Um exército de 250.000 voluntários, tanto homens como mulheres, a trabalhar nos mais variados tipos de serviços, garantiu que a vida continuasse durante o Blitz de Londres, um período de bombardeamentos sustentados pela Força Aérea Alemã (Luftwaffe) sobre a capital britânica entre setembro de 1940 e maio de 1941. Os vigilantes de ataques aéreos, bombeiros, vigias de incêndio e voluntários que prestavam ajuda vital aos sem-abrigo garantiram que os londrinos e os habitantes de outras cidades bombardeadas se mantivessem irredutíveis durante alguns dos dias mais sombrios da Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial.
Sabendo perfeitamente o que uma campanha de bombardeamentos contra a Grã-Bretanha poderia acarretar, o governo britânico estabeleceu vários serviços para lidar com áreas específicas de uma futura guerra na frente interna. A primeira coisa a fazer num ataque aéreo era alertar os civis para o perigo iminente. A Grã-Bretanha dispunha de um sistema integrado de defesa aérea, o Sistema Dowding, que utilizava radar e voluntários do Corpo de Observadores (cf. infra) para rastrear os aviões inimigos que se aproximavam. Acrescia a necessidade de uma equipa de voluntários dedicados que pudessem avisar os civis nas zonas prestes a ser atacadas e encaminhar as pessoas para os abrigos antiaéreos. O Serviço de Guardas de Ataques Aéreos (Air Raid Wardens' Service) foi criado em abril de 1937 e, no espaço de um ano, contava com 200.000 membros voluntários, de ambos os géneros. Em setembro de 1939, havia 750.000 guardas de ataques aéreos.
Vestindo macacões azuis e um capacete de aço, os guardas tornaram-se uma presença familiar em toda a Grã-Bretanha. Nem sempre eram bem-vindos, pois tentavam fazer cumprir o blackout (o apagão), a política segundo a qual nenhuma luz não essencial devia ser acesa à noite, para o caso de alertarem os bombardeiros para as zonas populosas. Consequentemente, as janelas e portas tinham de ser protegidas ou tapadas com cortinas. O apelo familiar dos guardas, "Apaguem essa luz!", não os endeusou junto do público, mas quando as bombas finalmente começaram a cair, os guardas tornaram-se uma parte inestimável da força de defesa civil da Grã-Bretanha. As cidades e vilas foram divididas em distritos e a cada zona foi atribuído o seu próprio posto de guarda de ataques aéreos. Em Londres, havia cerca de dez postos de guarda por cada 2,6 km² (milha quadrada), tendo cada posto habitualmente cinco guardas.
Os guardas informavam as autoridades sobre o local onde as bombas tinham caído, efetuavam patrulhas e supervisionavam os abrigos públicos. Os guardas ajudavam onde e quando podiam, especialmente em situações de emergência, como o resgate de pessoas de edifícios bombardeados ou a evacuação de zonas onde havia uma bomba por explodir. Era um trabalho perigoso e houve inevitavelmente baixas entre os voluntários.
Um dos guardas de ataques aéreos, o Sr. Butler, recorda o seu trabalho durante o Blitz:
Uma das piores coisas, creio eu, era quando havia um impacto direto e alguém tinha sido reduzido a pequenos pedaços e tu tinhas de apanhar aquilo, metê-lo em sacos de cimento/areia, etiquetar de onde vinha, onde o tínhamos encontrado, e era assim que costumavam mais ou menos identificar todas estas pessoas, quem eram e de onde vinham. Às vezes apanhávamos duas mãos, duas mãos esquerdas ou dois pés direitos. Bem, sabias perfeitamente que se apanhasses dois do mesmo lado, tinham sido duas pessoas a morrer ali. Acho que essa é uma das piores coisas que tinhas de fazer e era preciso um homem com um estômago muito forte para o fazer, garanto-te.
