamente, gostaria de estar morta 
> Quando ela partiu, chorou
> Bastante: disse para mim, "Esta despedida deve ser 
> suportada, Safo. Vou contra a vontade."
> Eu disse, "Vá e seja feliz 
> mas lembre-se (você sabe 
> muito bem) a quem você deixa acorrentada pelo amor
> Se me esquecer, pense 
> em nossas oferendas a Afrodite 
> E todo o afeto que compartilhamos
> todas as grinaldas de violeta, 
> botões de rosa trançados, aneto e 
> açafrão entrelaçado em torno de seu jovem pescoço
> mirra sobre sua cabeça 
> e em tapetes macios garotas com 
> tudo o que elas mais desejavam a seu lado
> Enquanto não se entoavam 
> nossos refrões, 
> nenhum bosque floresceu na primavera sem canto."
> (Versão livre da tradução para o inglês de Barnard, Safo, 1)

A intimidade deste poema é característica de todos os trabalhos de Safo que sobreviveram. Ela não somente era uma poetisa brilhantemente honesta, mas também uma virtuosa em termos de técnica. Ela inventou uma métrica completamente nova para a poesia, atualmente conhecida como Métrica Sáfica ou Estrofe Sáfica, que consiste em três linhas de onze sílabas e uma linha de conclusão de cinco sílabas. O poema a seguir, conhecido apenas por sua primeira linha, mas também como *Por favor*, é um exemplo disso (embora a tradução em inglês não preserve as onze sílabas das primeiras três linhas de cada estrofe):

> Volte para mim, Gongyla, esta noite, 
> Você, minha rosa, com sua lira lídia. 
> Algo te rodeia eternamente com prazer: 
> Uma beleza desejada.
> Mesmo suas roupas roubam meu olhar. 
> Estou encantada: Eu que certa vez 
> Protestei para a deusa nascida em Chipre, 
> A quem agora imploro
> Nunca me deixe perder essa graça 
> Mas, ao contrário, traga você de volta para mim: 
> Entre todas as mulheres mortais a única 
> Que eu mais desejo ver.
> (Versão livre da tradução para o inglês de Roche, Safo, 1)

Nem toda a sua poesia, no entanto, enaltece suas amadas, como o fragmento 32 deixa claro: "Nunca encontrei uma mulher mais irritante, Irana, do que você..." (Plant, 18) A maioria, porém, são confissões íntimas de amor, incluindo sua *Ode a Afrodite*, o único poema completo que sobreviveu, no qual ela implora à deusa do amor para ajudá-la a conquistar o afeto de uma jovem mulher.

Sua poesia pode ter sido cantada com o acompanhamento da lira (daí surgiu o nome poesia lírica), em apresentações públicas, como eventos e jantares privados. Uma história famosa relatada por Estobeu (século V), que reuniu anedotas de épocas anteriores, diz o seguinte:

> Sólon de Atenas ouviu seu sobrinho cantar uma canção de Safo enquanto bebiam vinho e, uma vez que gostou tanto da canção, pediu ao garoto para ensiná-la a ele. Quando alguém lhe perguntou o porquê, ele respondeu: 'Para que eu possa aprendê-la e então morrer'.(*Florilégio* 3.29.58)

Verdadeira ou não, a história é importante pelo que revela a respeito da poesia de Safo. Sólon era considerado como um dos homens mais inteligentes que já viveram, relacionado entre os Sete Sábios da Grécia. Era conhecido por ensinar o preceito "moderação é tudo". Sua reação tão emocional à canção de Safo, de acordo com a anedota, é significativa porque mostra que alguém renomado por sua sabedoria poderia ficar tão profundamente comovido que não desejava nada mais do que aprender a canção.

### Conclusão

A causa da morte de Safo é desconhecida. O autor grego de comédias Menandro (c. 341-329 a.C.) iniciou a lenda segundo a qual ela cometeu suicídio atirando-se dos penhascos de Leucádia devido ao amor não correspondido de um belo barqueiro chamado Faonte.

> ... contam que Safo foi a primeira,
> perseguindo o orgulhoso Faonte,
> A se atirar, em desejo inflamado, da rocha
> que brilha distante. (Fragmento 258 K, de *Leukadia*)

Isso parece altamente improvável e tem sido rejeitado por historiadores atuais e tão distantes quanto o escritor grego Estrabão (c. 64 a.C.-24 d.C.). O penhasco da Leucádia (também conhecido como Cabo Leucas, na ilha de Lêucade) era um famoso "salto dos amantes", a partir de uma história na qual Afrodite jogou-se ao mar devido ao luto pela morte de Adônis. Menandro pode simplesmente ter feito uma piada com o amor romântico, ao fazer uma mulher conhecida por sua poesia lésbica matar-se por causa de um homem.

