Colquida (oeste da Geórgia) e Cartli/Ibéria (leste e sul da Geórgia) foram regiões importantes na área do Cáucaso na Eurásia desde a Idade do Bronze do século XV a.C. Prosperando através da agricultura e do comércio, a região atraiu colonos gregos e, posteriormente, romanos. O sucesso de várias cidades é indicado pela cunhagem da sua própria moeda. As línguas, a religião e as artes da região refletem a realidade política cosmopolita durante os períodos helenístico e romano.

A Geórgia estende-se para sul a partir da cordilheira do Cáucaso e para leste a partir do Mar Negro, que tem servido como via de comunicação com o resto do mundo desde a Antiguidade. A Geórgia contém todas as principais formas de relevo, tais como planícies, colinas, planaltos e montanhas. O clima varia em todo o país. Boa parte da costa do Mar Negro tem um clima subtropical húmido, com invernos amenos e chuvas abundantes. Com um clima semiárido, a Geórgia Oriental e Meridional recebe pouca precipitação, pelo que os agricultores têm de recorrer à rega. As montanhas possuem um clima de alta montanha. As pessoas ganham a vida através do pastoreio e do corte de madeira. Alguns rios são navegáveis, enquanto os cursos de água de caudal rápido fornecem energia eficaz. A Geórgia possuía ricos depósitos de ferro, cobre e outros minerais, embora atualmente estejam maioritariamente esgotados. Os depósitos de petróleo não parecem ser significativos.

O Ocidente era a Cólquida; e o Oriente e o Sul, Cartli, a que os gregos chamavam Ibéria. O nome "Cartli" é de origem indo-europeia e significa "citadela". Quando um senhor desta "citadela", perto da cidade georgiana de Misqueta, se tornou governante de todo o país, este termo estendeu-se a todo o território. E para os gregos que viviam na vizinha Trebisonda, a província de Cartli mais próxima era a de Esperi (atual Ispir, na Turquia). Os gregos usavam vários nomes para estes povos, chamando aos cartlianos "sasperianos", depois "hesperianos" e, a seguir, "iberianos". O termo "Cólquida" parece derivar do nome da província montanhosa de Cola (atualmente na Turquia), enquanto a Geórgia (Sakartvelo) constitui uma síntese económica do Ocidente e do Oriente. O nome nativo foi derivado de Cartli.

Os georgianos falam as línguas da família ibero-caucásica, que são as seguintes: o georgiano propriamente dito, o mingrélio e o suano. A antiga Geórgia formou-se através de uma síntese económica do Oriente (Ibéria) e do Ocidente (Cólquida) e, desde então, a língua mingreliana (ou seja, cólquida) foi transferida para a posição de uma língua de família. Um pouco antes, as línguas suana e abcázia tinham sido colocadas na mesma posição pela língua mingreliana.

Solos férteis, rios como o Rioni, o Coroque e o Mtkvari (Kura) repletos de peixe e, além disso, uma fonte pronta para a irrigação, ajudaram os primeiros colonos a cultivar cereais. Os povoamentos agrícolas mais bem-sucedidos transformaram-se em clãs poderosos. O artesanato e o comércio floresceram por amplas áreas. Nos primeiros séculos do II milénio a.C., foram criados dois sistemas económicos principais. Mais tarde, viriam a chamar-se Cólquida e Cartli. Os clãs georgianos são mais conhecidos na história pelo seu domínio do bronze e do ferro. As civilizações da Idade do Bronze, que perduraram e se desenvolveram ao longo de dois milénios, deram lugar a comunidades da Idade do Ferro por volta de 1000 a.C.

A prosperidade dos clãs georgianos estava ligada à posse dos vales férteis dos rios Mtkvari (Kura), Coroque (Aphsaros/Acampsis) e Rioni (Phasis). A agricultura era importante e encontrava escoamento para os seus produtos nas pequenas cidades espalhadas pela região. Onde quer que fosse necessário manter a irrigação (vale do rio Kura), construíram-se canais.

Um sistema de defesa bem planeado — com pequenos Estados como Diaokhi (Tao) e Colcha, entre outros, em aliança — reduzia o risco de ataques inimigos. Os campos de milho eram cultivados, enquanto rebanhos de ovelhas e de gado andavam pelas terras altas, nas encostas das montanhas do Cáucaso Setentrional e Meridional, o que proporcionava maior segurança à área. Ainda assim, os gregos conseguiram organizar expedições navais contra a costa oriental do Mar Negro, as quais foram alimentadas pelo mito que contava como uma corajosa tripulação helénica — os Argonautas —, liderada por Jasão, roubou o Velocino de Ouro (um símbolo evidente de luxo e abundância) de Colcha/Cólquida. Outro transgressor na mitologia foi Prometeu, que roubou o fogo aos deuses e o deu à humanidade, acabando por ser punido e acorrentado a uma rocha no Cáucaso. A versão georgiana do mito refere Amiran como o herói que faz lembrar Mitra, a divindade ou devi pagã ariana — de facto, os clãs arianos chegaram à região na alvorada da civilização e, posteriormente, misturaram-se com os nativos.

