A Lenda de Cuta (incipit: ṭupšenna pitē-ma narâ šitassi; também conhecida como A Lenda Cuta de Naram-Sin, a Lenda de Cutha e a Lenda de Kutha) é uma obra de ficção datada do século XVII a.C., pertencente ao género literário mesopotâmico conhecido como naru. A narrativa centra-se no rei acádio Naram-Sin (que reinou entre 2254 e 2218 a.C.) numa história que ilustra a relação adequada entre um monarca e os deuses, bem como a importância dos registos escritos.
A lenda é um relato ficcional de uma invasão das terras acádias por um exército sobre-humano que — pela sua descrição, e não pelo nome — é associado aos gúteos, considerados responsáveis pela queda do Império Acádio por volta de 2154 a.C.. Nesta narrativa, este exército foi criado e nutrido pelos deuses para os seus próprios propósitos, sendo expressamente ordenado a Naram-Sin que não pegue em armas contra ele. No entanto, o monarca desafia os deuses e sofre perdas avultadas; perante isto, acaba por se humilhar, pede perdão e reconcilia-se com a vontade divina.
O título do poema deriva da cidade de Cuta/Kutha (a atual Tell Ibrahim, no Iraque), onde o narrador do poema, Naram-Sin, afirma ter deixado num templo uma caixa contendo a obra, para que fosse lida por futuros reis. A obra é também conhecida pelos títulos Naram-Sin e as Hordas Inimigas e pelo seu incipit (primeira linha), «Abre a caixa de tabuletas». Foram encontradas cópias do texto em manuscritos assírios, neoassírios, paleobabilónicos e neobabilónicos, entre outros, o que atesta a sua popularidade.
Além da sua mensagem de obediência aos deuses e de resistência à tentação de confiar na própria capacidade de entendimento, o poema enfatiza a importância de deixar um relato da própria vida do qual outros possam aprender, especialmente quando se trata de um monarca. A narrativa dos acontecimentos é enquadrada pelo lamento de Naram-Sin pelo facto de um rei anterior não ter deixado qualquer registo desse tipo, e pela sua esperança de que as gerações vindouras leiam e aprendam com o seu. A estrutura desta peça valeu-lhe a reputação de ser um dos melhores — senão o melhor — exemplos da literatura mesopotâmica naru, um género criado para entreter, instruir e preservar o nome do seu protagonista.
A literatura mesopotâmica naru é também conhecida pelos académicos modernos como "autobiografia fictícia", "autobiografia de ficção" e "pseudoautobiografia", uma vez que apresenta uma figura histórica famosa numa narrativa ficcional, alterando com frequência e de forma significativa o caráter dessa pessoa para efeito dramático. Hoje em dia, a literatura mesopotâmica naru seria entendida como "ficção histórica". A palavra naru refere-se a uma estela na qual um rei inscrevia os seus grandes feitos, e o género seguia a mesma fórmula destas inscrições oficiais:
- uma introdução em primeira pessoa (quem está a contar a história).
- uma narração em primeira pessoa (o que aconteceu).
- uma bênção ou maldição sobre o leitor – a bênção era oferecida a qualquer pessoa que lesse, apreciasse e compreendesse a inscrição; a maldição destinava-se àqueles que não o fizessem e desrespeitassem a mensagem.
As estelas reais eram erguidas para memorializar um acontecimento significativo — uma vitória militar, uma coroação, um grande festival, um casamento, um nascimento real, etc. —, enquanto a literatura naru adotava essa forma para transmitir um valor moral ou cultural a um público. A literatura naru não pretendia contar a verdade sobre um determinado acontecimento, mas sim extrair dele um significado — ou até criar um incidente totalmente fictício — para transmitir alguma mensagem importante, habitualmente relacionada com a forma correta de nos relacionarmos com os deuses.
