A Batalha de Midway, ocorrida entre 4 e 6 de junho de 1942, marcou o ponto de viragem da Guerra do Pacífico. A frota americana do Pacífico afundou quatro porta-aviões japoneses à custa da perda de apenas um porta-aviões norte-americano, o Yorktown, e destruiu cerca de 250 aeronaves japonesas. Após Midway, a Marinha Imperial Japonesa, que sofreu a sua primeira grande derrota desde o século XVI, viu-se obrigada a passar à defensiva na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), perdendo território de forma constante até que as próprias ilhas principais do Japão fossem atacadas a partir do final de 1944.
Até então, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo militar japonês tinha expandido com enorme sucesso por toda a costa do Pacífico da Ásia Oriental. No final de 1941, o Japão ocupava a Manchúria, Formosa (Taiwan), a Coreia, partes da China costeira e a Indochina Francesa (que incluía o que hoje é o Laos, o Camboja e partes da Tailândia). Em dezembro de 1941, porta-aviões japoneses enviaram aeronaves para atacar Pearl Harbor, no Havai, a base da Frota do Pacífico dos EUA. O plano foi concebido pelo almirante Yamamoto Isoroku (1884-1943), Comandante-em-Chefe da Frota Combinada. Conseguindo uma surpresa total, o ataque causou mais de 3.500 baixas e destruiu ou danificou gravemente 18 navios, incluindo oito couraçados. Crucialmente, nenhum porta-aviões norte-americano se encontrava no porto nesse dia. O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt (1882-1945), respondeu declarando guerra ao Japão.
No mesmo mês de dezembro, o Japão lançou ataques contra as Filipinas, controladas pelos EUA, e contra a Malásia, Birmânia (Mianmar) e Hong Kong, sob domínio britânico. Singapura foi capturada em fevereiro de 1942. Durante março e abril, as forças japonesas arrasaram as principais ilhas das Índias Orientais Neerlandesas (Sumatra, Java, Bornéu, Celebes e Nova Guiné). Nem todos os comandantes japoneses de patente superior estavam convencidos de que o Japão devia continuar a confrontar diretamente a Marinha dos EUA, especialmente tendo em conta os sucessos dos exércitos terrestres japonesas, mas o apoio aos planos mais agressivos de Yamamoto no mar cresceu significativamente após o Ataque Doolittle, quando bombardeiros norte-americanos atacaram a própria Tóquio em abril de 1942.
Um importante prelúdio para a Batalha de Midway, com relevância para determinar quem participaria no confronto, foi a Batalha do Mar de Coral, travada entre 4 e 8 de maio de 1942. Nela, a marinha japonesa tentou ocupar as Ilhas Salomão e a parte oriental de Papua, mas a Marinha dos EUA estava determinada a impedir uma nova expansão japonesa na região e a defender as suas rotas de abastecimento a partir da Austrália. No combate, os japoneses perderam o porta-aviões ligeiro Shōhō, enquanto a Marinha dos EUA perdeu o porta-aviões Lexington.
A batalha foi uma vitória tática japonesa, tendo em conta a tonelagem afundada, mas uma vitória estratégica dos Aliados, uma vez que a expansão japonesa tinha finalmente sido travada. Crucialmente, o porta-aviões japonês Shōkaku ficou inoperacional, com extensas avarias no seu convés de voo, e o porta-aviões Zuikaku tinha perdido demasiadas aeronaves para conseguir funcionar num futuro próximo. Os japoneses, talvez demasiado confiantes na sua capacidade de usar o que tinham, demoraram bastante a administrar reparações nestes dois navios. Em contrapartida, o porta-aviões norte-americano Yorktown, também gravemente danificado, foi reparado com uma velocidade notável para se tornar apto para o combate num espaço de poucos dias. Outro ausente notável em Midway foi o capitão Mitsuo Fuchida (1902-1976), que tinha coordenado e liderado pessoalmente a primeira vaga de ataque de aeronaves em Pearl Harbor. Fuchida foi acometido por uma apendicite e faltou a Midway.
