As pragas têm assolado a humanidade desde que as comunidades começaram a concentrar-se em aglomerados populacionais. Nesta coletânea de recursos, examinamos apenas algumas das pandemias que marcaram a Antiguidade e a Idade Média, desde a peste que dizimou Atenas no século V a.C. até à mais destrutiva de todas: a Peste Negra do século XIV d.C. Analisamos não só as causas, a propagação e o balanço de vítimas destes terríveis acontecimentos, mas também os efeitos duradouros que infligiram às sociedades devastadas. Se alguma consolação resta, é a de que a humanidade sempre sobreviveu e a vida, de uma forma ou de outra — muitas vezes à custa de imensas dificuldades e sacrifícios —, acabou sempre por encontrar um caminho para continuar.
Os médicos medievais desconheciam a existência de organismos microscópicos, como as bactérias, encontrando-se totalmente impotentes no plano terapêutico. Além disso, no campo onde teriam tido melhores hipóteses de ajudar — a prevenção —, viam-se severamente limitados por padrões de higiene que eram deploráveis à luz dos critérios modernos. Outra estratégia útil teria consistido em colocar as áreas afetadas em quarentena; contudo, como as populações fugiam em pânico sempre que eclodia um caso de peste, acabavam por transportar inadvertidamente a doença consigo e propagá-la ainda mais longe, ao passo que os ratos se encarregavam do resto.
A Peste Negra