Os exemplos mais famosos deste género, além d'A Lenda de Cuta, são A Lenda de Sargão de Acádia (que relata a ascensão do primeiro rei acádio, Sargão, o Grande, que reinou entre 2334 e 2279 a.C.), A Grande Revolta e A Maldição de Ágade, sendo que estes dois últimos também protagonizam Naram-Sin. Sargão e Naram-Sin foram os dois reis acádios mais poderosos e apareceram frequentemente em lendas posteriores, seja como heróis ou anti-heróis, em histórias que habitualmente não tinham qualquer fundamento em acontecimentos históricos. O melhor exemplo disso, embora se afaste ligeiramente da fórmula da literatura naru, é A Epopeia de Gilgamesh (escrita por volta de 2150–1400 a.C.), que utiliza Gilgamesh, rei histórico de Uruque, numa narrativa ficcional que explora o sentido da existência.
Ao contrário d'A Grande Revolta, que se baseia numa rebelião real ocorrida durante o reinado de Naram-Sin, A Lenda de Cuta não tem fundamento histórico, mas ecoa um acontecimento famoso que teria ressoado junto do público sumério da Antiguidade: a invasão Guti da Acádia. Os Guti eram um povo nómada da Ásia Ocidental que habitava na região da Cordilheira de Zagros e realizava uma série de incursões relâmpago contra as comunidades acádias, culminando por fim numa invasão em grande escala que, segundo os antigos escribas sumérios, derrubou o império em 2154 a.C..
O exército sobre-humano n' A Lenda de Cuta nunca é identificado expressamente como sendo gúteo e, de facto, a própria terra natal dos gúteos, Gúcio, figura entre as regiões por ele destruídas; contudo, a descrição do exército como "não humano" coincide com textos sumérios que os descreviam como "um povo desenfreado, com inteligência humana, mas com os instintos de cães e a aparência de macacos" (Kriwaczek, pág. 129). Os Guti alegavam ser os legítimos sucessores da dinastia sargónida e assumiram o controlo da Suméria, governando-a na totalidade ou em parte de cerca de 2141 a cerca de 2050 a.C., até serem desafiados pelo rei de Uruque, Utu-Hegal (reinou de cerca de 2119 a cerca de 2112 a.C.), e mais tarde expulsos por Xulgi de Ur (reinou de cerca de 2094 a cerca de 2046 a.C.).
A Lenda de Cuta segue esta enredo histórico, mas enquadra a ação dentro de uma estrutura que enfatiza a importância de confiar na vontade dos deuses — mesmo quando essa vontade é incerta ou parece não fazer sentido — em vez de resolver o assunto pelas próprias mãos. A obra está estruturada segundo as fórmulas tradicionais da literatura naru, mas, em vez de começar com a identidade do narrador, inicia-se com uma exortação a abrir a caixa da estela e a ler o relato de Naram-Sin.
Esta introdução, bem como a bênção final, deixa claro o duplo propósito da narrativa: instruir sobre a relação correta com os deuses e sublinhar a importância dos registos escritos. A peça começa com Naram-Sin a lamentar a forma como um rei anterior, Enmerkar, foi punido pelo deus Xamache e "desapareceu", sem deixar qualquer registo para as gerações vindouras sobre como tinha ofendido os deuses para que pudessem aprender com o seu erro.
A partir daqui, a história prossegue para o relato em que Naram-Sin enfurece os deuses ao recusar ouvi-los e ao atacar os invasores, o que resulta na morte de mais de 200 000 dos seus homens, e mostra como ele aprende a lição de seguida. Depois de se humilhar e de prometer obedecer aos deuses, ele captura 12 dos inimigos sobre-humanos e, em vez de os matar como desejava, entrega-os ao templo do deus Enlil para enfrentarem a justiça divina. O poema termina com o apelo de Naram-Sin aos futuros monarcas para que deixem um relato do seu reinado, concluindo com uma bênção a todos os que acolham e compreendam a sua história.