A Batalha do Mar de Coral tinha sido a primeira batalha de porta-aviões da história, mas Midway viria a oferecer um confronto muito mais significativo. A Marinha japonesa mantinha-se decidida a atacar e destruir a verdadeira fonte de poder detida pelo inimigo: os seus porta-aviões. Ficou decidido que o local para o fazer seria o Atol de Midway. A importância estratégica de Midway, composto por duas ilhas principais com uma base militar norte-americana, significava que o seu controlo permitiria às forças japonesas ameaçar permanentemente tanto Pearl Harbor como as suas linhas de abastecimento, que retrocediam até à Austrália. O ataque a Midway recebeu o nome de código Operação MI.
O plano japonês incluía um ataque de diversão contra as Ilhas Aleutas ocidentais, o que, esperava-se, atrairia alguns navios inimigos para o extremo norte. Acreditava-se que, se uma força considerável de porta-aviões japoneses se aproximasse de Midway e as ilhas fossem invadidas por uma força terrestre, os EUA não teriam outra alternativa senão enviar a sua frota para defender o território. Os porta-aviões e os couraçados japoneses unir-se-iam então para esmagar a Frota do Pacífico dos EUA, que era menor. O fator crucial para todo o plano era a surpresa, uma vez que só funcionaria se a frota norte-americana não estivesse nas proximidades de Midway no momento da invasão. As aeronaves dos porta-aviões japoneses tinham de concluir o ataque a Midway antes da chegada de quaisquer navios de guerra norte-americanos; caso contrário, os porta-aviões japoneses ficariam altamente vulneráveis a um ataque lançado pelos aviões dos porta-aviões dos EUA.
O Japão enviou para o mar seis porta-aviões, 11 couraçados, 22 cruzadores, 65 contratorpedeiros, 21 submarinos e vários navios de apoio. No total, estiveram envolvidos 165 navios. Reunindo-se inicialmente em Guam, Saipan, Ominato e Hashirajima, as várias frotas separaram-se nos últimos dias de maio em quatro grupos de comando, com Yamamoto a liderar pessoalmente. Um grupo de comando adicional, que incluía dois porta-aviões, rumou às Aleutas. Um sexto grupo de ataque era composto por 214 aeronaves baseadas em terra, dispersas por várias ilhas sob controlo japonês.
O grupo de porta-aviões japonês que se aproximou de Midway era comandado pelo vice-almirante Chuichi Nagumo (1887-1944). A força de invasão terrestre estava sob o comando do almirante Nobutake Kondō (1886-1953). As aeronaves dos quatro porta-aviões, lideradas pelo comandante Minoru Genda (1904-1989), atacariam primeiro as defesas em Midway. O elemento do exército, composto por um regimento reforçado de 5.000 homens, pisaria depois o solo num desembarque anfíbio agendado para 7 de junho. Submarinos e dois hidroaviões seriam enviados em arco na direção de Pearl Harbor para recolher informações de reconhecimento sobre a resposta norte-americana. Tratava-se de um plano complexo com muitos grupos diferentes envolvidos, nenhum dos quais estava suficientemente perto de outro para prestar apoio, caso fosse necessário. Além disso, a calendarização estava planeada ao minuto, havendo pouca margem para atrasos em qualquer um dos elementos do plano de invasão.
A Frota do Pacífico dos EUA, comandada pelo almirante Chester W. Nimitz (1885-1966), contava apenas com três porta-aviões operacionais: o Hornet, o Enterprise e o recém-reparado Yorktown. Os serviços de inteligência militar norte-americanos conseguiram descodificar e juntar fragmentos de comunicações japonesas, informando assim Nimitz sobre o local onde o inimigo tencionava atacar: Midway. Isto significou que o ataque de diversão contra as Aleutas não atingiu o seu objetivo de afastar porta-aviões norte-americanos para aquela zona do Pacífico. Yamamoto teria beneficiado mais se tivesse usado a força das Aleutas para reforçar a sua campanha de Midway. De facto, se alguém foi enganado quanto à localização de determinados navios, foi o próprio Yamamoto. Os japoneses ficaram confusos devido a sinais de rádio deliberadamente falsos emitidos pelos serviços de inteligência dos EUA. Além disso, um voo planeado de reconhecimento fotográfico japonês sobre Pearl Harbor, destinado a verificar se os porta-aviões norte-americanos ainda se encontravam no porto, foi cancelado à última hora. Nimitz concretizou o seu plano de surpreender os japoneses ao chegar a Midway sem ser detetado.
