Os piratas, especialmente os da chamada Idade de Ouro da Pirataria (cerca de 1690-1730), são particularmente famosos pelas suas expressões lapidares relacionadas com tudo o que é náutico, com a algazarra geral e com a vida de crime em alto-mar. Há até um "Dia Internacional de Falar como um Pirata" a 19 de setembro, data em que os românticos da terra firme se podem entregar à fantasia de uma vida mais glamorosa do que aquela que o destino lhes concedeu. Neste artigo, examinamos algumas das expressões e calão mais comuns que são atribuídas aos piratas e aos marinheiros em geral, de onde vieram e o que realmente significavam.

Lit.: Acima da borda / Às claras

Significa "Legítimo", uma vez que, se a tripulação de um navio estivesse toda visível acima dos conveses, era improvável que fossem piratas, que frequentemente se escondiam debaixo do convés ao aproximarem-se de outra embarcação.

Utilizado a partir do século XVIII para chamar a atenção — por exemplo, avistar um navio —, mas mais tarde passou a significar simplesmente "olá" ou "olá por aí".

Lit.: O colhinhão de uma formiga numa praia (Uma agulha num palheiro)

Uma expressão de calão usada na Marinha Real Britânica para significar que algo é extremamente difícil de encontrar.

Arquipirata

Utilizado desde a antiguidade para se referir a um pirata que comanda uma frota de embarcações.

Uma Despedida Suave

Quando um navio que fazia parte de uma frota pirata partia secretamente à noite dos restantes para evitar a partilha do saque.

Alto! / Pára!

Em uso desde o século XVII, era um comando para parar uma determinada ação, como puxar o aparelho para içar uma vela.

Aguentar / Manter o ânimo

Manter a proa do navio afastada do vento. Uma expressão que passou a ser usada para significar "manter a alegria" ou "manter-se animado".

Lit.: Cessa! / Esquece!

Em uso desde o século XVI, significava enrolar uma corda à volta de um elemento de fixação, como um cunho, para a prender. Em calão, passou a significar "para com o que estás a dizer" ou, como na expressão Belay that yarn! (Cessa essa conversa!), significava "para com essas mentiras!"

Li.t Entre a cruz e a caldeirinha (Sem saída/Entre a Espada e a Parede)

Atualmente usado para significar que alguém tem apenas duas más opções, mas devil (diabo) referia-se originalmente à primeira e mais comprida viga da quilha de um navio (chamada assim por ser a mais difícil de aceder e limpar quando em doca seca). Portanto, a expressão significava que não havia nada entre o navio e o mar.

Lit.: Morder a bala

Uma expressão que significa enfrentar algo desagradável. A expressão vem do hábito de um marinheiro açoitado morder uma bala verdadeira para não gritar e atrair o ridículo dos seus companheiros de tripulação.

Lit.: Até ao amargo de boca / O limite absoluto

A extremidade da amarra da âncora que estava presa a um poste de madeira ou cunho (bitt) no navio. "Chegar ao fim amargo" significava, portanto, desenrolar toda a amarra da âncora e atingir o limite. "Em águas profundas" e "no fim da corda" têm o mesmo significado.

Lit.: Sangrar e Suar

Uma forma de tortura usada por piratas que consistia em fazer um prisioneiro correr entre uma fila de marinheiros que o espetavam com agulhas de velame, fechando depois a vítima dentro de um barril cheio de baratas. Uma versão menos desagradável consistia em fazer a vítima correr sem parar à volta do mastro grande, encorajando-a com a ponta de um cutelo até que caísse de exaustão.

Mordam-me! / Impressionante!

Sem registo histórico oficial, mas uma expressão utilizada na ficção sobre piratas para denotar surpresa ou choque.

Lit.: Segunda-feira Azul

Refere-se à prática comum na Marinha Real Britânica de aplicar castigos, como chibatadas, numa segunda-feira.

Em baixo/Desanimado

Sentir-se desanimado ou deprimido; esta expressão deriva provavelmente da prática de um navio hastear uma bandeira azul quando o seu capitão, comandante ou um oficial morria no mar. Alguns navios pintavam uma linha azul nos cascos em vez de içar uma bandeira.

