Políbio (cerca de 208-125 a.C.) foi, embora historiador grego, um historiador romano, na medida em que a sua obra se dedicava a explicar como Roma chegou a ser tão grande. Tal como os três historiadores gregos clássicos, o próprio Políbio teve experiências pessoais e investigou o que estudava a um nível que incluía e ia além da leitura de pergaminhos e memórias guardados numa biblioteca.

No caso de Tucídides, pode argumentar-se que os momentos decisivos da sua vida que contribuíram para a criação da história que escreveu foram a sua carreira como general e, mais tarde, o seu exílio, o que provavelmente lhe permitiu avaliar melhor a guerra tanto do ponto de vista espartano como do ateniense. O próprio Políbio provavelmente tinha alguma noção de assuntos militares; quando tinha cerca de trinta anos, foi eleito hiparca (general da cavalaria) e, nessa altura, apoiava também a independência da sua cidade natal, Megalópolis. No entanto, o momento mais marcante de Políbio ocorreu quando, com cerca de trinta anos (cerca de 167 a.C.), foi levado para Roma como prisioneiro de guerra político, na sequência da neutralidade mantida pelo seu pai (Licortas) na guerra de Roma contra o macedónio Perseu: Políbio foi um dos mil aqueus proeminentes levados para Roma.

Em Roma, Políbio ficou a cargo de Emílio Paulo, um romano de grande prestígio que ele próprio tinha conduzido os romanos à vitória na Terceira Guerra Macedónica. Políbio foi então encarregado por Aemilius Paulus da educação dos seus filhos, Fábio e Cipião. Políbio manteria relações amigáveis com este último à medida que este ascendesse ao poder, culminando nos acontecimentos de 146 a.C., a destruição de Cartago e de Corinto. Assim, Políbio, embora inicialmente antirromano, passou a ver as coisas sob a perspetiva dos latinos e, nesse processo, adquiriu uma vasta experiência em primeira mão sobre o funcionamento da República, cujo exemplo pode ser visto na sua descrição da disposição do exército romano em 6.19-42.

Os acontecimentos nas Histórias (tít. original: Ἱστορίai; transliterado: Historíai) de Políbio abrangem 118 anos, de 264 a 146 a.C. Originalmente, a obra abordava acontecimentos até 167 a.C., mas depois de testemunhar os acontecimentos de 146 a.C., Políbio incluiu-os posteriormente na sua narrativa.

Uma das características mais marcantes de Políbio enquanto historiador é o facto de ele parecer possuir um sentido mais desenvolvido de historiografia do que os escritores anteriores, ou, pelo menos, de o expressar com maior clareza em certos pontos e em maior quantidade do que Tucídides o tinha feito, por exemplo. O livro principal que aborda esta questão é o livro XII, que, por si só, constitui principalmente uma crítica a Timeu enquanto historiador. O argumento principal de Políbio é que é dever do historiador manter-se isento de preconceitos; em 12.7, Políbio afirma, a respeito de Timeu, que este «frequentemente faz afirmações falsas… o seu julgamento… obscurecido pelo preconceito…», enquanto Políbio, tendo afirmado em 1.14 que «uma vez que um homem assume o papel de historiador, deve descartar todas as considerações deste tipo … terá frequentemente de falar bem dos seus inimigos…», pode ser visto a pôr em prática este sentimento no capítulo 1.64, quando Políbio diz de Amílcar que este é «… o general que deve ser reconhecido como o maior de ambos os lados, tanto em ousadia como em génio…»

Além disso, Políbio discute a importância de ser um historiador contemporâneo, bem como a importância de possuir experiência nos domínios político e militar, e de recolher e questionar as fontes:

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a função peculiar da história é descobrir, em primeiro lugar, as palavras efetivamente proferidas, fossem elas quais fossem, e, em seguida, apurar a razão pela qual o que foi feito ou dito conduziu ao fracasso ou ao sucesso. Pois a mera exposição dos factos pode interessar-nos, mas não nos traz qualquer benefício; contudo, quando acrescentamos a causa dos mesmos, o estudo da história torna-se frutífero.

12.25e

da mesma forma, a história política também consiste em três partes…

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talvez seja difícil ter participado pessoalmente e ter sido um dos protagonistas em todo o tipo de acontecimentos, mas é necessário ter tido experiência dos mais importantes e dos que ocorrem com maior frequência.

Como tal, a História de Políbio constitui um relato muito sólido deste período.

Pouco se sabe com certeza sobre a vida posterior de Políbio. O que sabemos é que deve ter passado a maior parte dela a escrever as suas obras (sendo as Histórias a única que sobreviveu) e que deve ter falecido em algum momento após a construção da Via Domícia, em 118 a.C., uma vez que este é, cronologicamente, o último acontecimento mencionado nas suas Histórias. Isto talvez dê algum crédito à afirmação do Pseudo-Luciano de que Políbio morreu aos 82 anos, após ter caído do cavalo.