O Mediterrâneo antigo e medieval pode ter sido um palco agitado de impérios em constante mudança, mas, para além da barreira inóspita do Deserto Saara, os africanos ocidentais estavam igualmente ocupados a construir e a derrubar os seus próprios reinos e impérios. Vários Estados conseguiram conquistar os Estados vizinhos menos abastados e militarmente mais fracos, forjando impérios impressionantes através da riqueza obtida de vastos rebanhos de gado, de recursos naturais como o sal e o ouro, e do controlo das rotas comerciais. Nesta coletânea, analisamos os três grandes impérios — o Império do Gana, o Império do Mali e o Império Songhai —, bem como as lucrativas relações comerciais que estabeleceram com a África Ocidental e a África do Norte. Analisamos também os importantes reinos da costa sul da África Ocidental, como Nok, Benim e Ife, e, em especial, a arte que produziram, que continua a impressionar os visitantes de museus em todo o mundo. À medida que os tentáculos comerciais dos Estados da África Ocidental se estendiam, estes passaram também a estar sob a influência do Islão, à medida que surgiam grandes cidades comerciais como Timbuktu.

Por Timbuktu passavam mercadorias lucrativas como marfim, têxteis, cavalos (importantes para o uso militar), artigos de vidro, armas, açúcar, nozes de cola (um estimulante suave), cereais (por exemplo, sorgo e milho-miúdo), especiarias, contas de pedra, produtos artesanais e escravos. As mercadorias eram trocadas ou pagas utilizando uma mercadoria previamente acordada, como lingotes de cobre ou ouro, quantidades fixas de sal ou marfim, ou mesmo conchas de búzio ( que provinham da Pérsia).