Bebado / Alcooliszado

Significa "bêbedo". O termo vem de um jarro de couro conhecido como bombard (bombarda), que era usado para armazenar até cerca de 4,5 litros (8 pintas) de cerveja ou ale. Consequentemente, "bombardeado" (bombarded) passou também a significar "bêbedo".

Espólio / Presa

Os bens capturados que eram depois distribuídos, muitas vezes com uma surpreendente justiça entre a tripulação pirata. Normalmente só eram divididos no final de uma viagem após a venda, sendo atribuída uma parte extra àqueles que tivessem sofrido ferimentos.

Lit.: Irmãos da Costa

Um nome dado aos piratas das Caraíbeas (embora eles próprios nunca o tenham utilizado).

Lit.: Trazer o rabo à âncora

Significa sentar-se.

Bumbo ou Bombo

Uma bebida comum entre os piratas das Caraíbeas, feita a partir de rum, água, açúcar e noz-moscada.

Lit.: Triscos / Roupa Velha

Roupas de terra indesejadas e cordas velhas deixadas na costa antes de levantar ferro.

Lit.. Raspador de tripa / Arranha-gatos

Calão para o violinista do navio (referindo-se às cordas do violino, que antigamente eram feitas de tripa de animal).

Lit.: Gato-de-nove-caudas (chicote tradicional, palmatória ou cabo marinheiro retorcido)

Um longo chicote em uso desde o século XVI para manter a disciplina a bordo dos navios. Era composto por nove pedaços de corda presos a uma haste única com um cabo de madeira. Cada uma das nove "caudas" tinha pelo menos três nós para tornar o chicote ainda mais suscetível de ferir a vítima. Frequentemente, se o carrasco não fosse considerado suficientemente vigoroso, arriscava-se a ser ele próprio chicoteado e, para garantir que os golpes fossem sempre potentes, o carrasco era substituído a cada 12 pancadas.

Lit.: A abarrotar / Completamente cheio

Significa "cheio de gente", mas deriva da ocasião em que duas roldanas de aparelhamento (cadernais) estão tão juntas que as cordas chegam ao seu limite e a vela deixa de poder ser manobrada.

Tabula rasa / Recomeço limpo

Significa que está tudo bem e pronto para recomeçar. Deriva da prática de registar as leituras de navegação e os acontecimentos de um turno (período de 24 horas) numa ardósia. Quando o turno terminava e a informação era anotada no diário de bordo pelo capitão ou por um oficial, a ardósia era limpa.

Avançar a toda a brida

Navegar a boa velocidade. O termo deriva do estalido (cracking) feito pelas cordas e velas tensionadas por um vento forte.

Cortar o cabo e fugir

A prática de cortar o cabo da âncora com um machado em vez de o içar a bordo, feita para poupar tempo e permitir uma partida rápida de uma situação de risco. "Cortar os laços" (cut loose) tem o mesmo significado, enquanto "ir direto ao assunto" (cut to the chase) tem origem semelhante, no sentido em que o aparelho era cortado à pressa para preparar as velas o mais rapidamente possível para perseguir outra embarcação.

Lit.: O armário de Davy Jones

Uma expressão usada pela primeira vez em meados do século XVIII para se referir ao mar onde as almas dos marinheiros mortas são recolhidas pelo espírito maligno Davy Jones. Jones guarda as almas no seu armário, que corresponde a qualquer mar ou oceano e não a um lugar específico. A expressão não tem qualquer ligação com o pirata inglês David Jones.

Homens mortos não contam histórias

Uma frase atribuída aos piratas (sem provas concretas) para significar que os cativos assassinados não podiam testemunhar num ato de pirataria. A maioria dos piratas ao longo da história não matava as suas vítimas, optando antes por deixá-las em paz, recrutá-las ou vendê-las como escravos.

Lit.: Carga de convés

Calão naval para os seios de uma mulher.