A tradução infra é do texto extraído Old Akkadian Period Texts (Textos do Período Paleoacádio; pags. 36-40) traduzido para inglês pelos académicos Benjamin Studevent-Hickman e Christopher Morgan, reimpressa em The Ancient Near East: Historical Sources in Translation (O Antigo Oriente Próximo: Fontes Históricas em Tradução), sob a edição de Mark W. Chavalas. De acordo com Studevent-Hickman e Morgan, trata-se de um texto compósito que se baseia em sete manuscritos neoassírios e num fragmento neobabilónico. Algumas linhas repetitivas foram omitidas e as reticências indicam linhas ou palavras em falta. Os números de linha estão indicados à esquerda.
Abre a caixa de tabuletas e lê a estela
Que eu, Naram-Sin, descendente de Sargão,
Inscrevi e deixei para a posteridade.
O Rei de Uruque desapareceu.
(5) Enmerkar desapareceu.
Enmerkar, Rei de Uruque, soberano da terra.
Passou .
Decorreu .
Istar mudou de ideias. (
10)... e ele cavalgou.
[Enmerkar consultou os grandes deuses:
Istar, Ilaba, Sabada, Anunitum,
Xulate, Hanixe, o herói Xamache.
Convocou os adivinhos e deu ordens.
15) Sacrificaram os borregos, sete borregos,
sete borregos para sete adivinhos.
Montou os altares sagrados de caniço.
Os adivinhos falaram assim:
...
... rosto.
(20) e como...
Sobre a terra... que o teu cadáver jaza estendido.
Os grandes deuses ainda não tinham terminado
de falar!
Enmerkar... Xamache proferiu um julgamento severo.
O seu julgamento, a decisão que tomou, foi que o seu espírito, os espíritos...
(25) Os espíritos da sua família, os espíritos dos seus descendentes,
Os espíritos dos descendentes dos seus descendentes
—
Isto foi decretado por Xamache, o herói,
O senhor do alto e do baixo, o senhor dos Anunáquis, o senhor dos espíritos —
Que eles bebessem água contaminada e não
bebessem água pura.
Aquele cuja sabedoria e cujas armas ataram, derrotaram e mataram aquelas tropas
Não escreveu numa estela, não deixou nenhuma para trás por minha causa e
(30) não granjeou um nome para si próprio, nem eu orei por ele.
Um povo com corpos de perdiz, humanos com rostos de corvo,
Os grandes deuses criaram-nos.
Na terra que os deuses criaram situava-se a sua cidade.
Tiamate amamentou-os.
(35) A sua deusa materna, Belet-ili, embelezou-os.
No meio das montanhas cresceram, atingiram a idade adulta,
Adquiriram o seu porte devido. Sete reis, irmãos, afamados pela beleza,
As suas tropas somavam 360 000 homens. Anubanini, o rei, era o seu pai; a sua mãe era a rainha Metili.
(40) O irmão mais velho era o seu líder — Memanduh era o seu nome.
O segundo irmão — Medudu era o seu nome.
O terceiro irmão — Tapixe era o seu nome.
O quarto irmão — Tartadada era o seu nome.
O quinto irmão — Baladada era o seu nome. (45) O sexto irmão — Ahundanadi era o seu nome.
O sétimo irmão — Hurraquidu era o seu nome.
Cavalgavam nas montanhas resplandecentes e
O soldado apanhou-os, mas eles bateram nas suas coxas.
No início da sua investida, avançaram contra Purushanda.
(50) Purushanda foi totalmente dispersa.
Phulu foi totalmente dispersa.
Puranshu foi totalmente dispersa.
Decerto...
Os poderes de Umman-manda são abatidos,
os acampamentos de Shubat-Enlil,
(55) E, no meio de Subartu, todos vaguearam por aí.
Dispersaram aqueles que estavam nos mares e aproximaram-se de Guti.
Dispersaram Guti e aproximaram-se da terra de Elão.
Dispersaram Elão e chegaram às planícies.
Mataram os que se encontravam na travessia
e atiraram-nos para
(60) Dilmun, Makkan, Meluhla, no meio do mar, tantos quantos eram, mataram-nos.