A força-tarefa dos EUA enviada por Nimitz para Midway teria sido comandada pelo vice-almirante William Halsey, mas este encontrava-se doente no hospital. O substituto de Halsey foi o contra-almirante Frank Jack Fletcher (1885-1973), que tinha participado na Batalha do Mar de Coral. Nimitz deu ordens a Fletcher para não defender Midway (pois esta podia ser recapturada mais tarde), mas sim para destruir o maior número possível de navios japoneses, em especial os porta-aviões.
A frota norte-americana estava dividida em dois grupos. O segundo no comando de Fletcher, o contra-almirante Raymond Spruance, partiu de Pearl Harbor a 28 de maio com o Enterprise, o Hornet, cinco cruzadores e nove contratorpedeiros (Força-Tarefa 16). Fletcher levou o Yorktown e uma escolta de dois cruzadores e seis contratorpedeiros (Força-Tarefa 17) de Pearl Harbor a 30 de maio. Os dois grupos de porta-aviões juntaram forças a 2 de junho e rumaram a Midway. O plano de Fletcher consistia em evitar o combate direto com os navios japoneses, preferindo enviar aeronaves para alvejar os porta-aviões. No total, Fletcher dispunha de 221 aviões: 79 caças Wildcat, 101 bombardeiros de mergulho Dauntless e 41 aviões torpedeiros Devastator.
A força-tarefa japonesa liderada por Nagumo iniciou o seu bombardeamento a Midway a 4 de junho, mas, devido à lentidão dos submarinos em assumir posições e à falta de aeronaves suficientes a fazer o reconhecimento dos mares, faltavam informações precisas sobre qual seria a resposta dos EUA à operação japonesa, nem qual a sua dimensão. A ausência de avistamentos convenceu ainda mais os comandantes japoneses de que a frota norte-americana de Pearl Harbor não chegaria a Midway antes de as ilhas já terem sido conquistadas.
Em contrapartida, o reconhecimento norte-americano foi efetuado de forma muito mais minuciosa, e as aeronaves avistaram os navios japoneses a atacar Midway, pelo que Fletcher lançou um ataque aéreo contra eles utilizando bombardeiros a partir das ilhas. As aeronaves de caça, as unidades de artilharia antiaérea e a guarnição de 2.000 fuzileiros navais nas ilhas também se mobilizaram para a defesa. A força de bombardeiros de Midway foi facilmente neutralizada pela proteção de caças dos porta-aviões japoneses, e nenhum conseguiu atingir com sucesso a frota inimiga.
Por volta das 07:00, Fletcher arriscou-se ao lançar aeronaves do Enterprise e do Hornet para atacar os porta-aviões japoneses, mesmo sabendo que a distância estava no limite absoluto das suas capacidades e que voariam sem a escolta de caças. Os bombardeiros do Yorktown foram mantidos em reserva. Por volta das 07:30, Nagumo percebeu que, com a resistência ainda em curso e aviões inimigos importantes ainda intactos, precisaria de enviar uma segunda vaga de aeronaves para atacar Midway, mas foi exatamente nesse momento que recebeu a primeira confirmação de que os navios norte-americanos se aproximavam. O destino quis que o único setor onde os navios dos EUA foram avistados estivesse coberto por um avião cuja descolagem tinha sido atrasada em meia hora devido a um problema técnico. Além disso, nenhum dos porta-aviões japoneses dispunha de radar, ao contrário dos porta-aviões norte-americanos.
Nagumo, após alguma indecisão, decidiu que os seus bombardeiros teriam de ser mantidos a bordo e rearmados com munições mais adequadas para fazer face a esta nova e inesperada ameaça representada pela frota norte-americana. Também precisava de receber de volta os seus caças regressados do ataque a Midway; caso contrário, teriam de amerissar no mar por falta de combustível. Aconteceu que os navios japoneses viraram para norte, e as aeronaves dos porta-aviões norte-americanos deixaram de conseguir localizá-los. Muitos aviões dos EUA tiveram de aterrar em Midway ou amerissar no mar, uma vez que não tinham combustível suficiente para regressar aos porta-aviões. Encontrar e depois identificar o inimigo, dois problemas distintos, estava longe de ser fácil na imensidão do Pacífico.