É interessante nota que a rainha [Artemísia I da Cária](https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-12523/artemisia-i-da-caria/) (c. 480 a.C.), outra mulher notável, também é mencionada como tendo cometido suicídio atirando-se ao mar e, conforme algumas fontes, no mesmo local. A história do suicídio de Artemísia também caiu em descrédito. Safo parece ter vivido até uma idade avançada e morrido de causas naturais, mas não há nenhuma certeza quanto a isso, assim como ocorre com a maioria dos eventos de sua vida.

O que está claro é que era uma poetisa de imenso talento cuja obra a tornou famosa. Sua poesia era tão popular, de acordo com Leon, que

> Não somente suas obras foram cantadas, ensinadas e citadas - mas as próprias frases que cunhou, de "amor que enfraquece os membros" a "mais dourado que o ouro" passaram a fazer parte da língua grega e foram tão utilizadas que com o tempo tornaram-se clichês. (150)

Suas performances eram muito procuradas e as composições continuaram a ser cantadas e admiradas muito tempo depois de sua morte. Safo sabia que sua poesia seria um legado, como sugere um dos seus mais citados fragmentos: "Alguém, eu lhe digo, vai lembrar-se de nós, mesmo em outros tempos" (Fragmento 77, Plant, 24). Ela se referia à sua poesia como "filhas imortais", e assim elas permaneceram, dois mil anos após sua criação, pois continuam a despertar o mesmo entusiasmo inspirado na época de sua criação.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Aldrich, R. & Wotherspoon, G. *Who's Who in Gay and Lesbian History.* Routledge, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/0415159822/)
- [Crompton, L. *Homosexuality and Civilization.* Belknap Press: An Imprint of Harvard University Press, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0674022335/)
- [Lefkowitz, M. R & Fant, M. B. *Women's Life in Greece and Rome.* Johns Hopkins University Press, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/1421421135/)
- [Leon, V. *Uppity Women of Ancient Times.* Red Wheel / Weiser, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/1573240109/)
- [Livingstone, R. *The Legacy of Greece.* Oxford University Press, 1957.](https://www.worldhistory.org/books/0198219156/)
- [Plant, I. M. *Women Writers of Ancient Greece and Rome.* University of Oklahoma Press, 2004.](https://www.worldhistory.org/books/0806136227/)
- [Plato & Jowett, B. *The Phaedrus Of Plato.* Scribners Publishing, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/1680531085/)
- [Salisbury, J. E. *Encyclopedia of Women in the Ancient World.* ABC-CLIO, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/1576070921/)
- [Sappho and Anacreon In Plato's Phaedrus by E. E. Bender](https://core.ac.uk/download/pdf/51248.pdf "Sappho and Anacreon In Plato's Phaedrus by E. E. Bender"), accessed 8 Jun 2021.
- [Sappho Poetry translated by different authors](https://history.hanover.edu/courses/excerpts/211sap.html "Sappho Poetry translated by different authors"), accessed 8 Jun 2021.
- [Sappho's Fragments For Atthis](https://public.wsu.edu/~delahoyd/mythology/sappho.html "Sappho's Fragments For Atthis"), accessed 8 Jun 2021.
- [Slatkin, W. *Women Artists in History.* Pearson, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0130273198/)
- [Snyder, J. M. *The Woman and the Lyre.* Southern Illinois University Press, 1989.](https://www.worldhistory.org/books/B06XP7T6S6/)
- [Strabo. *Florilegium.* Harvard University Press, 1927.](https://www.worldhistory.org/books/0674992164/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Histórico

- **c. 620 BCE - c. 570 BCE**: Life of [Sappho of Lesbos](https://www.worldhistory.org/Sappho_of_Lesbos/).

## Links Externos

- [In Our Time, Sappho](https://www.bbc.co.uk/programmes/b05pqsk4)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2023, March 17). Safo de Lesbos. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-13155/safo-de-lesbos/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Safo de Lesbos." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, March 17, 2023. <https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-13155/safo-de-lesbos/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Safo de Lesbos." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 17 Mar 2023, <https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-13155/safo-de-lesbos/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 17 March 2023. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

