Ragnarök, frequentemente traduzido como fim ou destino dos deuses, é a destruição culminante e a renovação do cosmos na mitologia nórdica. O seu relato contínuo mais conhecido surge no Gylfaginning, parte da Edda em Prosa composta pelo erudito islandês Snorri Sturluson (1179–1241) por volta de 1220. A catástrofe desenrola-se através do colapso da ordem social, do prolongado Fimbulwinter e da quebra dos laços que contêm as forças destrutivas. Deuses, gigantes, monstros e os mortos acabam por convergir em Vígríðr para um confronto final, no qual Odin, Thor, Týr, Freyr, Heimdall, Loki, Fenrir e Jörmungandr enfrentam os destinos que lhes estão reservados.

O Ragnarök, no entanto, não é simplesmente um fim. Após o fogo de Surtr e o afundamento do velho mundo, a terra renasce, fértil e renovada; os deuses sobreviventes e os que regressam reúnem-se em Iðavöllr, dois sobreviventes humanos dão continuidade à humanidade e um novo sol segue a trajetória da sua mãe. A narrativa combina, portanto, catástrofe com regeneração, apresentando a destruição como o prelúdio de um mundo restaurado. Como Snorri escreveu na Islândia cristã vários séculos após a conversão, o seu relato deve ser entendido como uma síntese literária medieval de tradições orais, poéticas e mitológicas mais antigas, em vez de um registo inalterado de um único sistema de crenças pré-cristão.