Um grupo de bombardeiros torpedeiros Devastator dos EUA encontrou alguns navios japoneses, mas todos acabaram abatidos ao depararem-se com o grupo de 50 caças Mitsubishi A6M Zero que já se encontrava no ar para proteger os navios de superfície. Outros dois grupos de bombardeiros de mergulho norte-americanos descolaram dos seus porta-aviões e conseguiram localizar os navios japoneses, mas também sofreram pesadas baixas. Uma das fraquezas da Marinha dos EUA nesta altura era a falta de coordenação entre os grupos de voo lançados a partir de diferentes porta-aviões. Nenhum navio japonês foi atingido por um torpedo. Tratou-se de um início atribulado para a batalha, mas ainda decorria apenas a meio da manhã de 4 de junho.
As aeronaves dos porta-aviões japoneses ainda não tinham descolado quando uma segunda vaga de bombardeiros de mergulho dos EUA, desta vez vindos do Yorktown, chegou ao local. Os caças Zero de proteção, algo diminuídos após os primeiros ataques norte-americanos, estavam agora a regressar para reabastecer e rearmar, encontrando-se a baixa altitude quando estes novos bombardeiros — que, ao contrário das vagas anteriores, dispunham da sua própria escolta de caças — chegaram. Os Zero lançaram-se no encalço dos bombardeiros torpedeiros norte-americanos que voavam baixo, mas, muito mais alto no céu, um esquadrão de bombardeiros de mergulho dos EUA também estava a chegar, tendo agora via livre para atacar os porta-aviões japoneses Kaga, Akagi e Soryu. Os porta-aviões foram todos atingidos repetidamente. Tal como em batalhas anteriores, o fogo antiaéreo japonês proveniente das defesas dos próprios porta-aviões revelou-se lamentavelmente ineficaz — ao longo de toda a batalha, apenas 5 aeronaves norte-americanas foram abatidas por fogo a partir da superfície. A presença de tantas bombas das suas próprias aeronaves nos conveses de hangar enquanto os aviões estavam a ser rearmados revelou-se fatal, transformando o que poderiam ter sido impactos de bombas menores em golpes catastróficos. Os três porta-aviões acabaram por afundar-se.
Entretanto, os 58 bombardeiros e caças do porta-aviões Hiryu descolaram e seguiram os bombardeiros norte-americanos que agora regressavam à base. Desta forma, o Yorktown ficou exposto a um ataque total, sendo atingido primeiro por três bombas e, em seguida, por dois torpedos. Às 15:00, foi dada ordem à tripulação para abandonar o navio, embora o danificado Yorktown, sem energia e com uma inclinação de 23 graus, se tenha mantido a flutuar durante mais 48 horas até que um submarino japonês desferiu o golpe de misericórdia com mais dois torpedos. Este submarino afundou também o contratorpedeiro Hammann. A vingança pela perda do Yorktown foi rápida, uma vez que o Hiryu foi atacado do ar por uma força de bombardeiros de mergulho do Enterprise. O porta-aviões japonês foi atingido quatro vezes e ficou tão gravemente danificado que teve de ser afundado de propósito na manhã seguinte.
Incrivelmente, Yamamoto tinha perdido quatro porta-aviões em menos de 24 horas, mas estava determinado a prosseguir a batalha. O almirante japonês acreditava que um combate navio a navio podia ser vencido se fosse travado durante a noite, altura em que as aeronaves do inimigo se tornariam muito menos eficazes. O problema era que a maioria dos couraçados e cruzadores de Yamamoto se encontrava a várias centenas de milhas de distância. À medida que estes navios navegavam em direção a Midway, Yamamoto ordenou que o desembarque em Midway fosse abandonado à meia-noite de 4 de junho. Também instruiu os dois porta-aviões da força-tarefa das Aleutas, o Ryujo e o Junyo, a rumarem a sul. Se conseguisse colocar os seus navios na posição pretendida, incluindo a sua carta trunfo — o supercouraçado Yamato, com os seus nove canhões de 46 centímetros —, Yamamoto ainda acreditava que poderia alcançar o seu objetivo original de destruir os porta-aviões norte-americanos. No entanto, isto não passava de pura loucura, uma vez que os dias em que os couraçados trocavam pancada mútua já tinham passado há muito, face à nova dominância das aeronaves.
