Kamikaze ou Tokkō (abreviatura de Tokubetsu Kōgekitai, «Unidades de Ataque Especial») foi a campanha organizada pelo Japão de ataques suicidas deliberados durante a fase final da Segunda Guerra Mundial (1939–1945). Surgido no contexto da deterioração da posição estratégica do Japão em 1944, o programa refletiu a grave escassez de pilotos treinados, combustível e aeronaves modernas, bem como a crescente incapacidade das forças armadas imperiais japonesas de contestar a superioridade naval e aérea dos Aliados. As primeiras operações Tokkō oficialmente organizadas foram iniciadas sob o comando do vice-almirante Takijirō Ōnishi (1881–1945) durante a Batalha do Golfo de Leyte (outubro de 1944), onde aeronaves descartáveis foram deliberadamente lançadas contra navios de guerra aliados, num esforço para infligir perdas desproporcionadas e atrasar o avanço aliado em direção às ilhas japonesas.
Os ataques Tokkō atingiram a sua maior intensidade durante a Batalha de Okinawa (abril–junho de 1945), uma das maiores e mais dispendiosas campanhas da Guerra do Pacífico. Embora estas operações tenham danificado ou afundado inúmeras embarcações aliadas e causado perdas humanas e materiais significativas, não conseguiram alterar o equilíbrio estratégico global. Desde então, a campanha tornou-se objeto de um extenso estudo histórico, ilustrando a interação entre o desespero militar, a ideologia, a pressão institucional e o sacrifício pessoal. Para além do seu significado militar, o Tokkō continua a ser um dos símbolos mais duradouros e controversos da mobilização final do Japão durante a guerra e do custo humano da guerra total.