Seis braças de profundidade

Águas com profundidade superior a seis braças (cerca de 11 metros / 36 pés). Pode referir-se ao ato de atirar coisas ao mar e era a profundidade mínima exigida para os sepultamentos no mar, motivo pelo qual se tornou um eufemismo para encomendar um cadáver às ondas. Hoje em dia, passou a significar "livrar-se de" ou "descartar" em geral.

Dobrão

A maior moeda de ouro (pouco menos de uma onça) cunhada pelos espanhóis para uso em Espanha e nas colónias nas Américas a partir do século XVI.

Lit.: Para o porão / Saúde!

Colocar carga através da escotilha e para o porão. A expressão era usada como um brinde ao beber álcool.

Lit.: Descer ao porão / Lavar a roupa suja

A tarefa desagradável de voltar a impermeabilizar as velas enquanto estavam totalmente atreladas ao mastro. A expressão passou a significar receber uma reprimenda ou raspanete.

Lit.: Pontas esfarrapadas / Restos

As extremidades desfiadas de uma corda velha, usadas para se referir a uma biocata de cigarro ou aos restos de qualquer coisa de pouco valor.

Lit.: Quinze homens sobre o cofre do homem morto

Uma canção de piratas inventada por Robert Louis Stevenson para o seu romance de 1883 A Ilha do Tesouro (Tít. Oirginal: Treasure Island). Os versos são:

Quinze homens sobre o cofre do homem morto,

Io-ho-ho, e uma garrafa de rum!

A bebida e o diabo acabaram com o resto.

O cofre (chest) na canção não é uma arca de tesouro, mas sim a pequena ilha Dead Man’s Chest (atualmente chamada Dead Chest Island) nas Ilhas Virgens Britânicas.

Lit.: Primeira Classe / Primeira Linha

A classificação ou categoria máxima de navios de guerra, tipicamente aqueles que transportavam mais de 100 canhões a bordo.

Lit.: Desenrolar / Desabar na horizontal

A prática de esticar uma corda ou cabo em dobras planas no convés para que pudesse ser atirada ao mar facilmente sem que a amarra ficasse emaranhada. A expressão passou a significar deitar-se exausto ou faltar a um compromisso.

Com as velas soltas / Sem amarras

Quando uma vela é deixada livre e desatada na sua extremidade inferior. A expressão passou a significar "livre para fazer o que se deseja", uma vez que se está sem amarras ou responsabilidades. É frequentemente seguida por and fancy-free para dar ênfase.

Emaranhar / Estragar tudo

Significa que o cabo da âncora ficou emaranhado. Hoje em dia, a expressão significa cometer um erro ou arruinar alguma coisa.

Congelar até a alma

Não tão grosseiro quanto parece, o monkey era uma bandeja de metal de latão onde se empilhavam ordenadamente em pirâmide as balas de canhão de ferro. Em temperaturas frias, os diferentes metais reagiam de maneira distinta e a pilha de balas podia deslocar-se e desmoronar-se.

Dos mares

Esta era a resposta típica de um pirata à pergunta "de onde és?" e era dada para ocultar a sua identidade. Também podia ser utilizada por navios piratas ao entrar num porto com o mesmo objetivo. Em uso desde o século XVII.

Entrar em pânico / Afligir-se

Significa "ficar desnecessariamente apressado ou ansioso". A expressão vem do bater das bandeiras de sinalização na Marinha Real Britânica. Se muitas mensagens tivessem de ser enviadas, havia muitas bandeiras e um enorme agitar e bater (flapping).

Casar-se / Dar o nó

Calão que significa "casar"; o termo originalmente significava unir duas cordas. A expressão "unir os trapos" ou "casar" (get spliced) tem o mesmo significado literal e figurativo.

Lit.: Trabalho de bolo de gengibre / Decorações espalhafatosas

Um termo de calão para a douração decorativa nas partes exteriores de um navio. Deriva da prática dos padeiros alemães colocarem ouro comestível nos seus biscoitos de gengibre.

Dar largo avanço / Manter a devida distância

Significa "ancorar o navio em segurança, afastado de outra embarcação" e, por extensão, passou a significar geralmente evitar deliberadamente alguém ou alguma coisa.