Clãs poderosos fundaram pequenos Estados, como Diaokhi, Zabakha, Viterukhi, Colcha, entre outros, já no século XII a.C. Os reis governavam e faziam as leis, enquanto os proprietários de terras ricos ocupavam cargos públicos e combatiam os assírios e os urartianos, avançando para norte. Na base da sociedade encontrava-se o povo comum. Trabalhavam em terras pertencentes à aristocracia, mas continuavam livres para abandonar essas terras, e os pequenos proprietários rurais habitavam nas altas montanhas. O aumento do comércio conduziu ao crescimento das cidades. Os comerciantes acumularam alguma riqueza e começaram a formar uma classe média. As mulheres estavam subordinadas aos homens.

Duas culturas, armadas com ferro, estabeleceram-se definitivamente: a da Geórgia Oriental (ibérica), nos vales dos rios Mtkvari e Coroque; e a da Geórgia Ocidental, cólquida (ou seja, mingreliana), no vale do Rioni, nas planícies entre as cidades de Pítios (Bichvinta/Pitsunda), a noroeste, Apsaros (Gonio), a sudoeste, e Sarapanis (Shorapani), a leste. Povos montanheses resistentes, como os suanos e os lazes (georgianos ocidentais), viviam nas regiões selvagens situadas acima das cidades de Dioscurias (Sucumi) e Trebizonda.

Por volta do século VI a.C., os persas tinham conquistado um vasto império que se estendia desde a Ásia Menor até ao vale do Indo. Algumas das terras ibéricas estavam sob o domínio persa, mas, ainda assim, o mundo enfrentava agora uma nova potência hegemónica — a Hélade, já sobrepovoada e a necessitar de importar cereais e matérias-primas. Os gregos fundaram pequenas cidades-estado (poleis) ao longo da costa do Mar Negro. Ganhavam a vida através do comércio, abastecendo a metrópole com matérias-primas. Os milésios da Ásia Menor também estabeleceram várias colónias na Cólquida, que abrange a Geórgia Ocidental.

Nos séculos VII e VI a.C., a cidade jónia de Mileto possuía uma riqueza excecional e um grande espírito de empresa comercial. Sendo a maior cidade comercial, Mileto organizou os primeiros assentamentos gregos na Cólquida, filhas da metrópole jónia — Fásis (Poti), Dioscúrias (Sucumi), entre outros. Fásis e Dioscúrias eram cidades gregas esplêndidas, dominadas por oligarquias mercantis, embora fossem por vezes perturbadas pelos cólquidas do interior. Estas cidades gregas parecem ter sido completamente assimiladas pelos cólquidas.

Nos séculos seguintes, o mesmo processo aconteceu com o estabelecimento de veteranos romanos perto de Fásis. Para promover o comércio, Fásis emitiu a sua própria moeda de prata com o tipo de moedas greco-cólquidas. O comércio dos povos através do Mar Negro prosperou. A indústria de armamento e a produção de cerâmica floresceram no Ponto, a mineração foi produtiva na Cólquida e a agricultura na zona do Bósforo. Quase em todo o lado, as cidades aumentaram em tamanho e prosperidade. Emissões grandes e frequentes de moedas tornaram-se necessárias e a sua circulação aumentou. A ancestral rota marítima de Sinope em direção a Fásis era facilmente percorrida em três dias. A partir do século III a.C., os gregos inundaram a Cólquida e a Ibéria, circulando por toda a região. Especiarias, madeiras preciosas e pedras vinham da Índia através da barata rota fluvial "transcaucasiana" ao longo dos rios Indo — Balque (Bactra) — Amu-Dária (Oxus), ligando no passado o Mar Cáspio na secção sudeste, o Mtkvari e o Rioni.