(Holmes, pág. 143)
Os guardas da Precaução contra Ataques Aéreos formavam frequentemente unidades de macas. Atribuídos a um carro ligeiro de passageiros, quatro guardas acorriam a uma ocorrência na sua área e separavam os vivos dos feridos graves e dos mortos, prestando os primeiros socorros fundamentais antes de as ambulâncias chegarem para levar aqueles que necessitavam de cuidados hospitalares. Irene, uma condutora de uma unidade de macas da Precaução contra Ataques Aéreos, relata a sua chegada em primeiro lugar a um abrigo antiaéreo comunitário na rua Beaufort, em Londres, onde uma bomba tinha matado 56 pessoas:
O cenário era de morte e devastação. Enormes lajes de betão prendiam corpos miseráveis e mutilados sob o seu peso recortado. Pobres corpos retorcidos – enegrecidos e sujos pelo sangue e pelo pó. Pedaços de corpos jaziam em poças de água, sangue e imundície. Meu Deus! Aquele primeiro vislumbre da obra de Hitler! Senti o estômago revirar-se durante um segundo paralisante e pensei que ia vomitar, desonrando assim a mim mesma e ao meu esquadrão para sempre. Mas consegui engolir em seco com dificuldade e depois senti-me mais ou menos bem outra vez.
(Levine, pág. 286)
O corpo de bombeiros regular não teria conseguido lidar sozinho com o número de ocorrências que uma campanha de bombardeamentos trazia. Consequentemente, foram complementados pelo Serviço Auxiliar de Bombeiros (Auxiliary Fire Service - AFS). Em 1938, os bombeiros da Grã-Bretanha tinham crescido de 5.000 para 75.000 indivíduos, sendo 85% deles auxiliares. Uma evolução muito necessária, que só aconteceu em maio de 1941, foi unificar as 1.668 brigadas de incêndio locais num único Serviço Nacional de Bombeiros (National Fire Service).
Os voluntários auxiliares a tempo parcial, que incluíam mulheres, recebiam 60 horas de formação. Habitualmente, entravam ao serviço à noite, quando eram mais necessários (visto que a maior parte dos bombardeamentos ocorria durante a noite). As pessoas comuns também tentavam ajudar a combater os incêndios, e muitas equiparam-se com baldes de areia ou uma bomba de estribo, que custava doze xelós e meio (equivalente a 28 libras ou 35 dólares atuais) — estes equipamentos tornaram-se tão populares que adquiri-los passou a ser extremamente difícil, uma vez que esgotavam num instante. A falta de equipamento era uma queixa constante dos voluntários. Na falta de camiões de bombeiros suficientes, muitos voluntários do Serviço Auxiliar de Bombeiros deslocavam-se para os locais de devastação em táxis convertidos, equipados com uma bomba de reboque.
Peter Blackmore, um voluntário do Serviço Auxiliar de Bombeiros em Londres, descreve de forma marcante a sua primeira noite em ação:
As bombas caíam de forma rápida e intensa. Desviavamo-nos constantemente... e tinha o coração na boca... Acabámos por parar no cais onde íamos passar a noite sem fim. Tudo parecia estar a arder em todas as direções, até alguns balões de barragem no céu estavam a explodir. O fumo carregado de cinzas que vagueava por todo o lado fazia-nos pensar na destruição de Pompeia.
(Gardiner, pág. 11)
O trabalho era árduo, tanto física como emocionalmente, e cobrou o seu preço. Londres era atingida todas as noites, em longos períodos sem tréguas. Como uma residente, Olivia Cockett, anotou no seu diário sobre o seu irmão no Serviço Auxiliar de Bombeiros: "Irmão, um herói no Serviço Auxiliar de Bombeiros, a fazer trabalho de salvamento, a rir e a brincar e a parecer 20 anos mais velho em três dias, durante os quais teve sete horas de folga" (Holland, pág. 746).
A partir do início de 1941, o governo impôs vigias de incêndio obrigatórios (mais tarde rebatizados de Guardas de Incêndio) em todas as instalações industriais. Com o tempo, foi criado um regime obrigatório em que todos os cidadãos — homens (entre os 16 e os 60 anos) e mulheres (entre os 20 e os 45 anos), com exceções para quem trabalhasse mais de 60 horas por semana (no caso dos homens) ou 55 (no caso das mulheres), ou se uma mulher tivesse um filho em casa com menos de 14 anos — tinham de cumprir 48 horas de vigilância de incêndios por mês. O incumprimento desta obrigação resultava numa coima de 100 libras ou numa pena de prisão de três meses. Só Londres contava com cerca de 3.500 vigias de incêndio a manter a vigilância todas as noites durante o Blitz.
