Macrino foi imperador romano entre abril de 217 e junho de 218 d.C. É uma história que já foi contada inúmeras vezes — um imperador é assassinado sem deixar herdeiro nem sucessor. A 8 de abril de 217 , o imperador romano Caracala foi assassinado, supostamente por ordem do homem que viria a tornar-se o seu sucessor, Macrino. Este novo imperador, durante o seu reinado de 14 meses, teria duas características distintivas: nunca pisaria Roma como imperador e seria o primeiro a nunca ter exercido funções no Senado.

Marcus Opellius Macrino nasceu em Cesareia, na Mauritânia (uma província ao longo da costa norte de África), no ano 164 (não se sabe a data exata), supostamente pertencente à classe equestre — uma classe que, em tempos, fornecera cavalos ao exército de Roma. O historiador Cássio Dião escreveu:

Macrino era mouro de nascimento, natural de Cesareia, e filho de pais muito obscuros, pelo que era muito apropriadamente comparado ao jumento que foi conduzido até ao palácio pelo espírito; em particular, uma das suas orelhas tinha sido perfurada, de acordo com o costume seguido pela maioria dos mouros. Mas a sua integridade fez com que até mesmo este inconveniente fosse ofuscado.

Felizmente para Macrino, ele iria superar a sua origem humilde e receber formação como advogado. Cássio Dião na obra História Romana (tít. original: Ῥωμαϊκὴ Ἱστορία; transliterado: Rhōmaikē Historia) acrescentou: «Quanto à sua atitude perante a lei e os precedentes, o seu conhecimento destes não era tão preciso quanto a sua observância deles era fiel.» Este último comentário deu uma indicação das ações do futuro imperador.

Pouco mais se sabe sobre Macrino até ao reinado do Imperador Septímio Severo (193 – 211). Plautiano, o comandante da Guarda Pretoriana, nomeou-o como mordomo. Mais tarde, em 212, sob o imperador Caracala, ascenderia para se tornar ele próprio o comandante da Guarda Pretoriana. Esta posição proporcionou-lhe a oportunidade de servir sob o imperador Caracala como segundo no comando contra os partos, no Oriente. No entanto, o imperador, por vezes temperamental e imprevisível, começou a temer o ambicioso Macrino, tendo ouvido rumores de que um adivinho tinha previsto que o comandante se tornaria em breve imperador. Percebendo que o seu reinado estava ameaçado, Caracala terá alegadamente ordenado a execução de Macrino. Foi então que o comandante decidiu que ou matava o imperador ou seria ele próprio morto.

Quando o imperador, frequentemente mal visto, viajou para visitar o templo da deusa da Lua, Luna, perto de Carras, Macrino aproveitou a oportunidade. A 8 de abril de 218, enquanto Caracala parava à beira da estrada para fazer as suas necessidades, um dos seus guarda-costas aproximou-se por trás com a espada na mão e apunhalou o imperador desprevenido. Macrino regressou ao acampamento com o corpo de Caracala, alegando que já tinha morto o assassino do imperador. As cinzas de Caracala foram enviadas para Roma e sepultadas no Mausoléu de Adriano. De acordo com de Herodiano na História do Império Romano (tít. original: Τῆς μετὰ Μάρκου βασιλείας ἱστορία: transliterado: Tēs meta Markou basileias historia), o Senado ficou exultante:

… o Senado, em clima de júbilo, concedeu a Macrino todas as honras imperiais; o facto é, no entanto, que se regozijaram não tanto pela sucessão de Macrino, mas pela sua própria libertação de Caracalla. Cada homem… sentiu que tinha escapado a uma espada suspensa sobre a sua cabeça.

