Kasuga Taisha é um antigo santuário xintoísta situado numa floresta a leste de Nara, capital do Japão entre os anos de 710 e 784. Fundado no ano de 768, o local conta com quatro santuários principais em honra de quatro divindades xinto-budistas, uma das quais é o deus ancestral do importante clã Fujiwara. O complexo, incluindo a floresta circundante com veados selvagens, está classificado como Património Mundial da UNESCO.
O santuário foi oficialmente fundado em 768, embora os historiadores prefiram a data de 710. Foi criado pelo poderoso clã Fujiwara depois de, segundo reza a lenda, uma divindade ter aparecido no local montada num veado, o que também explica por que razão os veados ainda hoje vagueiam livremente pelo templo. O local ainda inclui um santuário dedicado ao antepassado fundador dos Fujiwara. Os santuários estão rodeados por uma floresta de ciprestes, na qual tanto a caça como o abate de árvores estão proibidos desde 841. Nela encontram-se os templos budistas Kofukuji e Todaiji.
Os quatro principais kami, ou espíritos xintoístas, do Kasuga Taisha são Ame no Koyane no mikoto, o antepassado fundador dos Fujiwara, Himegami, Takemikazuchi no mikoto (a divindade montada num veado e deus do trovão) e Futsunushi no mikoto (um deus guerreiro e grande espadachim). Acredita-se que os dois últimos tenham sido enviados pelos deuses quando Ninigi veio governar na Terra, o primeiro governante do Japão segundo a mitologia xintoísta. O Kasuga Taisha atrai os fiéis budistas porque Takemikazuchi é considerado o avatar de Fukukensaku Kannon. Da mesma forma, Ame no Koyane é equiparado a Jizo, Himegami a Juichimen Kannon e Futsunushi a Yakushi Nyorai. Outra ligação com o budismo são os famosos veados do local, uma vez que estes lembram o parque de veados onde se acredita que o Buda tenha proferido o seu primeiro sermão.
Durante o período Heian (794-1185), o templo passou a estar sob os auspícios do templo Kofuku-ji, o templo do clã Fujiwara em Nara. No entanto, o complexo foi influente por direito próprio até ao século XIX e cresceu até incluir mais de 175 edifícios. Existem poucos edifícios antigos originais no local porque, tal como acontece com muitos outros santuários xintoístas, as estruturas são regularmente reconstruídas num processo conhecido como shikinen sengu, a fim de as manter imaculadas e livres de impurezas espirituais. Ohonden (salão principal) mais antigo do santuário data de 1863.
Os quatro santuários principais do complexo deram nome ao estilo arquitetónicokasuga-zukuri , que se observa em santuários mais pequenos noutros locais. O estilo caracteriza-se por um honden com uma estrutura retangular simples e um telhado de duas águas curvo, decorado com chigi (saliências em forma de V) em cada extremidade do telhado e katsuogi (cilindros dispostos transversalmente à cumeeira). A entrada faz-se por meio de degraus cobertos por um simples toldo. As partes de madeira são pintadas de vermelho e preto, enquanto as paredes são rebocadas de branco e os telhados são feitos de casca de cipreste. Os quatro santuários estão dispostos em fila e cada um mede cerca de 2,6 x 1,8 metros (8,5 x 6 pés). O Wakamiya Jinja, fundado em 1135, é um santuário secundário e também segue o estilokasuga-zukuri .
Uma das estruturas mais impressionantes é o Portão Chumon. Construído em 1613, possui um telhado central de dois andares com uma linha curva e duas alas que albergam santuários secundários. Justo ao lado do portão encontra-se um cedro que se estima ter mais de 800 anos e que é o tema de um rolo de pinturas que data de 1309. A mesma árvore aparece também no cenário de todas as peças de teatro No, uma vez que esta forma de teatro foi encenada pela primeira vez em Kasuga no século XIV.
A entrada principal do santuário é o mais modesto Nanomon, ou Portão Sul. Mais dois portões interrompem o muro «kairo» que circunda o santuário, construído em 1613. Outros edifícios incluem o heiden (salão de oração e oferendas) e o hoko, ou armazém, de cor vermelha. Por fim, há o Salão do Tesouro e o Meoto Daikokusha, ambos contendo esculturas, armas, máscaras e espelhos preciosos, muitos dos quais foram presentes imperiais oferecidos durante o Período Heian.
O local distingue-se pelas suas mais de 2 000 lanternas de pedra (ishidoro), que se alinham ao longo do caminho que conduz aos santuários. Estas lanternas, uma forma tradicional de saudar os espíritos dos falecidos, têm vindo a ser doadas pelos fiéis ao longo dos séculos. Muitas das lanternas estão decoradas com a imagem de um veado e são particularmente ornamentadas, dando origem a um tipo de lanterna que leva o nome de Kasuga. Outras 1 000 lanternas de bronze estão penduradas em torno dos santuários e portões do local. Todas as lanternas de Kasuga são acesas nas espetaculares cerimónias de Setsubon e Obon Mantoro, realizadas respetivamente em fevereiro e agosto. O local é também particularmente pitoresco no final da primavera, quando as suas numerosas glicínias florescem nos jardins botânicos e o santuário faz jus ao seu nome de kasuga, ou «campo de glicínias».