Occorreu a Fletcher e Spruance que Yamamoto podia tentar agora instigar uma batalha naval mais tradicional, pelo que retiraram prudentemente os seus navios, primeiro para este e redirecionando depois para oeste ao abrigo da escuridão. Esta manobra, juntamente com a perceção de que os dois porta-aviões do ataque às Aleutas não estariam em Midway antes de 8 de junho, levou Yamamoto a retirar os seus navios para oeste nas primeiras horas de 5 de junho.
A ação ainda não tinha terminado totalmente, uma vez que uma força-tarefa de quatro cruzadores japoneses estava a realizar, conforme planeado, um ataque noturno a Midway. As ordens para abandonar o ataque tinham sido atrasadas, mas, quando finalmente foram recebidas, a força-tarefa deu meia-volta. Na confusão gerada pela chegada de um submarino dos EUA à zona, os cruzadores japoneses Mikuma e Mogami colidiram a alta velocidade. O Mikuma afundou-se e o Mogami ficou gravemente danificado por bombardeiros norte-americanos no dia seguinte. Tendo vencido decisivamente a Batalha de Midway, foi ordenado à frota dos EUA que regressasse a Pearl Harbor na noite de 6 de junho.
As forças norte-americanas tinham perdido um couraçado, um contratorpedeiro e 144 aeronaves. 362 militares tinham morrido (Stille, pág. 91). As forças japonesas perderam quatro porta-aviões, um cruzador pesado e 275 aeronaves. Cerca de 3.500 militares tinham morrido (Marston, pág. 97). A perda dos porta-aviões desferiu o golpe mais severo nas futuras capacidades navais do Japão. As pesadas perdas de pilotos experientes e de equipas de manutenção foram outro revés grave. O povo japonês não foi informado de que quatro porta-aviões tinham sido perdidos em Midway.
Os comandantes norte-americanos tinham utilizado bem a sua inteligência militar, os defensores em Midway tinham combatido com valor, e os pilotos dos EUA tinham efetuado um ataque corajoso e eficaz aos porta-aviões inimigos. Para Genda, a principal explicação para a derrota foi a inteligência militar ter decifrado as mensagens desodificadas japonesas: “A maior razão para o fracasso foi o segredo ter sido divulgado… Midway foi o ponto de viragem” (Holmes, pág. 247).
Os historiadores apontam outras razões para o desfecho da batalha. Yamamoto cometeu vários erros importantes. O historiador M. M. Boatner refere que Yamamoto:
...falhou em seguir o ditado napoleónico de concentrar toda a força disponível para o esforço principal; não se posicionou de forma a controlar a ação... falhou ao não informar totalmente os principais comandantes subordinados sobre o plano; foi descuidado na colocação de forças de reconhecimento e de proteção; mas talvez o seu maior defeito tenha sido o excesso de confiança.
(pág. 622)
Todo o plano de Yamamoto era falhado, uma vez que, mesmo que tivesse sido bem-sucedido, manter Midway e operar forças japonesas a partir de lá teria resultado apenas em constantes ataques de bombardeiros a partir de Pearl Harbor. Nem Midway poderia ter sido utilizada para lançar um ataque surpresa por uma força de porta-aviões contra Pearl Harbor, uma vez que, já escaldados uma vez, os comandantes norte-americanos tinham adotado um conjunto impressionante de medidas de reconhecimento e defensivas para garantir que nunca mais seriam apanhados desprevenidos.
A Batalha de Midway é considerada o ponto de viragem da Guerra do Pacífico. Foi a primeira grande derrota naval do Japão desde o século XVI. Os japoneses tiveram de adiar a sua ofensiva sobre a Papua e abandonar por completo os planos para invadir a Caledónia, Samoa e Fiji. Embora o Japão ainda possuísse forças navais significativas, este foi o início da retirada japonesa até às ilhas natais. O poder económico, industrial e militar dos EUA ficou claramente demonstrado com a construção de 14 porta-aviões da classe Essex em 1943. No entanto, seriam necessários três longos anos de combates para que os EUA derrotassem finalmente o Japão em agosto de 1945.