George Hodgkinson relata da seguinte forma o seu trabalho como vigias de incêndio:
Como presidente da organização de guarda-fogos da minha própria rua, tive de ir para a rua para estar a postos com baldes, a bomba de estribo e assim sucessivamente, preparado para apagar quaisquer engenhos incendiários que estivessem por perto. Perdemos uma vizinha e a respetiva mãe e estivemos sob as bombas durante toda a noite, a minha família, onze horas certas. Tivemos uma mina terrestre a explodir a poucos metros da casa: rasgou a casa esticando as cortinas até aos caixilhos das janelas, arrancou o telhado, com as telhas a caírem para o passeio, e conseguia-se ver as estrelas através do edifício. Ficámos num estado bastante desesperado no fim da noite.
(Holmes, pág. 144)
Os vigias de incêndio evitaram que inúmeros fogos se descontrolassem e destruíssem não só casas, mas também fábricas. Florence Rollinson descreve o seu trabalho como voluntária e o do seu pai, um vigia de incêndio num local onde se pode imaginar que a vigilância era extremamente necessária: uma fábrica de fósforos no East End de Londres:
Os homens destes grupos de vigilância contra incêndios subiam ao telhado em pequenos grupos e, prendendo-se com cordas, vigiavam as bombas incendiárias antes que estas se pudessem instalar, pontapeando-as para fora. O edifício tinha cerca de cem pés de altura e estas táticas salvaram a fábrica. (A fábrica da empresa em Liverpool tinha sido incendiada por engenhos incendiários.) Os homens mudavam de turno com bastante frequência e desciam para respirar um pouco, com o pai a dar-nos um comentário sobre o que estava a acontecer. Como eu fazia parte da equipa de Primeiros Socorros que tínhamos formado na fábrica, cuidávamos das vítimas, mesmo aquelas trazidas da rua, e também fornecíamos chá e café aos vigias de incêndio. Durante aquelas noites de frio cortante no blitz, acrescentávamos rum à bebida deles para afastar o frio! Isto era fornecido pelos diretores da empresa, alguns dos quais também integravam o grupo de vigias de incêndio, pelo que cada um deu o seu contributo.
(Gardiner, pág. 251)
O Serviço Voluntário de Mulheres para a Defesa Civil (Women's Voluntary Service for Civil Defence — WVS) foi criado em 1938 por Stella Isaacs, Marquesa de Reading. O Serviço Voluntário de Mulheres para a Defesa Civil revelou-se uma forma atrativa para as mulheres ajudarem no esforço de guerra e a organização gabava-se de ter 300.000 membros no espaço de 12 meses. Estes números foram impulsionados a partir de março de 1941, quando foi introduzido o recrutamento obrigatório para mulheres entre os 20 e os 45 anos (e sem filhos em casa). As mulheres recrutadas tinham a opção de se juntar a um serviço auxiliar militar, ao serviço de defesa civil, à indústria ou ao Exército da Terra (Land Army), que trabalhava na agricultura.
As voluntárias do Serviço Voluntário de Mulheres para a Defesa Civil operavam cantinas móveis que eram muito apreciadas pelos que tinham ficado sem-abrigo e por outros voluntários que trabalhavam nas ruas, como os bombeiros. As voluntárias do Serviço Voluntário de Mulheres para a Defesa Civil geriam também centros que distribuíam comida e roupa àqueles que tinham perdido, literalmente, tudo. A roupa vinha de doações, mas era também tarefa do Serviço Voluntário de Mulheres para a Defesa Civil negociar com fabricantes e lojas de vestuário para lhes venderem roupa a preços de atacado. Os centros de acolhimento locais tornaram-se essenciais, uma vez que as autoridades estavam sobrecarregadas com a necessidade de dezenas de milhares de pessoas terem um sítio para viver após perderem as suas casas. Em setembro de 1940, com o Blitz a nem sequer ter um mês de existência, cerca de 25.000 pessoas já dependiam dos centros de acolhimento para obter abrigo, saneamento, comida e roupa. Gioya Steinke, uma voluntária que lidava com os necessitados num centro de acolhimento, recorda:
Era muito angustiante, havia muita dor e choro. Não sabias quem era uma pessoa de uma feira de rua e quem era uma pessoa dos apartamentos chiques, estavam todos reduzidos ao mesmo, e isto, penso eu, teve muito a ver com a maravilhosa camaradagem da guerra.