Ir por conta própria / Dedicar-se à pirataria

Em uso desde o século XVI, significava que não seriam pagos quaisquer salários a uma tripulação pirata até que o espólio fosse capturado e distribuído.

Lit. Ganso sem molho

Um termo de calão para designar um homem gravemente ferido que não apresentava sinais de hemorragia.

Grogue

Na primeira metade do século XVII, os marinheiros da Marinha Real Britânica recebiam cerveja pura, mas esta foi mais tarde substituída por rum puro. O Almirante Edward Vernon, cujo apelido era Old Grogram, decidiu diluir o rum com água em 1740, fazendo com que a bebida mais fraca ficasse conhecida como grog. O nome acabou por ser aplicado a qualquer bebida alcoólica. É provável que os capitães piratas não aguassem as bebidas e dessem aos seus homens tudo o que estivesse disponível, como cerveja, vinho e gin, caso o rum escasseasse.

Grumete

Utilizado pela primeira vez no século XVI, o termo provém da palavra espanhola grumete e era calão pirata para o rapaz de recados ou aprendiz de bordo.

Em consórcio

Quando duas ou mais embarcações piratas acordavam dividir o espólio, mesmo que entretanto se separassem.

Passar pela quilha

Um castigo severo que consistia em amarrar uma pessoa com uma corda, lançá-la ao mar e arrastá-la por baixo do navio, de um lado ao outro, ou ao longo do comprimento da embarcação.

Manter-se ao largo / Afastar-se da costa

Manter a proa do navio apontada ao vento quando se estava perto de uma costa de sotavento, evitando assim que a embarcação fosse naufragada contra a terra.

Esticar o pernil / Bater as botas

Se o cadafalso ou escada de um carrasco não estivessem disponíveis, a pessoa prestes a ser enforcada subia para cima de um balde até que este fosse pontapeado para longe de debaixo dos seus pés.

Terra à vista!

O grito emitido por um vigia ao avistar terra pela primeira vez.

Inexperiente / Maçarico

Também chamado de landlubber (patrício da terra), um termo usado pela primeira vez no século XIV para se referir a alguém desajeitado, estúpido ou desempregado. Os marinheiros usavam o termo para designar alguém pouco familiarizado com tarefas náuticas ou com a vida no mar em geral.

Abandonar numa ilha deserta / Marrar

Deixar deliberadamente um marinheiro sem ajuda, tipicamente numa pequena ilha deserta. Os capitães piratas eram conhecidos por abandonar desordeiros, desertores, cobardes e ladrões, deixando-os habitualmente sem provisões ou sequer roupas. Uma alternativa a deixar a pessoa em terra era largá-la à deriva num pequeno barco sem remos. A ameaça da sede e da fome fazia com que alguns homens preferissem ser mortos no momento do que abandonados desta forma. Algumas vítimas recebiam uma pistola para se poderem suicidar. O marinheiro mais famoso a ser abandonado foi Alexander Selkirk (1676-1721), embora por escolha própria, no Pacífico, nas ilhas Juan Fernández, em 1704. Selkirk inspirou o romance Robinson Crusoe, de Daniel Defoe.

Pirata das Caraíbas / Homem dos bosques

Derivado da palavra espanhola cimarrónes, que se referia a um escravo fugitivo no século XVII. O termo marooner foi aplicado aos piratas das Caraíbeas no mesmo período.

Imediato / Companheiro

Em uso desde o século XIV, um mate é um membro da tripulação, colega de trabalho, camarada de armas ou alguém com quem simplesmente se passa muito tempo. É também o título de um oficial em navios mercantes e de guerra encarregado de supervisionar a arrumação da carga, organizar as tarefas diárias da tripulação e garantir que as ordens do capitão ou de outros oficiais eram cumpridas.

Marinheiro

Uma relação muito mais profunda do que um simples colega (mate), em que dois homens viviam juntos, comiam juntos, partilhavam os seus pertences e cuidavam um do outro durante as batalhas e em caso de doença. O termo estava em uso desde o século XVII, mas provém da palavra francesa que designava dois marinheiros que comiam sempre juntos. Este tipo de relação era particularmente comum nos refúgios de piratas.