Imediatamente após assumir o trono — demoraria três dias até ser proclamado imperador —, Macrino iniciou uma purga, substituindo muitos dos governadores provinciais e executando qualquer pessoa que parecesse ameaçar a sua reivindicação ao poder imperial. No entanto, durante esta purga, o novo imperador irritou muitos dos membros do exército que tinham sido leais a Caracala. As suas ações também enfureceram a segunda esposa de Septímio Severo e mãe de Caracala, Júlia Domna, que desejava manter alguma influência sobre o trono. Percebendo que ela poderia constituir uma ameaça à sua autoridade, Macrino ordenou-lhe que abandonasse Antioquia. Ela recusou. Em vez de acatar as ordens do imperador, e enquanto sofria os efeitos de um cancro da mama, morreu de inanição. A sua irmã, Júlia Maesa, e duas sobrinhas, Júlia Soaemias e Júlia Mamaea, juraram dar continuidade à sua luta.

Ao longo do seu reinado de um ano, Macrino lutou continuamente contra as forças armadas, especialmente depois de ter revogado muitos dos benefícios concedidos por Caracala. Por volta dessa mesma altura, os partos começaram a reconstruir o seu exército e a avançar em direção às posições romanas. Em Nisibis, no norte da Mesopotâmia, enfrentaram os romanos em batalha. Em vez de lutar, porém, o imperador negociou um acordo de paz, o que afastou ainda mais o imperador do seu exército. Herodiano escreveu:

… as circunstâncias aumentaram a sua irritação; ainda a viver em tendas e, por vezes, com escassez de provisões numa terra estrangeira, apesar de parecer existir um estado de paz, ansiavam por regressar aos seus postos habituais. Quando viram o luxo e a negligência de Macrino, rebelaram-se e falaram amargamente dele, rezando por qualquer desculpa, por mais frágil que fosse, para se livrarem deste incómodo.

O exército veria em breve o seu desejo concretizado.

Com o descontentamento no exército a aumentar e muitos ainda a lamentar a morte de Júlia Domna, Júlia Maesa aproveitou a oportunidade para apresentar um jovem de catorze anos chamado Vário Ávito Bassiano (seu neto) como o herdeiro legítimo do trono imperial. Como descendente do sumo sacerdote do deus do sol Elegabal, ele foi «escolhido por Deus» como o sucessor legítimo. Circulavam rumores de que era o filho ilegítimo de Caracala e, para reforçar ainda mais a sua reivindicação, o seu nome foi associado aos antigos imperadores Marco Aurélio e António Pio.

Com o apoio do exército, este jovem, que viria a ser conhecido como Elagabalus, foi introduzido clandestinamente no acampamento de Raphanaea e, a 18 de maio de 218, a Terceira Legião Gaulesa proclamou-o imperador. Macrino estava marcado, mas a sua morte já tinha sido prevista por uma série de presságios. Cássio Dião escreveu:
«Macrino também não estava destinado a viver muito tempo; na verdade, isso já lhe tinha sido predito. Pois uma mula deu à luz uma mula em Roma e uma porca um leitão com quatro orelhas, duas línguas e oito patas; ocorreu um grande terramoto, sangrou-se de um cano e as abelhas formaram favos de mel no Fórum Boário.»

Em junho de 218, depois de ter sido derrotado por rebeldes perto de Antioquia e de não ter conseguido obter o apoio de ninguém, nem no exército nem em Roma — mesmo com a promessa de dinheiro —, Macrino fugiu de Antioquia disfarçado, rapando a cabeça e a barba. Tentou atravessar o Bósforo em Calcedónia e chegar a Roma, uma cidade que já sofria com os estragos causados por inundações e incêndios. Foi capturado, executado e decapitado. Herodiano escreveu sobre esta fuga mal sucedida: «… Macrino não conseguiu escapar aos seus perseguidores e teve um fim ignóbil pouco tempo depois, enquanto se esforçava por chegar a Roma, para onde deveria ter ido desde o início. Assim, deveu a sua queda ao mau discernimento e à má sorte.» O seu jovem filho, Diadameniano, de nove anos, que tinha sido elevado ao posto de «augusto» apenas alguns dias antes, foi capturado em Zeagma, na Síria, e morto. Cassio Dião referiu-se ao fim do imperador: «… ele (Macrino) fugiu como um escravo fugitivo pelas províncias que tinha governado e foi detido como um ladrão pelo primeiro que apareceu…»