Alexandre da Macedónia derrotou o poderoso Império Persa no século IV a.C. A sua conquista abriu caminho à penetração da civilização grega em muitas áreas. Toda a região do Mar Negro pode ser encarada como uma zona multicultural cujos sistemas económicos se baseavam, em última análise, no princípio do helenismo — os grécos fixaram-se por toda a parte. Uma ideia de integração helenística reflete-se na imitação cólquida das moedas de ouro de Alexandre. Cada vez mais gregos chegaram à Cólquida. A Cólquida estava repleta de recursos navais e dos melhores marinheiros, mas, em muitas zonas de baixa altitude, havia pântanos terríveis, e os gregos não tinham uma ideia concreta sobre como drenar essas terras pantanosas. Em última análise, o helenismo na Cólquida fracassou porque as comunidades helénicas se tornaram primeiro bilingues e depois completamente assimiladas pelas sociedades locais.

Após a destruição do Império Persa, os reinos Setentrional e Meridional de Cartli foram unificados sob Farnavazo de Misqueta (reino setentrional), o primeiro rei da dinastia farnavázida. Azo, o soberano meridional, parece ter sido morto numa escaramuça. Farnavazo acolheu com gratidão os seus filhos e manteve-os nos domínios nativos como duques (eristavi). Após muitos séculos, esses domínios viriam a dar à Geórgia uma nova dinastia real, os Bagratidas (Bagrationi).

A partir do século I a.C., os romanos administraram o antigo mundo helenístico. Promoveram a unidade europeia ao oferecerem a cidadania aos seus reis aliados, e os soberanos ibéricos contavam-se entre eles. A cidadania romana era um título honorário tradicional transmitido dos principais domínios europeus para as províncias, mantendo os países formalmente ligados. Uma taça de prata dos séculos II e III regista o nome do rei ibérico (cartliano) Flávio Dades (datas de reinado desconhecidas). Evidentemente cidadão romano, herdou a sua cidadania de um predecessor a quem Vespasiano ou Domiciano a tinha conferido. Noutro exemplo, a cidadania de Publício Agripa, um comandante-em-chefe ibérico, proveio de uma concessão de C. Publício Marcelo, governador de Adriano na Síria. Por vezes, altos cargos no exército romano eram também atribuídos a ibéricos. Por exemplo, o nomeia-se um almirante competente nos tempos do imperador Otão; o seu nome era Mosco e, evidentemente, tinha nascido na província ibérica de Mesquécia.

Enquanto enviava os homens para servir fora do território, a Ibéria acolheu alguns estrangeiros — já no século II a.C., a capital Misqueta tinha o seu bairro mercantil judeu. E os cólquidas enfrentaram guarnições romanas estacionadas ao longo da costa do Mar Negro. Os godos, que habitavam na Crimeia e procuravam novos lares, invadiram a Cólquida no ano de 253. Ainda assim, o país não recusava nenhuma receção, sempre que tal era exigido. Os cólquidas mantinham-se sempre vigilantes em relação aos montanheses a norte da cordilheira do Cáucaso, mas, no século I, não rejeitaram a oportunidade de angariar mais recrutas para a classe feudal. Assim, os abascos e os afsils surgiram na Cólquida, juntamente com uma considerável população laze vinda do sul, que rebatizou a terra como Lázica. Durante esta ligeira hegemonia romana, as vagas de clãs lazes provenientes de Trebizonda, que falavam a mesma língua mingreliana, varreram a Cólquida para criar uma nova estrutura feudal. Pouco depois, a Ibéria adotou o mesmo sistema.

Artística e intelectualmente, o período é notável como ponto de partida. Foram construídos templos de estilo grego tanto na Cólquida como em Cartli (Ibéria). Na antiga Cólquida e em Cartli, o povo acreditava que muitos deuses controlavam as forças da natureza. Os ídolos eram venerados, mas o paganismo desta última região ainda se encontra impregnado de um certo romantismo devido ao estrato superior ariano que chegou à Ibéria na alvorada da civilização, trazendo consigo as suas divindades pagãs (devi — em georgiano), como Mitra-gayo-da (o doador da vida; Gaim — em georgiano) e Aredvi Sura Anahita (Ainina em georgiano). A receção seguinte já incluiu aqueles que veneravam o Senhor da Sabedoria, uma ideia pura — Ahura Mazda —, que foi paganizada na Geórgia e convertida no guerreiro Armazi. Assim, este Armazi, juntamente com Gaim e Ainina, eram venerados em Cartli antes de o país ter sido batizado.

A ourivesaria cólquida é também muito multicultural e os georgianos escreviam em grego e aramaico. Os registos georgianos descrevem com precisão o festival pagão repleto de gente em Misqueta, com a participação do próprio rei. Armazi era amplamente venerado, enquanto a arqueologia revela abundantes crânios em sepulturas com uma moeda colocada no interior — acreditava-se que o morto era transportado para outro mundo pelo barqueiro pago místico, Caronte, sendo o local normal onde as pessoas transportavam o dinheiro a boca.