Dezessete reis, com 90 000 dos seus soldados, tinham vindo em seu auxílio.
Convoquei um soldado e dei-lhe ordens.
Entreguei-lhe um punhal e um alfinete.
(65) "Ataca com o punhal, espeta com o alfinete.
Se sair sangue, são humanos como nós.
Se não sair sangue, são espíritos, demónios do submundo,
Criaturas, fantasmas à espreita, a obra de Enlil."
O soldado apresentou o seu relatório:
(70) "Ataquei com o punhal, espeti com o alfinete e saiu sangue."
Convoquei os adivinhos e dei ordens.
Sacrifiquei sete borregos aos sete adivinhos.
Montei os altares sagrados de caniço.
(75) Inquiri os grandes deuses —
Istar, Ilaba, Zababa, Anunitum, Shullat, Hanixe, o herói Xamache.
A chave dos grandes deuses não me permitiu avançar,
Nem tampouco uma comunicação divina em sonho.
Assim disse a mim próprio, assim de facto falei:
(80) "Que leão praticou a adivinhação?
Que lobo consultou um intérprete de sonhos?
Deixai-me ir como um bandido, seguindo o conselho do meu próprio coração.
Deixai-me desconsiderar o conselho do deus;
deixai-me assumir a responsabilidade por mim mesmo."
À chegada do primeiro ano,
(85) enviei 120 000 soldados e nem um só deles regressou com vida.
À chegada do segundo ano, enviei 90 000 soldados e nem um
deles regressou com vida.
À chegada do terceiro ano, enviei 60 700 soldados, e nem um deles regressou com vida.
Fiquei transtornado, perplexo, ansioso, angustiado e abatido.
Assim disse a mim próprio, assim de facto falei:
(90) "O que deixei para trás como legado do meu reinado?
Sou um rei que não cuidou da sua terra,
E um pastor que não cuidou do seu povo.
Como posso continuar a avançar?
Como posso salvar o meu país?
O pavor dos leões, a morte, o fado, a fome,
(95) a consternação, os calafrios, as perdas, a carência,
A inanição, a insónia — toda a sorte de calamidade desceu sobre eles.
No alto, na assembleia, o dilúvio foi concebido.
Embaixo, sobre a terra, o dilúvio abateu-se.
Ea, Senhor das profundezas, abriu a sua boca e disse,
(100) falando aos deuses, seus irmãos:
"Ó grandes deuses, o que fizestes?
Falastes e eu desencadeei um dilúvio
E para realizar aquilo que vós..."
À chegada da festa do Ano Novo no quarto ano,
(105) com uma prece fervorosa para que Ea,
entre os grandes deuses, ,
Ofereci os sacrifícios sagrados do Ano Novo.
Procurei os augúrios sagrados.
Convoquei os adivinhos e dei ordens.
Sacrifiquei sete borregos aos sete adivinhos.
(110) Montei os altares sagrados de caniço.
Inquiri os grandes deuses...
(120) Doze soldados dentre eles fugiram de mim.
Persegui-os, apressei-me, fui mais depressa.
Quanto a esses soldados, alcancei-os.
Quanto a esses soldados, trouxe-os de volta. A
ssim disse a mim próprio, assim de facto falei:
(125) "Sem adivinhação, não infligirei castigos.
" Sacrifiquei um cordeiro a respeito deles.
A chave dos grandes deuses disse: "Poupai-os."
A brilhante Vénus aproximou-se assim de mim a partir do céu:
"A Naram-Sin, descendente de Sargão:
(130) cessa! Não destruirás o povo maldito!
No futuro, Enlil há de levantá-los para o mal.
Eles aguardam o coração furioso de Enlil.
A cidade desses soldados será demolida.
Queimarão e sitiadores cercarão as habitações.
(135) A cidade derramará o seu sangue.
A terra reduzirá a sua reserva, a tamareira o seu rendimento.
A cidade desses soldados perecerá.