Lit.: Rouxinol / Maricas

Um termo derrogatório aplicado a um marinheiro que gemia ou gritava de dor ao ser açoitado, o que era visto como falta de coragem e valentia.

Sem presa, sem paga

Uma expressão usada pela primeira vez no século XVI que significava que um pirata não receberia qualquer recompensa a menos que fosse capturado espólio, sendo purchase um termo arcaico para pilhagem. A expressão subsiste nos salvamentos marítimos modernos, onde no cure, no pay significa que a embarcação tem de ser primeiro salvada com sucesso antes de a tripulação ser paga.

Perna de pau

Uma alcunha utilizada desde o século XV para um marinheiro que tinha perdido parte de uma perna e usava um substituto de madeira, sendo também o nome atribuído à própria perna de madeira. Long John Silver, de A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson, é o exemplo ficcional mais famoso (pelo menos nos filmes, pois no livro é descrito apenas com muletas), mas houve vários piratas reais com uma perna de pau, sendo o mais notável o capitão holandês, de nome bastante pomposo, Cornelis Corneliszoon Jol († 1641).

Pícaro / Corsário

Um termo de calão do século XVII para designar um bucaneiro, corsário ou pirata nas Caraíbeas, derivado da palavra espanhola picarón, que significa "pirata".

Peças de Oito

Outro nome dado ao peso, uma moeda de prata espanhola amplamente aceita como moeda corrente nos séculos XVII, XVIII e XIX nas Américas, e que valia oito reais de prata. O algarismo '8' cunhado nestas moedas está na origem do símbolo do dólar ($). Os marinheiros cortavam por vezes o peso em oito partes para transações mais pequenas, e duas dessas fatias ficaram conhecidas como two bits (dois pedaços), um termo mais tarde utilizado na moeda norte-americana.

Pilhagem

Era o costume dos piratas de levar de uma embarcação capturada tudo o que não fizesse parte da sua carga reconhecida (que seria depois partilhada como espólio). Essencialmente, a pilhagem era, a menos que estipulado de outra forma nos artigos do navio, uma corrida livre onde os passageiros e qualquer outra pessoa a bordo eram despojados dos seus bens de valor, tais como anéis, colares e roupas finas. Geralmente, tudo o que estivesse acima do convés era considerado passível de pilhagem.

Prata / Tesouro

Significa "prata", derivado da palavra espanhola plata. Podia referir-se a moedas ou lingotes de prata e, sob a lei marítima, passou a significar tesouro de qualquer espécie.

Lit.: Retirar o dedo / Despachar-se

Uma expressão que significa parar de hesitar e começar alguma coisa, que provém do hábito que os marinheiros tinham de colocar o dedo no orifício de ignição de um canhão até que este estivesse pronto a disparar.

Presa / Pilhagem

Um termo de calão em uso desde o século XIII para se referir tanto ao ato de pirataria (ou roubo em geral) como ao espólio capturado pelos piratas.

Presa / Navio Capturado

Uma embarcação capturada por bucaneiros, corsários e piratas, derivada do latim pretium.

Navegar sob a bandeira negra

Ser um pirata, ou seja, fazer parte de um navio que hasteia uma bandeira negra, como a Jolly Roger, para alertar outras embarcações de que devem render-se ou enfrentar consequências violentas.

Raspar o fundo do barril

Usar uma faca para extrair o último conteúdo gordo de um barril cheio de carne de porco. A gordura era frequentemente guardada pelo cozinheiro e vendida no final da viagem a fabricantes de velas e curtidores. A sua reserva desta gordura ou banha era o seu fundo de maneio (slush fund). Hoje em dia, a expressão é usada para significar a obrigação de recorrer à pior qualidade de qualquer coisa.

Escorbuto / Indivíduo desprezível

Atualmente mais conhecido como o nome da doença causada pela deficiência de vitamina C, mas, entre os séculos XV e XVII, era um insulto mordaz que transmitia um profundo desprezo por alguém.