(Levine, pág. 29)
Os sentimentos dos desfavorecidos são resumidos por Lily Merriman, que perdeu a sua casa para uma bomba: "Sentíamo-nos como refugiados. Eu costumava sentir-me suja. Já não víamos nenhum dos nossos antigos vizinhos. Fomos deslocados, e foi assim" (Levine, pág. 30).
Os voluntários do Corpo de Observadores (Observer Corps — OC), criado em 1929, formavam uma rede de olhos atentos que vasculhavam os céus em busca de aviões inimigos. Em toda a Grã-Bretanha, havia 30.000 voluntários que operavam 1.000 postos de observação vinte e quatro horas por dia. O serviço era gerido pela polícia, mas ficava sob o controlo final do Ministério do Ar (Air Ministry). Os membros do Corpo de Observadores faziam o seu treino à noite e aos fins de semana, uma vez que, tal como muitos voluntários, frequentemente também tinham empregos diurnos. Cada posto estava equipado com binóculos, um estimador de altitude (um instrumento semelhante a um sextante), um mapa de grelha, um telefone e, naturalmente, instalações para fazer chá. Os observadores comunicavam avistamentos a um Centro de Grupo, que depois se ligava ao centro de defesa de caças local. No topo desta rede estava todo um exército de observadores civis amadores que contactavam as autoridades sempre que avistavam um avião inimigo. Isto tornou-se um passatempo tão popular — e pouco fiável, uma vez que distinguir o amigo do inimigo estava longe de ser fácil — que o livro Aircraft Recognition (Reconhecimento de Aeronaves), publicado pela Penguin, vendeu mais de dois milhões de exemplares.
A Guarda Doméstica (Home Guard) contou com cerca de 1,5 milhões de membros ao longo da guerra. Os voluntários, que inicialmente se chamavam Voluntários de Defesa Local (Local Defence Volunteers), eram os homens demasiado jovens ou demasiado velhos para o serviço ativo nas forças armadas regulares. Por esta razão, a Guarda Doméstica ficou conhecida como o "Exército do papá" (Dad's Army). Nos primeiros anos da guerra, as funções incluíam atuar como vigias para uma esperada invasão e operar postos de controlo rodoviário, papéis que ajudaram o exército regular a mobilizar as suas unidades para outros fins. Durante a guerra aérea, a Guarda Doméstica ajudava frequentemente durante os ataques, por exemplo, em trabalhos de resgate.
Até uma em cada dez bombas largadas por aeronaves não explodia, e estas tinham de ser neutralizadas caso viessem a detonar mais tarde. As unidades do exército de desativação de bombas eram alertadas para a presença de bombas por explodir (unexploded bombs — UXBs) por membros da Precaução contra Ataques Aéreos ou por qualquer outra pessoa que as detetasse. As bombas de Londres eram habitualmente retiradas para destruição em Hackney Marches, que ficou conhecido como o "cemitério de bombas". O trabalho era extremamente perigoso — 123 elementos foram mortos até ao final de 1940 e 67 feridos —, mas continuava a atrair voluntários. Tony White, um objetor de consciência, voluntariou-se para este tipo de trabalho porque:
Era algo construtivo no sentido em que estavas a desenterrar bombas que se destinavam a fazer mal, a imunizá-las, e podias vê-lo como um serviço direto para a comunidade. Mas a principal razão era provar a mim mesmo que eu não estava a "tentar escapar ao serviço"... Havia várias bombas de 1.000 libras que apanhámos, com cerca de 4 ou 5 pés de comprimento, tinham um tamanho bastante bom. Eram pesadas, claro, e tirámo-las para fora puxando-as com um guincho, com um equipamento do tipo tripé para as içar. Levávamo-las e tentávamos neutralizá-las. Aparafusavas e fazias um buraco no invólucro, tentando não perturbar o rastilho... esse trabalho tinha de ser feito com muito cuidado e, depois, injetávamos vapor que neutralizava o pó ou o explosivo e, então, podia-se remover o rastilho em segurança. E depois um oficial recuava para uma distância teoricamente segura e explodia-a com um dispositivo elétrico. Era aqui que a coisa podia explodir antes de o oficial se ter afastado o suficiente, ele era sempre quem corria o maior risco e sofremos baixas.