Cidade lutará contra cidade, lar contra lar,
Pai contra filho, irmão contra irmão, (
140) Jovem contra jovem, amigo contra companheiro.
Não falarão com verdade uns com os outros.
Às pessoas será ensinada a falsidade e...
Matarão essa cidade inimiga.
Quanto a essa cidade, um inimigo tomá-la-á.
(145) Por uma mina de prata, uma pessoa receberá uma espiga de cevada."
Não havia rei poderoso na terra.
Trouxe-os aos grandes deuses como tributo.
Não os trouxe para que a minha mão os matasse.
Quem quer que sejais, governador, príncipe ou outro,
(150) a quem os deuses chamarem para exercer o cargo de realeza:
Fiz-te uma caixa de tabuletas, inscrevi para ti uma estela.
Em Cuta, no templo Emeslam,
No santuário de Nergal, deixei-a para ti.
Lê esta estela,
(155) e atende à mensagem desta estela!
Não te perturbes; não fiques perplexo.
Não temas; não tremeu .
Que os teus alicerces sejam firmes!
Quanto a ti, faz o teu trabalho no abraço da tua esposa.
(160) Fortifica as tuas muralhas.
Enche os teus fossos com água.
Os teus cofres, o teu grão, a tua prata,
as tuas posses, os teus bens,
Reúne-os na tua cidade frutífera.
Une as tuas armas e encosta-as aos cantos.
(165) Refreia a tua audácia,
acautela-te!
Caso ele vagueie pela tua terra, não saias ao seu encontro.
Caso solte o gado, não te aproximes dele.
Caso consuma a carne dos teus soldados,
Caso os mate e regresse...
(170) Mantém o autocontrolo,
controla-te a ti mesmo.
Responde-lhes assim:"Meu Senhor.
Pela maldade deles, retribui com o bem.
Pelo bem deles, retribui com presentes e mais ainda."
Não te aproximes deles.
175) Que escribas sábios
Leiam a tua estela.
Tu que deste leitura à minha estela,
Tu que salvaste o teu país, Tu que me abençoaste, que um rei futuro
(180) te abençoe.
A literatura mesopotâmica naru, tal como foi referido, afastava-se radicalmente da inscrição oficial de um rei ao retratar frequentemente um monarca célebre sob uma luz desfavorável. Esta fórmula é evidente tanto n'A Lenda de Cuta como, de forma ainda mais acentuada, n'A Maldição de Ágade, embora ambas servissem o mesmo propósito: preservar o nome do monarca para as gerações futuras de uma forma mais pessoal do que uma inscrição oficial numa estela. A académica Gerdien Jonker explica:
O que importava na literatura naru era a preservação da memória, condensada no nome duradouro do "remetente" ... Os nomes tinham de ressoar porque as pessoas desejavam que fossem invocados após a morte.
(pág. 96)
Pouco importava que o Naram-Sin histórico nunca tivesse combatido um exército sobre-humano nem sido derrotado; o que importava era o reconhecimento do nome e o significado associado a esse nome famoso. Ao utilizar Naram-Sin como personagem central, a mensagem tornava-se mais clara: se um grande rei podia cometer um erro de julgamento tão terrível, qualquer um o podia fazer, e o público devia aprender com o seu erro. Naram-Sin perdurou, portanto, não apenas como um famoso rei guerreiro, mas também como um exemplo das relações corretas com os deuses e da administração responsável ao deixar por escrito um relato da sua experiência.
O objetivo central da literatura mesopotâmica naru era instruir enquanto entretinha, proporcionando às pessoas um modelo de comportamento que podiam aplicar às suas próprias vidas. N'A Lenda de Cuta, o grande Naram-Sin humilha-se perante os deuses e é redimido após um erro trágico — e dispendioso —, e aqueles que ouviam a história compreendiam que eles próprios também podiam encontrar o perdão, por maior que fosse o seu pecado, e ser acolhidos de novo numa relação harmoniosa com os deuses.