Lit.: Cão do mar / Lobo-do-mar

Originalmente usado para os corsários da Inglaterra elisabetana, mas alargado para significar qualquer marinheiro com longa experiência no mar.

Artigos do navio

O código segundo o qual os marinheiros e piratas viviam a bordo de uma embarcação específica ou sob as ordens de um capitão particular. Muitos capitães insistiam para que a sua tripulação segurasse numa Bíblia, jurasse obediência aos artigos e os assinasse com o seu nome ou com uma marca, caso não soubessem escrever.

Lit.: Que me andem as madeiras / Pelos céus!

Uma expressão pirata inteiramente fictícia usada pela primeira vez no romance de 1883 de Robert Louis Stevenson, A Ilha do Tesouro, para expressar surpresa ou choque, como se o navio de alguém tivesse embatido contra rochas e as vigas (timbers) do casco se tivessem estilhaçado.

Leva a âncora / Põe-te a andar

Um convite feito a um marinheiro impopular para pendurar a sua rede de descanso noutro sítio. Hoje em dia, é usada no sentido de "vai-te embora, não és bem-vindo".

Calças largas

As calças largas usadas por marinheiros de todos os tipos, que apertavam abaixo do joelho mas acima do tornozelo. Mais tarde, passou a significar vestuário para o mau tempo que era igualmente largo.

Reparar a braça grande / Servir bebidas

Originalmente, isto referia-se à reparação de um elemento-chave do aparelho do navio, a braça grande, e, como era um trabalho difícil, a tripulação recebia frequentemente rum ou grogue como recompensa a seguir. Por conseguinte, a expressão passou a significar "servir as bebidas".

Esfregão / Zé-ninguém

O nome de uma esfregona feita de corda usada pelos marinheiros para lavar ou esfregar o convés. Swab e swabber eram usados como insultos mordazes desde o século XVI, significando que uma pessoa era da patente mais baixa (uma vez que a lavagem do convés era a sua humilde tarefa a bordo).

Descer um degrau / Por no seu lugar

Significa reduzir a patente de uma pessoa ou diminuir a sua opinião inflacionada sobre si mesma. A expressão deriva da prática na Marinha Real Britânica de pendurar bandeiras ou estandartes de patentes no mastro. Se um oficial mais sénior subisse a bordo, a bandeira de maior patente anterior era descida um pino (peg) e a nova bandeira era colocada acima dela.

Dizer tolices / Falar de águas estagnadas

Significa dizer babuseiras ou disparates. Deriva da água suja das sentinas (bilge water) acumulada nas partes mais baixas de um navio.

Caminhar pela prancha

Uma forma de execução que consistia em vendar os prisioneiros, atar-lhes as mãos atrás das costas e fazê-los caminhar ao longo de uma prancha posicionada a partir do convés para sobressair sobre o mar. O prisioneiro era encorajado a avançar com a ponta de uma cimitarra ou sob ameaça de tiro. Não existem casos históricos fiáveis de que isto tenha realmente acontecido, mas é, ainda assim, uma parte adorada da ficção pirata. A ideia poderá derivar dos piratas cilícios do século I a.C. que, segundo Plutarco (cerca de 45 - cerca de 125 d.C.), faziam cativos romanos caminhar ao longo de uma escada sobre a água.

Rapariga / Moça

Um termo utilizado desde o século XIII para se referir a uma mulher, frequentemente uma prostituta, embora originalmente não fosse um insulto. Pelo contrário, uma wench era alguém de bom coração. Na ficção pirata, é frequentemente usado como um eufemismo para prostituta.

Para onde? / Em que direção?

Uma pergunta que significa "em que direção?" e que é habitualmente dita em resposta a um vigia que avista terra ou outro navio.

Io-ho-ho

Uma expressão pirata fictícia sem significado particular que aparece pela primeira vez no romance de 1883 de Robert Louis Stevenson, A Ilha do Tesouro. Poderá derivar da frase "Yeo heave ho", que os marinheiros entoavam enquanto puxavam a cordoalha.