(Gardiner, pág. 258)
Incontáveis membros do público voluntariaram-se no local para combater incêndios, resgatar pessoas presas em edifícios desabados e prestar ajuda direta aos sem-abrigo. Os voluntários também marcaram presença em grande número nos serviços médicos, atuando como transportadores em macas, condutores de ambulâncias e integrando o pessoal de centros de primeiros socorros. Havia um exército de voluntários em centros de Controlo, em gabinetes de aconselhamento que ajudavam as pessoas a ultrapassar a burocracia que as impedia de obter a ajuda de que necessitavam, e a trabalhar como mensageiros, frequentemente necessários quando as linhas telefónicas ficavam danificadas. Alguns voluntários desempenhavam várias destas funções em simultâneo. John Sargent ganhava a vida como operador de máquinas durante o dia, passava as noites de prevenção para o serviço de ambulâncias (das 20:00 às 05:00) e os fins de semana a ensinar primeiros socorros a voluntários da defesa civil e da Guarda Doméstica.
As instituições de solidariedade social dependiam de voluntários para distribuir ajuda. A Sociedade de Organização da Caridade (Charity Organisation Society) distribuiu dezenas de milhares de artigos necessários oferecidos à Grã-Bretanha pela Cruz Vermelha Americana e pela Cruz Vermelha Canadiana. A Sociedade de Amigos Quaker, a Brigada de Ambulâncias de São João, a YMCA, o Exército de Salvação e outras entidades realizaram um excelente trabalho durante o Blitz.
Havia também alguns voluntários forçados. Nacionais alemães e italianos (e outros) que viviam na Grã-Bretanha quando a guerra eclodiu viam-se frequentemente detidos por um governo desconfiado de espiões e a reagir à imprensa popular que apelava a que essas pessoas fossem presas. Cerca de 27.000 pessoas foram detidas desta forma e enviadas para campos em locais distantes, como a Ilha de Man. No espaço de um ano, cerca de 10.000 detidos foram libertados, mas muitos foram então obrigados a trabalhar em equipas de demolição, limpando a destruição causada pelas bombas.
Embora o voluntariado trouxesse um sentido de propósito para muitos e a sensação de que se estava a "fazer a nossa parte", havia frequentemente consequências psicológicas duradouras de testemunhar os horrores da guerra de perto. A angústia mental sob bombardeamentos sustentados, quando a perda de entes queridos e da própria casa eram uma ameaça constante, foi a experiência da maioria das pessoas, mas os voluntários eram particularmente suscetíveis a vivências que deixavam cicatrizes mentais adicionais. Num período em que a reação mais comum aos problemas da mente era simplesmente "continuar e manter-se ocupado", poucas vítimas procuravam ajuda profissional. Havia também sintomas físicos, tais como problemas de sono, exaustão e queda de cabelo. "Os médicos notaram um aumento de úlceras pépticas e os anúncios de remédios para a diarreia aumentaram" (Gardiner, pág. 186). Os voluntários viam coisas terríveis, mas estas tornavam-se ainda mais dolorosas devido à natureza do recrutamento e da distribuição. Os voluntários trabalhavam muito frequentemente entre as pessoas com quem viviam e, por isso, conheciam demasiado bem as vítimas dos bombardeamentos. Também viam os seus colegas gravemente feridos ou mortos, perdendo assim as únicas pessoas que tinham partilhado as suas experiências, muitas vezes indescritíveis. Havia um sistema de pensões para voluntários e indemnizações por lesões físicas, mas só após a ação de vários sindicatos é que foi introduzida uma indemnização pelas lesões psicológicas sofridas durante o desempenho da miríade de tarefas de voluntariado que garantiram a sobrevivência da Grã-Bretanha durante o Blitz.